fevereiro 18, 2009



Autoramas - Best International Show - Gruta77- Madrid
LO MEJOR DE 2008 EN GRUTA77
08-01-2009
RANKING 2008

“Lo mejor del año en Gruta’77”
Que la revista G’77 se viera obligada a decir adiós no es razón suficiente para que no publicáramos el esperado ranking, con lo mejor de 2008 en el escenario de Gruta’77. Un año en el que han pasado muchísimas bandas nuevas por la sala y en el que el nivel ha seguido aumentando. Las fechas del ranking se cerraron el día de Navidad, por lo que han quedado fuera de la evaluación grandes nombres como los ruso-americanos de Jancee Pornick Casino o los malagueños Airbag. A continuación, te dejamos nuestra opinión sobre lo mejor del año 2008 en Gruta’77.


MEJOR CONCIERTO ROCK INTERNACIONAL
01. AUTORAMAS…7 de nov.
02. MOTHER SUPERIOR…4 de oct.
03. CREEPSHOW…15 de nov.
04. MAGNOLIAS…20 de jun.
05. DUB TRIO…13 de oct.
06. MARY WEISS…29 de may.
07. BABY WOODROSE…13 de ene.
08. PEACOCKS…9 de may.
09. BLACK HALOS…24 de may.
10. KEPI THE BAND…31 de oct.

A las puertas se quedaron dentro del sonido country-50’s AL & THE BLACK CATS, RENO BROTHERS y SLAM & HOWIE, entre los clásicos de siempre UK SUBS, DWARVES y NEW CHRISTS, y además MUCK & THE MIRES, el swing de MARC TORTORICCI y TEXAS TERRY con la mejor formación que ha traído jamás a España. El primer puesto se lo llevó la deslumbrante apuesta de AUTORAMAS, unos brasileños poco conocidos por aquí y en su primera visita a Europa, pero grandes músicos, muy originales y con un sonido de guitarra trabajado para cada canción, resultando tremendamente divertidos y frescos. MOTHER SUPERIOR personificaron la perfección técnica absoluta y CREEPSHOW dejaron claro que dentro del mundo psychobilly ofrecen una apuesta totalmente original que trasciende al estilo. Curiosamente en este ranking no repite nadie del año pasado.


fevereiro 14, 2009


Omero Renato Bordin, 51 anos, pai de três filhos, empresário, é dono de uma das maiores empresas de seguros do Oeste do Paraná - Vip Seguros. É catarinense por nascimento e paranaense de coração. Morador, desde jovem, da cidade de Toledo, situada a 543 km de Curitiba. Amante da boa música, aficionado por Raul Seixas e adorador da Jovem Guarda. Produtor de shows em cidades do interior do Paraná, onde já levou The Originals, Márcio Augusto... Amigo de Raul Seixas, Demônios da Garoa, Cleudir, Pedrinho da Luz, Miguel Plopschi, Ed Wilson, dentre outros. Em minhas andanças, pude conhecê-lo. Em um bate papo, que duraram cinco dias, pudemos trocar idéias, experiências e, com isso, pude perceber o quanto este cara é importante na música. Durante esses dias pude ver a coleção pessoal dele, onde existem raridades que muitos colecionadores nem conhecem como vídeo, fotos e muitos badulaques. Consegui furar sua agenda, que não é pequena, para falar um pouco de tudo. Com vocês, Omero Bordin!

Infelizmente o que acontece, atualmente, de bom é velho! Não se cria mais nada, tudo é comercial do mais baixo nível! Tudo é passageiro!


Reportagem e fotos: Elias Nogueira


- Você é um empresário bem sucedido numa cidade no interior do Estado Paraná. Como aconteceu? Você é paranaense?
- Não. Sou catarinense da Cidade de Campos Novos, mas resido no Paraná desde 1960.

- Sua empresa - Vip Seguros - é uma das maiores no segmento? Que tipo de seguros ela faz?















- Todo e qualquer tipo de seguro que exista no mercado. Somos, hoje, uma das maiores corretoras da região Oeste do Paraná.

- Não sendo músico, você é um amante da música. Como a arte musical entrou em sua vida?
- Sempre gostei muito de rádio, na minha adolescência e juventude ouvia-se muito rádio. A Super Parada, as Mais Tocadas, Hit Parade etc. Então sempre acompanhei os movimentos da época; vem daí o gosto pela música. Sempre curti e acompanhei as carreiras de grandes ícones de nossa música. Desde garoto já curtia Raul Seixas, Rolling Stones, Tom Jones etc. Mas eu sempre fui amarrado, mesmo, no Raul Seixas. Esse eu curtia e curto prá valer!

- Você toca algum instrumento?
- Alguma coisa de violão. Mas sei muita coisa sobre tons, notas vocais e coisas assim. Sempre fui um cara muito interessado e curioso no assunto. Acho mesmo que a vida sem música é vazia e sem graça.

- Como você, atualmente, vê o cenário musical? Você acompanha o que acontece de novo?
- Acompanho com muita decepção, infelizmente o que acontece de bom, é velho. Não se cria mais nada, tudo é comercial. Comercial do mais baixo nível! Tudo é passageiro; conteúdo muito fraco. É só modismo; roda uma semana inteira depois desaparece. Já disse um grande compositor: "Hoje não se canta, apenas se requebra" e o pior todo mundo duro e balançando a cabeça. E, só!

