novembro 07, 2007

Nação Zumbi


Nação Zumbi, banda pernambucana que apareceu com total destaque no cenário musical a partir do movimento manguebeat, na década de 90, onde o destaque principal era o cantor e compositor Chico Science. Com ele, a Nação Zumbi gravou dois discos, "Da Lama ao Caos" (1994) e "Afrociberdelia" (1996). Com eles conquistaram a fama no Brasil e excursionaram no exterior. Alguns dos maiores sucessos foram "Rios, Pontes e Overdrives", "A Cidade", "Da Lama ao Caos", "Macô", "Corpo de Lama" e a versão para "Maracatu Atômico", de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, grande sucesso na voz de Gilberto Gil na década de 70. Depois do falecimento de Chico Science, em acidente de automóvel em 1997, os integrantes da Nação Zumbi continuaram o trabalho, lançando em 1998 o álbum duplo "CSNZ" (ainda com o nome do ex-líder), incluindo um disco de músicas inéditas e ao vivo e lançou também outro só de remixes. Em 2000 o grupo gravou "Rádio S.AMB.A" (YBrazil?), conseguindo êxito com "Quando a Maré Encher", mostrando a capacidade de sobrevivência sem Chico Science. Jorge Du Peixe assumiu a voz, acompanhado pelos demais integrantes: Lúcio Maia (guitarra), Alexandre Dengue (baixo), Toca Ogam (percussão), Gilmar Bolla 8 (percussão) e Pupilo (bateria).

Em 2002, a banda é contratada pela gravadora Trama e lança seu disco homônimo, “Nação Zumbi”. Com canções poderosas como "Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada”, neste disco a banda se firma como a mais importante banda da cena independente brasileira, em atividade. Em 2005, Nação Zumbi volta à ativa com “Futura”, seu sexto álbum. Um disco que flerta com a música regional, aposta em experimentações e texturas eletrônicas, coloca os tambores de maracatu em segundo plano e ousa fazer novos vôos. São 12 faixas, contando ainda com músicos convidados como Mauricio Takara, do Hurtmold, e de Fernando Catatau, do Cidadão Instigado.

Em tempo, a Nação Zumbi lança está lançando seu sétimo disco ''Fome de Tudo'' o primeiro pela gravadora Deckdisc. Produzido por Mario Caldato, o álbum tem a fome como tema principal, não apenas a da privação do alimento, mas a fome de ter uma vida digna e a fome de conquistar e de consumir passando por cima de tudo e de todos.

A Nação é formado por Jorge Du Peixe (voz, sampler e percussão), Lúcio Maia (guitarra e programação), Dengue (baixo), Gilmar Bola 8 (percussão), Pupillo (bateria e programações) e Toca Ogan (percussão e voz). Em 31 de outubro de 2007, o vocalista e letrista da banda, Jorge Du Peixe concedeu uma entrevista. Acompanhe o bate-papo a seguir.

- O que vem de novo em “Fome de Tudo”?
- Sétimo disco, gravadora nova! A Deckdisc mostrou novas possibilidades e nos ofereceu uma infra-estrutura maior. Já estava na hora de mudar!

- Quantos discos foram lançados pela outra gravadora?
- Fizemos dois discos. Este é o primeiro pela Deckdisc e está tudo indo muito tranqüilo. O pessoal da gravadora começou conversar com agente um diálogo muito transparente sem nenhuma imposição, sem meter a mão no processo criativo, que é o ponto alto.

- Como foi feita a seleção de repertório? É todo inédito?
- Totalmente inédito e autoral, contamos com algumas participações.
Essa é a segunda vez que acontece, com agente, de assinar um contrato sem mostrar nenhuma música. Aconteceu com a Trama e na Deck, não tínhamos nada pronto para mostrar e eles confiaram na idéia. Depois de um tempo fizemos a pré-produção, mas nada convencionado e nada finalizado, somente uma idéia do que poderia ser. Assinamos contrato e colocamos a mão na massa. Gravamos doze músicas, sendo que seis gravamos no estúdio da Deckdisc no Rio de Janeiro e o restante foi feito em São Paulo no estúdio YB. Foram 12 canções gravadas em nove dias. Percussão e tambores em um dia, as vozes levaram seis dias e as bases foram feitas pelo Mario, depois, porque, ele tinha um trabalho exterior. Fiquei em casa no computador e microfone pra poder maturar melhor a coisa. Esse disco vem mais cantado porque as harmonias pediram isso e porque não fazer um pouco mais de melodia no disco? Foi o que fizemos! Às vezes pensamos que estamos com controle total e acaba desandando para outros caminhos .... Então, fizemos o que o disco pediu!

- Você é letrista da banda. Todos colaboram?
- Sou letrista, músico... As opiniões são importantes! Todos sugerem, todos acabam mostrando isso ou aquilo outro... Um batuque aqui outro ali, um baixo diferente... Este disco nasceu basicamente em Recife. Alugamos um estúdio, em janeiro, por dois dias e registramos todos os ensaios para depois ouvir em todas as dimensões e escolher o que seria usado. Por tanto, este disco nasceu, a partir, em Recife!

- Qual o diferencial dos trabalhos anteriores para "Fome de Tudo"?
- A diferença é perceptível logo de cara para quem conhece os discos anteriores. “Fome de Tudo” está muito mais melódico, me desvencilhei um pouco das letras enormes, hiper texto O disco é mais falado e tentei levar mais para o lado melódico. O Mario teve participação como um todo no disco, desde a capitação... Até a arte gráfica ele gostou muito. Foi muito bom trabalhar com Mario, um cara muito tranqüilo que em momento algum quis desvirtuar ou levar para outro caminho, sempre teve boas idéias quando colocou a mão.

- Fale das participações especiais?
- Tem a participação de uma moça chamada Inferno que, ironicamente, faz participação na música “Céu”. O Junio Barreto, um conterrâneo nosso participou como cantor e dividiu a composição em “Toda Surdez Será Castigada”. O Rodrigo Branão de uma banda de hip-hop de São Paulo, dividiu comigo a letra de “Originais do Sonho”, o Lucas Raeli – trabalhou com Paulinho da Viola, Chico Buarque... Fez os arranjos de cordas na canção “No Olimpo”.

- A formação da banda é a mesma desde o início?
- A única diferença é que éramos em oito. O Chico Science faleceu em 1997, o Gira saiu e agora somos em oito, contando com dois músicos contratados, que são de casa.

- Sem o Chico Science na banda, como você encarou isso?
- A prova foi á credibilidade a médio e longo prazo, para eu me dedicar naturalmente para isso. Fomos moldando aos poucos até chegar o que faço hoje. É difícil encarar tudo isso. Eu tenho uma voz similar á dele. Cheguei a ficar travado no palco porque sempre olhava e vinha ele em minha cabeça. Ele era meu amigo de adolescência, de sair pra comprar disco de vinil em sebo...

3 comentários:

Roberta disse...

Muito bom!!!!!! Continue assim! SUCESSO!

Bianca disse...

Elias, você está de parabéns! Muito bom o conteudo do seu blog.
abs

Henrique Kurtz disse...

Eu adoro o blog AUMENTA O SOM.
O dono é um rapaz que sabe das coisas. Entendido esse Elias. Danadinho...