agosto 20, 2007

Cachorro Grande


Eles são amigos que se conheceram nas ruas de Porto Alegre, ainda nos anos 90. Ralaram e se divertiram, fazendo shows pelo país até chegarem ao grande público, em 2005, com o CD Pista Livre, o primeiro pela gravadora Deckdisc. Agora, com o novo Todos os Tempos, seu quarto álbum oficial, o grupo Cachorro Grande - Beto Bruno (voz), Marcelo Gross (guitarra), Rodolfo Krieger (baixo), Gabriel Azambuja (bateria) e Pedro Pelotas (piano) - está pronto para aumentar ainda mais o grande número de fãs que já curtem suas músicas influenciado no rock dos anos 60 e 70. Em entrevista concedia em 05 de junho de 2007 em São Paulo, a banda fala do caminho rumo ao sucesso. Com vocês! Cachorro Grande!

Por Elias Nogueira

- Muitas pessoas acreditam que esse é o primeiro disco da banda. Este é o grande teste?
Beto Bruno - Na verdade esse é o quarto disco de carreira da banda. Esse é o segundo pela Deck. Ao mesmo tempo esse disco foi gravado com maior preocupação. O primeiro pela Deck, que é uma grande gravadora, nós pensamos assim: Vamos botar pra f... Nesse disco! Esse foi mais relaxado, mas tranqüilo e o resultado saiu bem melhor que o anterior. Ao mesmo tempo em que é um grande teste, nos deixou bem mais tranqüilos. A gente lançou o nosso primeiro disco em 2001 de forma independente por uma gravadora pequena mesmo para os padrões do Rio Grande do Sul. Ou seja, não tínhamos distribuição nacional. Então o que a gente podia fazer para espalhar a nossa música era sair tocando nos festivais de bandas independentes. E foi o que aconteceu. Isso ajudou nos ajudou muito a conseguir um certo reconhecimento dentro desse cenário underground. O nosso segundo disco saiu encartado na “Outra Coisa”, revista editada pelo Lobão que mensalmente traz um CD encartado. Esse disco já chegou em todo o país e abriu as portas para que a gente conseguisse uma gravadora de médio porte, que é a Deckdisc, a nossa atual gravadora. Ao mesmo tempo acho legal que as coisas estejam acontecendo somente agora, já que a gente conhece essas histórias de bandas que estouram logo no primeiro disco e depois não conseguem se manter. Estamos com o pé no chão.

- Todos compõem na banda, antes não. Qual a diferença?
Beto Bruno - Agora nos vemos mais como banda. Antes era tudo por minha conta e do Gross. Aparecia sempre uma certa pressão sobre nós para aparecer com músicas novas. Entrou o Rodolfo que canta bem e tem música dele. Foi por isso que o convidamos para ingressar na banda e não queríamos apenas ele tocando baixo. Quando o Rodolfo entrou, ele deu, meio que, um empurrão no Gross e no Gabriel para eles cantarem as músicas que são de autorias deles. Hoje, quem tiver a melhor idéia, entramos os cinco de cabeça. Não têm mais regras! Todos compõem e acho que isso é o mais perto do que queremos. As bandas que gostamos e admiramos, Beatles, Mutantes e Pink Floyd, eram assim. Todos faziam músicas, todos cantavam. Esse é o caminho que nós iremos seguir daqui por diante.

- Na seleção do repertório teve sobras?
Marcelo – Tem sim, Algumas coisas legais que não puderam entrar. Nos discos anteriores, também ficaram coisas de fora.

- O que pretendem fazer com o que ficou de fora?
Marcelo - Quem sabe daqui a algum tempo lançar um álbum duplo com todas as sobras.

- Beatles, Rolling Stones, Mutantes... Serviram de inspirações. Da nova geração o que vocês escutam?
Beto - Bandas influenciadas por Beatles e Rolling Stones! (risos). Gostamos muito do Supergrass. No ano passado conheci uma banda chamada Racounteurs que acho sensacional! Não vejo a hora de sair o próximo disco. Estamos escutando de tudo. Redescobrimos o som do Manchester do final dos anos 80. The Stone Roses começo do Primal Scream, que é um grupo de rock alternativo formado como um duo no ano de 1982 em Glasgow, Escócia, por Bobby Gillespie, antigo baterista do The Jesus and Mary Chain e Jim Beattie. Na época dos grunges, que não deixaram acontecer por aqui, lá fora foi muito forte e acabou que ninguém fez esse tipo de som no Brasil. Tem um cara que escutamos muito que é o Ian Brown que é um músico da Inglaterra e ex-vocalista líder da banda de índie rock e britpop The Stone Roses. O motorista do ônibus não agüenta mais escutar! (risos). Esse sim é um cara que quando escutamos sabemos que estamos em 2007. Adoramos Oasis, Blur que retornaram.