- Vejo que você faz parte da elite de produtores de shows, que levam artistas para cidades como Foz do Iguaçu, Toledo... Como aconteceu? Partiu de você sozinho?
- Não. Foi uma necessidade. Hoje em dia, para quem é solteiro, para a meninada que só quer curtir um som passageiro, está cheio de opções. Mas, infelizmente, para casais e pessoas de mais idade não se tem nenhuma opção. É difícil para as casas de shows arriscarem qualquer coisa. Não se dá valor ao que é bom. Então, eu e mais alguns amigos tivemos a idéia de trazermos essa turma mais da velha guarda para nos brindar com shows maravilhosos e emocionantes, que hoje em dia é difícil de assistir. Quem mora nos grandes centros – Rio de Janeiro e São Paulo sempre têm essas opções, mas para o pessoal do interior é uma raridade. Então temos que nos juntarmos para trazer bons shows. E, no final, a rapaziada também acaba gostando.










- Em sua opinião, por que esse tipo de carência, de shows de grandes artistas, em cidades menores?
- Primeiramente, há o medo de investir. Segundo, o acesso a esses artistas é difícil. Existem muitos atravessadores, empresários inescrupulosos, que querem obter ao máximo de lucro no mais curto espaço de tempo. Com isso, o show fica caro. O artista é quem leva menos, quando na verdade eles é que deveriam faturar melhor. Depois que você obtém certo conhecimento no meio artístico, fica mais fácil, pois você trata mais direto com as pessoas, eliminando custos desnecessários.

- Percebi que você é ligado à Jovem Guarda. Poderia comentar?
- Simples. Na minha juventude vivia escutando Os Incríveis, The Jordans, Os Fevers, Os Mutantes - do tempo da Rita Lee, Jerry Adriano, Renato e seus Blue Caps, Roberto Carlos, Wanderléa, Paulo Sérgio, o Tremendão Erasmo Carlos, enfim, todo esse time maravilhoso que nos fez viver e ter um bom gosto musical. Essa turma, aliás, hoje está resumida e muito maravilhosamente representada pela banda The Originals, que é um pouco de cada uma destas bandas e cantores que mencionei. Teríamos que ter um dia inteiro para falar sobre Jovem Guarda. Gosto tanto dessa turma que costumo receitá-la para quem deseja saber o que foi e o que é a nossa verdadeira música jovem. São os melhores músicos daquela época e que hoje estão reunidos e levando alegria para esse país, de norte a sul. Adoro ver estes caras se darem bem.

- O que representa Raul Seixas em sua vida?
















- Mesmo sendo um cinquentão, posso te dizer tudo. Sou fã número um, a carteirinha do Fã Clube Raul Seixas está sempre comigo. Tenho um filho chamado Raul, em homenagem ao Maluco Beleza! Tenho todos os discos, do primeiro ao último, todos os livros, camisetas e etc. Li e estudei muito sobre Raul Seixas. Fui amigo, pessoal, tendo assistido diversos shows. O Raul Seixas é um cara que daqui a 100 anos sua obra ainda continuará atual. Acho que só isto já satisfaz a sua pergunta. Não acha?

- Além de artistas de Jovem Guarda você pretende produzir shows, de outros segmentos?










- Minha atividade, também, não permite muito. Se eu vivesse no meio artístico, os shows de grandes artistas, conjuntos, músicos seriam preferenciais. Temos grandes nomes esquecidos por aí. Eu gostaria de trazer muita gente boa para realizar shows na nossa região. Seria bem diferente do que acontece hoje. O pessoal só pensa em resultado financeiro, o que deveria ser conseqüência de um bom trabalho. Mas, a qualidade tem sido sistematicamente colocada de lado. Esse modismo de agora, virtual, é o chamado me engana que eu gosto.

- Se você pudesse classificar, numericamente, quais os melhores shows de sua vida?
- Roberto Carlos, Jimmy Cliff, Demônios da Garoa, Moacir Franco, Os Incríveis (autênticos, claro!) versão The Originals, Renato e seus Blue Caps, Raul Seixas, Camisa de Vênus, com Marcelo Nova, Os Pholhas e, sem esquecer um show, dos melhores que apareceram por aqui nos últimos tempos, o Márcio Augusto - ex-The Originals que vem fazendo um trabalho o qual tenho orgulho de recomendar a quem gosta do que é bom. Sem falar do que temos hoje de melhor - The Originals. Imagine músicos da categoria de Cleudir, Pedrinho da Luz, Ed Wilson, Guto, Paulo César Barros, no mesmo palco. É só emoção. Isso não é sonho não, minha gente. Isso é rock'n roll.



Fotos de arquivo pessoal: Demônios da Garoa, Almir Bezerra, Paulo César Barros e Os Ritmistas - conjunto do estado do Paraná na década de 70.



fevereiro 13, 2009

Gandhi Grecov

Gandhi Grecov - Guitarrista, cantor e compositor. Começou profissionalmente em 1997 com o grupo Nataraj onde gravou algumas demos e um CD intitulado: "Dentro da onda" produzido pelo músico mineiro Tatta Spalla. Em 2002, ainda na Bahia, formou com Joana Vollmer o grupo Outros Baianos. Como guitarrista participou do grupo carioca Os Supernaturais. Violonista, guitarrista e compositor de mão cheia, Gandhi já tocou em diferentes palcos no Rio de Janeiro como: Circo Voador, Hard Rock Café, Garden Hall, Teatro Odisséia, Lapa 40 Graus, Casa Rosa Cultural, Estrela Da Lapa, Néctar, dentre outros. Atualmente Gandhi Grecov é guitarrista solo do grupo SALA 5 onde divide palco com Lucas Parada (bateria), Rogger Guime (voz) e Rodrigo Levino (baixo). O quarteto acaba de lançar o SMD “Quando esse dia chegar” com seis faixas autorais. Em primeira mão, Gandhi Grecov, fala de sua carreira, do Sala 5 e outras coisas com exclusividade.

