maio 09, 2007

Rui Motta

baterista autodidata, compositor e arranjador, começou a tocar profissionalmente 15 anos e já atuava em bailes por todo o estado do Rio de Janeiro, além de tocar nos primeiros programas de rádio e televisão com seu grupo Os Corujas. Participou ativa e destacadamente dos movimentos iniciais do rock nacional nos anos 60, tocando em festivais e "concertos" de rock com as bandas Sociedade Anônima e Veludo Elétrico, muitas conhecidas na época. Em 1972 integrou-se aos Mutantes na fase pós – tropicalista, com muito sucesso. Nesse período foi eleito duas vezes Baterista do Ano pela revista Rock.
Como Mutante Rui gravou três discos, sendo que o primeiro deles – “Tudo foi feito pelo sol”, foi o disco da banda que obteve maior vendagem. Atualmente Rui Motta além de tocar com diferentes artistas, tem um trabalho solo onde já redeu discos lançados e ministra aulas de bateria lançando livros para vários níveis de ensino e administra uma oficina de bateria na Zona Sul do Rio de Janeiro. O Mais novo livro assinado pelo baterista “Curso de Divisão Rítmica – Volume 2”, com dois Cds contendo 97 trilhas e mais 750 padrões rítmicos, já está nas lojas. Acompanhe a entrevista concedida pelo baterista em sua oficina de bateria com exclusividade.

Por Elias Nogueira

Como foi depois que Os Mutantes pararam, o que você fez em termos de trabalho como músico? Você já tocou com diversos artistas.

A partir de 1978, quando a banda acabou, passei a tocar com vários artistas da MPB como Ney Matogrosso, Marina, Moraes Moreira, Zé Ramalho, Sá & Guarabyra. Também gravei muita coisa com estilo diferente como: Steve Hackett (ex-guitarrista do Genesis), Ednardo, Amelinha, Fernando Moura, João do Valle, Renato Teixeira, Wando, Dulce Quental, Jorge Mautner, Diana Pequeno, Sérgio Dias, Joe Eutanásia. Sem levar em consideração as apresentações relâmpagos. Aquelas que aparecem em função de um evento ou comemoração; aí também poderiam entrar Raimundo Fagner, Elba Ramalho, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Benjor. Como também aqueles trabalhos do dia a dia do músico que não aparecem muito, que são as trilhas para novelas, jingles, teatro, filmes institucionais e por aí vai. Coisas que já fiz muito. A partir de 92, quando saiu meu primeiro disco, passei a fazer shows com a Rui Motta & Banda, um velho sonho que estava esperando a hora certa pra materializar. Quase ao mesmo tempo comecei com os workshops que é onde eu me esbaldo. Mesmo porque, o único compromisso é com a bateria e com um público que está ali exclusivamente pra me ouvir. É bom demais! Ano passado fiz uma temporada de shows em Brasília, São Paulo e Rio com Erasmo Carlos, Wanderléa, Golden Boys e Vanusa, num projeto do CCBB.

Você já lançou vários livros especializados em prática musicais. Como foi que surgiu a idéia de você começar esse processo?

Foi espontâneo. Porque nunca tinha passado pela minha cabeça, fazer livro de coisa alguma. Até que em 1991 fui acometido por uma daquelas sedes de estudo que de vez em quando me ataca. Como eu já havia explorado bastante todos os métodos que eu tinha, passei a escrever os exercícios que eu gostaria de encontrar num livro. O resultado disso é que surgiu naturalmente a idéia de organizar aqueles papéis em formato de livro. E aí eu acabei descobrindo uma coisa altamente gratificante pra mim que é explorar a bateria e compilar os exercícios que indicam os caminhos mais curtos pra desenvolver a técnica e a coordenação do baterista.

Quantos livros têm lançados?

Até agora são sete. O primeiro saiu pela Bruno Quaino Editora e os demais pela editora Irmãos Vitale. Editora que faz um trabalho bem consistente e variado na área de edições musicais. O catálogo deles é talvez o maior do país.