Rodolfo – Gostamos de bandas obscuras também, The Biz que uma banda do interior da Inglaterra. Isso têm tudo haver com disco.

Beto - Não escutamos somente coisas antigas! Mas quando os velhos lançam disco, é sempre um melhor que o outro. Por exemplo: O melhor disco do ano passado foi do Neil Young e o desse ano, é do Paul McCartney! O último do Rolling Stones é um dos melhores deles!
No lado nacional escutamos muita coisa. Cascadura por exemplo, uma banda de Salvador.

Marcelo – Em função disso, a banda fica mais solta, mais alegre, mas rock! Assim o grupo fica mais unido também!

Rodolfo - Todos os baixos do disco, foram gravados junto com a bateria.


- O Cachorro surgiu numa leva de bandas gaúchas (Bidê ou Balde, Vídeo Hits, Wonkavision...). Vejo que agora dá pra falar com certa segurança que de todos aqueles grupos vocês foram os que se deram melhor no resto do país. Outra coisa: é público e notório que bandas do sul, principalmente do Rio Grande do Sul, fazem sucesso em seu estado de origem, mas não chegam, salvo as exceções, ao estrelato maior, ou seja, não conseguem fazer sucesso no resto do país, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. O que vocês têm a dizer sobre isso?
Beto - Eu acho que foi porque a gente insistiu muito mesmo na época do primeiro disco. Estamos felizes das coisas não acontecerem de uma hora pra outra. Porque banda que aparecem assim, também desaparecem de uma hora pra outra. Quanto ao sucesso somente no RS, acho que é comodidade por parte deles. E para nós isso nunca nos pareceu legal, já que o rock é a música mais universal que existe. Seria muito mais tranqüilo ficar morando em Porto Alegre e morar com a mamãe! Mas não, nós viemos para os primeiros shows aqui em São Paulo. Tocamos para 30 pessoas. Muitas bandas de lá vieram também e tocaram para 30 pessoas e nunca mais voltaram. Porque lá, eles tocam pra mais de mil pessoas. Na segunda vez que tocamos aqui, tinham 35 pessoas, já na terceira tinham 100 pessoas. Ficamos morando aqui num apartamento pequeno com sete pessoas. Do Rio Grande do Sul, temos apenas saudades.

Gabriel – Uma anda de rock não pode se prender por lá! Tem procurar as grandes vitrines que são Rio e São Paulo.

Marcelo - Começamos aos poucos. Vínhamos de vez em quando até assinarmos com a Deck. Ralamos muito! Vai ver que a galera (do Sul) não tenha forçado tanto quando deveria, talvez por terem achado cômodo ficar restrito ao cenário gaúcho.

- O Estado chega a ser uma influência no jeito de ser da banda, já que a cena de rock do estado é forte e permite que muitos grupos sobrevivam tocando apenas localmente.
Beto Bruno - Isso é bem legal mesmo, rola muito das bandas de Porto Alegre tocarem por todo o interior do Estado. Mas isso acaba levando àquela comodidade de que já falamos há pouco. Por isso a gente prefere ficar se dividindo entre Rio, São Paulo e Porto Alegre.

- Vocês tem tocado bastante antes de ficar somente por conta da gravação do disco. Como funciona o repertório do show?
Beto - Nós não armamos repertório e não gostamos de repetir o mesmo show. Achamos que fica uma coisa muita mecânica e não agüentaríamos. Olhando pelo lado do público, é bem melhor você ir a um show que não fosse o mesmo repertório do disco. Seria muito xarope! Tem solos diferentes, às vezes as músicas ficam mais longas. Quando tocamos, nos divertimos e dessa forma, o público também se diverte.

Entrevista na íntegra no jornal International Magazine (capa) da edição 134 de agosto de 2007.

2 comentários:

Carlo alessandro disse...

Vida longa para a cachorrada!Espero que continuem com o faro apurado.Grande abraço!

Abel Mendes disse...

A cahorrada tá arrebentando!