Por Elias Nogueira
eliassnogueira@gmail.com



- Você é de Limeira, ma viveu na Bahia. Foi lá que você teve o primeiro contato com a música?
- Sim. Sou natural de Limeira, mas fui criado na Bahia.
Meu primeiro contato com a música se deu por lá. Foi lá que comecei profissionalmente, tocando por todo o extremo Sul Baiano. Foi na Bahia que criei a minha primeira banda “Nataraj” banda de reggae rock de 1997 a 2004. Com esse grupo gravei meu primeiro CD com algumas composições de minha autoria com produção de Tatta Spalla. Ainda na Bahia criei junto com minha parceira musical Joana Vollmer, ex-vocalista da Nataraj, o grupo Outros Baianos. Que é um projeto voltado para MPB.
www.myspace.com/outrosbaianos).

- E o Rio de Janeiro?
- Já aqui no Rio, á medida que fui conhecendo pessoas do meio musical, fui me apresentando como músico, cantor compositor, desenvolvendo na medida do possível alguns projetos musicais. Você está ligado Elias! É correria!

- Você compõe, canta...
- Tento conciliar a idéia de ser cantor e compositor no meu trabalho solo Gandhi Grecov. Violonista e compositor do grupo Outros Baianos, guitarrista do grupo de rock SALA 5. Isso sem contar as guigs que sempre aparecem. Enfim, a passagem pelo Rio esta sendo muito produtiva em termos musicais.

- Seu instrumento sempre foi guitarra?
- Fiz piano clássico dos nove aos doze anos. Mas depois passei a estudar violão de forma autodidata. Um pouco mais tarde peguei a guitarra. Esses são meus instrumentos violão e guitarra.

- Vejo que você está na banda, já citada, Sala 5 que lançou SMD “Quando esse dia chegar” com seis faixas autorais. Como foi formado o Sala 5? - Foi formada através do meio de comunicação mais importante do mundo, a internet. Depois os músicos foram escolhidos através de algumas audições. Apesar do pouco tempo de banda, o grupo vem se destacando rapidamente. Já de cara conseguimos reunir um repertório próprio e o e fazer o primeiro disco "Quando esse dia chegar". Os shows estão acontecendo com freqüência.

- Quando você entrou no Sala 5 sabia que o baterista era filho do, também, baterista, Parada dos The Pops? Lendária banda instrumental do anos 60 e 70?
- Não! Já tinha ouvido falar nos The Pops, mas não sabia que o Lucas era filho dele. Estávamos fazendo as primeiras gravações do Sala 5 e numa dessas delas, o Parada foi ver. Ele achou bem bacana o trabalho! O Parada já foi em alguns shows também. Conferiu ao vivo e disse que está bem entrosado apesar do pouco tempo de banda. Quanto a participar diretamente ele não participou. Nós produzimos tudo.

- O que podemos esperar do sala5?
- Tenho bastante o pé no chão. Já tive experiência com outras bandas e sei que não é fácil, mas pelo andar da carruagem, está tudo indo muito bem. Shows com freqüência. Já lançamos a primeira demo no Estrela da Lapa. Algumas entrevistas já foram dadas, e no próximo mês, o vídeo-clipe estará saindo. Será gravado em Búzios e o roteiro está praticamente feito. Agora correr atrás. Tenho o pé no chão, como já falei, não fico me iludindo, mas sempre acredito!

janeiro 23, 2009

George Israel - Mistura Fina

Uma noite que era pra ser, não, muito agradável, foi gratificante para quem assistiu o show de George Israel (foto - camarim) no Mistura Fina – Rio de Janeiro quarta-feira (21). Dia de chuva, a cidade parou com o trânsito, alagamentos e até uma batida de veículos em frente à casa show. Nada disso foi suficiente para estragar a apresentação do “Abelha” George Israel. Com uma banda afinada, o cantor e compositor distribuiu simpatia, carisma e talento. Pude conferir o show que, além de contar com Guto Goffi (Barão Vermelho) e tantos outros, teve a participação especial de Toni Garrido que está lançando o primeiro disco solo depois de deixar o Cidade Negra. Veja alguns registros do show que contou, também, com Rodrigo Sha que dividiu o sax com George e cantou.