O Curso 'Divisão Rítmica' já tem 2 volumes. O que diferencia um do outro?

Bom, primeiro é importante lembrar que: o assunto "divisão rítmica" é fundamental porque cuida da parte matemática da música, que está por trás de tudo que se toque, não só na bateria, mas em qualquer outro instrumento. Falando, é claro, do padrão ocidental. Qualquer trecho musical, por mais simples ou complexo que possa soar, tem como referência uma divisão rítmica que é a parte dançante da música. O primeiro volume, com um CD, conta com as divisões básicas, pra quem está começando a explorar esse assunto, que é muito simples de entender. O segundo volume, conta com dois CDs e atende aos níveis médio e avançado, abordando os grupos quaternários, os subgrupos compostos, de sestinas, de fusas e uma compilação completa das quiálteras. Esse livro se propõe a resolver qualquer dúvida desse assunto porque inclusive tem os exemplos gravados que de uma certa maneira desmistificam aquele coisa do "difícil" de tocar. Pra quem considera a música uma coisa ampla, não pode deixar de ter.

Você recentemente abriu uma oficina de bateria. Como isso funciona?

É um outro projeto antigo que, graças a Deus, pude realizar. Fica no Rio de Janeiro, na Fonte da Saudade, Lagoa. É uma escola voltada exclusivamente para o ensino da bateria e da percussão para todas as idades, com professores muitos bem formados e preparados. Inclusive eu, modéstia à parte, dou aula. O curso de bateria tem quatro níveis e é profissionalizante, preparando o aluno para qualquer situação de trabalho dentro da música popular. A percussão abrange os ritmos brasileiros, afro-baianos, caribenhos e universais. A escola em si, é muito legal, tem dois estúdios e toda à parte de equipamentos e instrumentos de primeira linha. Se você me permite posso deixar o contato. 21-3235.6215. oficinadebateria@terra.com.br

Voltando ao assunto Mutantes: Existe a possibilidade do retorno? Digo, a fase progressiva da qual você era integrante.

Olha, há mais ou menos uns seis meses atrás, nos reunimos para conversar, matar a saudade e aproveitamos para tocar um pouco. Isso transcorreu dentro de um clima super agradável, recordamos coisas que vivemos nos anos 70, que foram momentos ótimos que nem a ditadura militar conseguiu impedir que vivêssemos. A parte musical ficou super natural, improvisamos fluentemente, com muita energia, como se os quase trinta anos decorridos tivessem sido ontem. A música tem mesmo esse negócio atemporal que é um mistério. Estou falando da formação que tinha, além do Rui Motta, o Pedro, o Sérgio e o Túlio. Fora isso, o que todos sabem é que a banda já voltou ao cenário musical, mas é a formação da fase da tropicália, que eu não participei. Acho que a liberdade interior que você conquista ao longo de sua vida te dá não só os recursos para identificar o que é bom e o que é ruim pra você, como também a possibilidade da escolha dos caminhos e meios que serão utilizados na obtenção dos seus objetivos. Quando você é requisitado para um trabalho, já vai sabendo até onde vai poder contribuir com sua bagagem musical. Em se tratando da minha banda, qualquer caminho seria possível, desde que essa contribuição fosse total em termos de habilidade e experiência, afinal trinta anos ralando em cima do instrumento fazem uma boa diferença. Se for por aí então eu estou dentro. Agora, se é pra colocar o dinheiro acima disso e fazer um trabalho assim, assado, esse tipo de coisa, então que seja para ficar logo rico, do contrário não valeria a pena, em função das concessões que eu teria que forçosamente fazer. Até porque, não tenho nada a reclamar da minha vida profissional que está muito boa, graças ao meu querido e sempre fiel Deus.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito legal essa entrevista, Rui Motta merece! Ele é um dos melhores baterista do BRasil.