Toni Garido, George Israel e Guto Goffi (camarim)




Show

janeiro 21, 2009

Francisco Miceli é um daqueles jovens carioca que fez comunicação na PUC-RJ. ‘Mas a história dele, na música, começa quando inicia o estudo de violão clássico no começo dos anos 80. Aluno de mestres como: Hélio Ribeiro (Helinho do Banjo) e Genésio Nogueira, Chico Miceli – como é chamado pelo meio musical – já tinha escolhido a profissão muito antes de estudar violão no Conservatório di Santa Cecília em Roma e de ter passado pelas mãos dos professores citados. Na verdade o instrumento que ele havia escolhido era outro. “Interessei pela guitarra, muito, antes da música”, diz Miceli. Chico tem em seu currículo passagens, como músico, com vários artistas de renome, além do trabalho de produtor, arranjador e criador de trilhas para filmes e TV. Morou na Europa onde trabalhou e desenvolveu, mais, suas qualidades técnicas musicais tocando outros estilos que não fosse somente rock. Em conversa – exclusiva – Chico que agora reside no Rio de Janeiro e trabalha em seu estúdio – Riff – em Copacabana, contou um pouco de sua história. O Cara é fera no que faz! Pude acompanhar de perto o trabalho dele como produtor. Ele está finalizando o disco do cantor e compositor Renato Oliver. Acompanhe abaixo as falas de Chico Miceli.

Fotos e reportagem
Elias Nogueira



- Como foi que você iniciou sua carreira?
- Bem, me interessei pela guitarra-antes mesmo da musica- quando em 80 assisti ao show do Van Halen no Maracanãzinho. O prazer que ele passava tocando, me fez pensar "hum deve ser legal".
Profissionalmente meu primeiro trabalho foi com um cara chamado Bena Roberto, um baiano que sinceramente não sei que fim levou.

- Com quantos
anos.
- Tinha uns 18 anos.

- É coisa de família?
- Não!Lá em casa todo mundo é advogado. Quando souberam que seria musico foi um “Deus nos acuda”

- Você é músico de escola?
- Não exatamente. Não tenho nenhum titulo de estudo musical, mas estudei com vários professores particulares, e também no conservatório de Santa Cecília em Roma. Sei ler partitura, arranjar e orquestrar também. Mas tudo muito empírico.

- Você tocou, no Brasil, com alguns artistas de renome.
- Sim - Sidney Magal, Ivan Lins, Luis Melodia, Rosana, Biafra, Renata Arruda... Recentemente toquei com a Karla Sabah. Gravei com a Xuxa, com o José Augusto com a Rosana, dentre outros.

- A década de 80 foi importante pra você.
- Os anos 80 foram os anos da minha paixão pela música, da minha “formação” em termos de gosto, som, atitude. Tinha Van Halen, Police, Toto, Rush. Tinha toda aquela geração de guitarristas de Rock virtuoses tipo Joe Satriani, Steve Vai, Eric Johnson, Steve Morse e vários outros. Ate então os roqueiros eram, aqueles, caras, doidões, que não sabiam tocar direito, minha opinião, quando o músico “melhorava” virava “jazzista” não queria mais saber de rock ’n roll. Já ouvi muito: “É rock, mas é bom”. Então chegou o Eddie Van Halen e, a partir dele, toda uma galera que tocava mesmo e era roqueira mesmo, com pegada e atitude. Sou, bem, filho dessa geração, apesar de amar muito o jazz e ter até trabalhado, muito, tocando jazz e de ter aberto a cabeça para outras coisas também.

- Fale-me de sua carreira aqui no Brasil?
- Pois então: aqui trabalhei com o Ary Sperling, que é um arranjador e produtor que fazia muita coisa do pop-brega brasileiro, tipo: Rosana, Magal etc. Aí, fui tocando com esse pessoal e também gravava algumas coisas para a rede Globo - que no inicio dos anos 90 desmantelou a “Orquestra da Globo” e começou a contratar produtores musicais. Alguns deles são meus amigos até hoje e desde então gravo coisas para os programas da TV Globo que eles produzem. Aconteceu uma, pequena, pausa de 12 anos que foi o período que vivi na Europa. O Rodolpho Rebuzzi meu amigo guitarrista e produtor da Rede Globo foi quem me apresentou o Ary e Max Pierre. Depois fui conhecendo outros.

- Você tem uma carreira internacional.
- Em 1993 fui convidado para acompanhar uma cantora napolitana chamada Teresa de Sio. Fui para a turnê de três meses, mas voltei mesmo definitivamente para o Brasil, em 2005! Lá toquei com vários artistas e músicos de jazz e, também, orquestras televisivas na RAI e Canale 5. Fiz uma escola de música, casei, tive filhos.

- Quantos discos lançados?
- No meu nome nenhum! Mas participei de vários aqui e na Europa.

- Você é compositor também?
- Sim.

- E na produção? Como você iniciou?
- Sempre fui instrumentista, me assustava a idéia de dedicar mais tempo operando maquinas que tocando. Mas, com a idade e os cabelos brancos, comecei a me interessar por produção e em 2002 ainda em Roma comprei esse equipamento que uso hoje e que trouxe para o Rio quando me mudei em 2005. Trouxe tudo! Até mesa de computador!


- Quem, você, está produzindo atualmente?
- Atualmente o Renato Oliver, Iran Mello e Edinho Queiroz. Além disso, faço publicidade também.

- Você tem estúdio? Fale-me dele. Como funciona? Onde fica?
- Sim. Tenho uma sala no prédio onde também funcionam a Pró - Music, a Guitar Tech e outras lojas de música e luthiers, também! Diria que é o paraíso dos músicos no Rio de Janeiro. É um estúdio pequeno, modesto, mas suficiente para realizar, bem, as idéias e também confortável para receber as pessoas. Fica na Rua Barata Ribeiro 391, sala 1004. Copacabana.



RIFFSTUDIO. Contatos e links: Rua Barata Ribeiro 391 sala 1004. Copacabana Rio de Janeiro (21) 2256-0085 produtora. (21) 9421-2132 - 9673-8895 www.riffstudio.com.br www.myspace.com/chicomiceli
www.myspace.com/riffstudiobr

janeiro 12, 2009

Ele é um compositor que todos os cantores, românticos, gostariam de gravar. Com uma carreia de 22 anos, com mais de uma centena de canções prontas – Renato Oliver – gaúcho de Bagé, radicado no Rio de Janeiro, lança seu primeiro disco autoral onde mostra maturidade e bom gosto. Amparado pelo, conceituado, guitarrista e produtor multinacional, Chico Miceli, Renato Oliver despeja criatividade e bom gosto nas nove faixas do disco homônimo. Em conversa – entre uma gravação e outra, o cantor e compositor falou um pouco de sua carreira e outras coisas interessantes.

Fotos e reportagem: Elias Nogueira


- Quando foi que você se descobriu para a música?
- Com oito anos já cantarolava músicas do Roberto Carlos, claro que não todas, mas as que eu mais gostava. Por exemplo: Quando, Calhambeque, Negro Gato... Quando fiz 12 anos ganhei um violão do meu pai, tive algumas aulas e lembro que a 1ª música que aprendi a tocar foi Linha do Horizonte do Azymuth depois Roberto Carlos, Raul Seixas, Renato e seus Blue Caps. Nessa época, ainda, morava em Bagé - RS.

- Onde você acha inspiração para compor?
- Depende do meu estado de espírito. Às vezes acordo como uma idéia, levanto e coloco no papel. É como se fosse um gancho e outras vezes, volto ao passado e lembro-me de romances que já vivi e outras somente imaginações ou acontecimentos do dia a dia.

- Onde você nasceu?
- Bagé RS

- Quantos anos de carreira você têm?
- 22 anos, juntando os anos do Rio grande do Sul mais os do Rio de Janeiro, sendo que dei uma parada durante cinco anos e depois retornei a cantar na noite.

- Você se considera um cantor ou compositor que interpreta a sua obra?
- Me considero um compositor que canta suas musicas, apesar de já ter tocado na noite e interpretar duas músicas de outros autores nesse disco.

- Se você fosse - rotular sua obra - como você a classificaria? Romântico, pop....
- Minha obra eu considero pop romântico, até porque tenho influências da minha infância quando eu gostava muito de cantar Roberto Carlos, Erasmo Carlos, José Augusto, Renato e seus Blue Caps, por volta da década de 70.

- Você está com disco de canções inéditas. Poderia fazer um faixa a faixa sobre seu disco?

Amor Eterno - Aqueles romances que passaram, mas que de vez em quando voltam à memória da gente... É como aquele galo que dói quando passa a mão... Fiz a letra e uma melodia bem simples, aí meu parceiro Chico Miceli mudou a melodia, fez as mudanças de tom e deu uns “pitacos” na letra.

Vou Ficar Aqui - Um desencontro amoroso - aliás, em toda a relação tem sempre quem ama e quem é amado, mesmo que isso mude, mas num determinado momento tem sempre um que esta dando e o outro recebendo né?Enfim, o cara magoou a mulher e quer o seu perdão, e para isso vai ficar aqui nesse lugar esperando por ela e seu perdão... Harmonia bem simples, um pouco U2... Mas essas são as melhores musicas, e as mais difíceis de fazer também...

O Amante - Letra meio machista, fala do cara que só quer “pegar”, quer só sexo e diz isso claramente. Para não ter mal entendidos nem confusões. É o melo do Ricardão! Mas aí, sem querer o cara se envolve... Melodia simples e doce, com a habitual “sabedoria harmônica” do meu parceiro Chico Miceli, que mexeu na harmonia, na melodia, e fez o especial.

Primeiro Amor – Letra romântica, de historias que passam e deixam lembranças. Especialmente o primeiro amor!!Um “balanço” bem típico do pop/funk carioca. Apesar de ser gaúcho. O meu parceiro/produtor diz que eu sou o gaúcho mais carioca que tem!Adoro a guitarra meio “Hendrix”, que dá um tempero especial!

Te Encontro no Leblon – Outro “charm” bem carioca, urbano. Com cara de verão carioca, azaração, romance, paixões à luz do luar... Diria que Jorge Benjor encontra George Benson e Cláudio Zolli. A base foi produzida pelo Reno Duarte, amigo nosso e produtor musical, porque o Miceli estava na Itália tocando, e aí me deixou nas boas mãos do Reno...

Nota 10 – Declaração de amor explícita à minha mulher Silvia. Fala da vida de solteiro, que se transforma e ganha novos significados quando se encontra uma mulher de verdade, companheira mesmo!Uma canção romântica, doce e apaixonada.

Menina Princesa – Singela, simples, de uma inocência quase desconcertante. Queríamos dar uma sonoridade anos 70, “charm”, meio Stevie Wonder e aquela rapaziada maravilhosa da Motown... Aí o Chicão caprichou tocando Clavinets, Piano Rhodes, guitarras “jazz” Alá George Benson. Funcionou bem para o que era a intenção da música.

Indo e Vindo - Amores que passam, separados pela distancia. Às vezes é melhor não pensar muito nas coisas... Se está certo ou não... Às vezes a razão atrapalha e separa as pessoas. Penso que uma dose de inconseqüência não faz mal. Essa é uma parceria minha com o guitarrista DiCastro do grupo Sangue da Cidade. O Miceli tocou um monte de guitarras, que parecem uma orquestra!

Deborah – Desencontros que deixam saudades. Já reparou que muitas vezes o sonho é melhor do que a realidade?Agente inventa a pessoa, idealiza, e ela fica muito melhor nos nossos sonhos do que ela é de verdade... Também sonhar não custa nada, não dá trabalho, nem despesa e ainda rende boas canções... Essa ficou com um sabor “country” com direito a slide e tudo mais.
WEBSERIE “Desenrola” PROMOVE CONCURSO PARA ENCONTRAR NOVO VOCALISTA PARA A BANDA - ESTUDANTE PAGA MEIA
O vencedor gravará uma música inédita com a banda no Rio de Janeiro
A webserie “Desenrola” sai do mundo virtual para a realidade com o concurso para encontrar um novo vocalista para a banda Estudante Paga Meia, de Miguel, personagem de Rafael Pereira. A promoção entra no ar no portal www.desenrola.com.br no dia 9 de janeiro e os interessados podem participar até o dia 26 deste mês.

A banda Estudante Paga Meia contou com a colaboração de Diego Miranda, da Scracho, que cedeu a música inédita “Tento entender”, composta por ele aos 17 anos, mesma idade de Miguel. A letra da música está disponível no blog do Miguel, no portal Desenrola. Para dar mais veracidade a personagem, Miguel entrevistou Falcon e Gesta, respectivamente baterista e baixista do Dibob, sobre como a banda deles começou, quais as dificuldades que eles encontraram e como eles conciliaram estudos com os ensaios da banda, entre outras coisas. Confira a entrevista no canal do Desenrola no YouTube: www.youtube.com.br/desenrola.

Para participar do concurso Procura-se um vocalista, basta enviar um vídeo interpretando (cantando ou cantando e tocando) uma música qualquer até o dia 26 de janeiro. O participante deve informar no título do vídeo o nome da música escolhida e seu autor. Os três vídeos mais votados no site serão os finalistas da primeira fase, cujo resultado será divulgado no dia 28 de janeiro. Para votar, é necessário se cadastrar no site. O vencedor do concurso será escolhido por uma comissão formada por uma roteirista, um músico, o coordenador e a diretora geral do site, além dos integrantes da Estudante Paga Meia. A banda e seu novo vocalista gravarão, no Rio de Janeiro, uma música inédita, que será tema de Miguel na série. Caso o ganhador seja menor de idade, a gravação dependerá da autorização formal de seus responsáveis.

www.desenrola.com.br é um portal jovem, multimídia, que aproveita diversas plataformas interativas para exibir e produzir conteúdo. Tudo isso servirá de base para a produção do filme “A primeira vez”, de Rosane Svartman, cujo lançamento acontecerá até o final de 2009.

O projeto foi cuidadosamente pensado por uma equipe de profissionais multimídia, com a desafiadora proposta de articular o que há de mais convidativo e sedutor em termos de tecnologia, associando essas ferramentas à discussão aprofundada de temas controversos e fundamentais para a juventude brasileira: sexualidade, drogas e primeiro emprego.

Através do portal, os visitantes interagem com as personagens através de seus vídeos diários, blogs, fórum, galerias de fotos, ações interativas e jogos. O projeto conta com patrocínio do Oi Futuro e já atingiu milhares de jovens que estão se familiarizando com o filme, antes mesmo dele começar de fato.

Formato da webserie
Três jovens que passam pelas mesmas confusões, ansiedades e alegrias de muitos outros jovens do Brasil usam a internet para se expressar e contar o seu cotidiano. Sem caretice, nenhum dos três fala nada como estatuto de verdade; a proposta é fazer parte da discussão e ser mais um interlocutor nas conversas que tratam da juventude. Desde a dúvida de como deve ser "a" primeira vez, sobre as responsabilidades e as cobranças de serem "alguém na vida" e também abordando questões sobre o envolvimento com drogas, Miguel, Orelha e Priscila têm muitas histórias pra contar. Mas, mais do que isso, eles querem ouvir o que as pessoas têm a dizer e para isso o portal Desenrola oferece diversas ferramentas interativas que chamam o público à participação. Isso sem contar que as personagens estão literalmente inseridas no mundo virtual, com perfis em redes social de relacionamento, como o Orkut e o Twitter.

Cada personagem da webserie utiliza uma ferramenta principal de interação:

Priscila trabalha especialmente a temática “sexo” em seu fórum.

Miguel instiga a produção artística dos participantes através da criação compartilhada de arquivos de áudio e vídeo e da promoção para encontrar um novo vocalista para sua banda.

Orelha é o responsável pelo suspense e aventura da trama através de um ARG (Alternate Reality Game), fomentando a cooperação entre os participantes.

Raccord Produções
Com mais de 15 anos de experiência no mercado audiovisual, a Raccord Produções tem em seu currículo mais de 20 filmes entre curtas, médias e longa-metragem, como: “Mais uma vez amor”, “Cartola” e “Como ser solteiro”. Além disso, as sócias Rosane Svartman e Clélia Bessa produziram cerca de 300 horas para TV aberta e a cabo, videoclipes e filmes institucionais para parceiros como Petrobras, Fundação Roberto Marinho e Volkswagen.

Racc Idéias
A Racc Idéias é um braço da empresa específico para oferecer ao mercado de cinema soluções criativas e inovadoras para as mais diversas plataformas de mídia, tanto on-line quanto off-line. Com uma equipe de profissionais atuantes no campo da publicidade, internet e cinema, a Racc desenvolve estratégias adequadas ao produto que tem em mãos, trabalhando o conceito, a unidade gráfica, animando a rede, bem como produzindo teasers, promoções interativas e peças exclusivas para atingir nichos diferenciados.

janeiro 06, 2009

Mú Carvalho

Mú Carvalho bom de papo!

Músico fala do disco novo, A cor do Som...






O Pianista Mú Carvalho, Maurício Magalhães Carvalho – seu nome de batismo fez muito sucesso como tecladista nos anos 80, ao lado do irmão Dadi, quando causava histeria entre as meninas que apreciavam A Cor do Som, emblemática banda brasileira dos anos 70 e 80. Hoje, Mú além de músico é produtor musical da TV Globo e especialista em composições de trilhas sonoras e belos arranjos. É também empresário e dono do selo Boogie Woogie. Com uma carreira solidificada, o pianista lança o terceiro disco de carreira solo – Ao Vivo Mú Carvalho. Carioca de Ipanema, certo do que gosta em termos de musicais, mantém o padrão de qualidade desde os anos 70 quando iniciou sua carreira. Ele não titubeia em dizer: “Tenho saudades dos anos 70, quando se fazia música boa. Hoje em dia a qualidade da música é item sem a menor importância”. Em entrevista ao International Magazine, Mú que estará se apresentando dia 22 de novembro na cidade Montpellier no sul da França para um piano solo, fala da concepção do disco novo e adianta “Ano que vem lanço um CD só com músicas de Ernesto Nazareth”. Deixemos o pianista falar.

Texto e fotos
por Elias Nogueira


- Como se deu a gravação do disco ao vivo?
- Quis fazer um registro ao vivo de minha história, de tudo fiz lá atrás. Então, peguei um pouco do Pianista do Cinema Mudo, um pouco de Óleo Sobre Tela e, também, fiz uma homenagem A Cor do Som com três músicas que são minhas.

- É um registro, quase, biográfico?
- São releituras de músicas minhas ao vivo. Coisa que nunca tinha feito antes em trabalho solo. É outra energia!

- Como foi que se deu o clik de fazer um disco ao vivo?
- Depois que gravei – Pianista do Cinema Mudo e Óleo Sobre Tela – não fiz show nenhum em ambos os lançamentos. Achei que estava na hora de fazer um show e também divulgar, de certa forma, os dois trabalhos. Estava na hora de fazer um registro e tocar! Quando comecei a procurar o lugar para o show, pensei no Mistura Fina que ainda estava na Lagoa. Pensei assim: nunca fiz um show solo, sempre tocando com grupo, A Cor do Som, ou acompanhando outros artistas. Mas trabalho meu solo, nunca havia feito... Tenho três discos solos e nunca tinha feito um show sobre eles. Isso foi em 2006 quando resolvi fazer.

- Você falou em três discos.
- Tenho aquele disco que foi lançado em 1985 e que foi produzido pelo Egberto Gismonti – Meu Continente Encontrado saiu em LP. Juntei os amigos que haviam trabalhado comigo nos dois últimos CDs. Quando pensei em fazer o show, quis fazer uma coisa bacana. Não gosto de fazer nada por fazer... Tínhamos gravado a Cor do Som no Canecão, e quando comecei a fazer - Óleo Sobre Tela veio à idéia de fazer show de lançamento. Comecei a projetar para 2006. Chamei o Marcelo Mariano, Zé Canuto, Cesinha. Claro, que todos que chamei, tem haver com meu trabalho e formou-se o quarteto, que pra mim, estava bacana. Comecei a convidar pessoas e junto, veio à idéia de filmar. O Rodrigo Junqueira, um amigo que trabalha na área de vídeo, disse que, se eu quisesse gravaria numa boa. Resolvi filmar e gravar, já que o Mistura Fina permite fazer. Convidei Chiquinho Chagas (Acordeom) que participa sempre de minhas gravações e como queria homenagear A Cor do Som, quis gravar Frutificar, Apanhei-te Minimoog e Saudação a Paz. Com isso, tive que importar o Armandinho da Bahia. Contei pra ele o que era e, ele aceitou de imediato e chamei Jorginho Gomes e Dadi. Essa turma que participou das faixas da Cor do Som. Só que deu problemas no sistema de gravações e não conseguimos gravar nada! Teve problemas na mesa... Ou a gente parava para consertar ou fazia o show. Foi maravilhoso! Casa cheia e meu primeiro show solo. Aí, gostei tanto que resolvi fazer outro show solo e fazer tudo de novo e gravar. O primeiro show foi em fevereiro, o segundo em abril de 2006 e deu tempo de me preparar melhor.

- Então, o primeiro show serviu de teste?
- Digamos que tenha sido um ensaio (risos). Na verdade nem tínhamos ensaiado muito, foram quatro dias, que pra mim, é muito pouco. Sou paranóico com esse negócio de som. Gosto de tudo certinho. A data teve que ser vista para não ficar ninguém de fora, porque todos têm suas agendas. A Filmagem do primeiro deu certa e quis usar alguns takes do show anterior e com a filmagem do segundo show. Foi no dia do aniversário de minha mãe que estava fazendo 80 anos. Sei que consegui reunir todos novamente. Teve a participação da guitarrista Ana Zingoni. Deu tudo certo!

- Notei que não entrou no repertório nada do primeiro disco solo.
- Ele estava tão distante de minha cabeça e aquele repertório nunca mais toquei. Não fiquei muito a vontade para fazer e nem tempo hábil para tal.

- Mudando de assunto: gostaria que você falasse sobre A Cor do Som. Teve aquele show do Canecão, foi gravado em DVD e depois vocês sumiram! Não teve continuidade no trabalho. O que houve?
- O que aconteceu foi o seguinte, Elias. Estávamos todos empolgados. Procurou-nos uns empresários, são dois irmãos: Bernardo e Juka Muller. O Juka havia feito aquele DVD do Roupa Nova que vendou bastante. Um dia me ligou o Bernardo dizendo que gostaria de reunir A Cor do Som. Chegou aqui no estúdio, conversamos e nisso ele já falou do irmão dele que produziu o Roupa Nova e que tinha dado certo e coisa e tal... Foi me interessando e aquilo aconteceu, exatamente, numa época que o Dadi tinha encontrado com Armandinho. As coisas parecem meio que mágicas. Tudo conspirando com o tempo com encontros casuais dos integrantes da banda. Ao mesmo tempo em que os irmãos Muller falavam do retorno da A Cor do Som, o Dadi encontrava casualmente com Armandinho que se dizia saudoso e dando a idéia de reativar A Cor do Som. Eu liguei para o Dadi e ele me contou do encontro. Chamamos o Armandinho para conversar com Bernardo e Juka. Fomos ao Leblon e batemos um papo. Fechamos! Isso era o começo de 2005. Conseguimos fazer, dentro do tempo que tínhamos um registro bacana. Conseguimos fazer um som legal e teve aquelas participações especiais. Ficou o seguinte: o Juka cuidaria do selo e o Bernardo dos shows. Assinamos um contrato de dois anos de exclusividade com Bernardo. Eu impus uma condição. A coisa de ir para estrada é outro negócio. Já fizemos muito isso e não quero ficar fazendo show em tudo que é buraco. Sei que a banda estava fora do mercado, mas prefiro fazer uma quantidade menor de shows, mas sair de casa com mínimo de piso X para todos integrantes igualmente. Todos integrantes tem vida própria... Agenda de outros trabalhos. Então eu falei: vamos com muita calma, devagar com a louça! Teve a conversa e tudo OK. Vamos lá! Fizemos show em Salvador - Festival de Verão. Tudo certo. Fizemos o Teatro Rival três shows lotados – ganhamos zero! Não entendi nada! Alegaram que tiveram um custo muito alto e etc. Aquilo já ficou meio estranho em minha cabeça. Mas todos estavam empolgados e queríamos colocar A Cor do Som na ativa. Aí, ele veio com a conversa de que não poderia vender os shows por esse preço. Eu ainda falei que não temos pressa em fazer shows, mas fazer uma coisa legal. Mas ele queria diminuir o valor do cachê. O Valor nem era muito e o que ele queria, seria um valor de músico que acompanha um cantor de terceira categoria. Entendeu? Eu não vou sair do meu estúdio que construir com muito trabalho, para começar do nada como se estivesse começando do zero! E não é verdade! A Cor do Som tem uma história! Ele não se conformou com nossa posição, que foi firme! É isso aí ou nada! Sei dizer que: ele sumiu e não quis desfazer o contrato. Ainda tentamos conversar, dizendo que assim não iríamos a lugar nenhum e sugerir abrirmos o contrato e ele não quis. Ficamos presos a eles por dois anos sem pode fazer nada e nem divulgar nosso trabalho. Sei que o DVD esteve entre os dez ou quinze mais vendidos naquele ano. Nunca recebi um tostão por ele. Aí, o Mariozinho Rocha quando viu agente no jornal com a possibilidade de gravar um disco ao vivo, falou que adorou o projeto e que não tinha nada o que inventar e fazer o nosso trabalho, com as musicas conhecidas. E depois poderia lançar pela Som Livre que teria uma visibilidade grande... Comprei essa idéia e disse para o Juka que, com a Som Livre seria ótimo. Mas ele fechou com a Sony e nem me pergunte por que. Foi isso que aconteceu.

- Recentemente você esteve envolvido num projeto chamado: Doces Cariocas? Pode falar sobre? Que aconteceu?
- Essa historia foi assim: Eu costumo alugar uma casa em Araras, região de Petrópolis, sempre em finais de ano. E foi no réveillon de 2006 para 2007, que convidei o Marcelo Costa Santos (Abre Coração), amigo meu de longa data, e também o Pierre Aderne e Alexia (cujo pai mora em Petrópolis), pra ficarem conosco. Eu e Ana (minha esposa e guitarrista), munidos de teclado e violões, (chovia muito nesses dias), acabamos nos concentrando ao redor da lareira, sempre com alguma garrafa de vinho por perto. E foi isso. Eu e Marcelo, já somos parceiros de muitas canções desde os anos 70. O Pierre estava com muita disposição pra “letrar” e a Alexia também, muito musical e criativa. Enfim, as melodias nasciam. E nasciam realmente com uma grande fluidez. Lembro de uma noite, a Ana estava já dormindo, mas em algum momento ela chega à sala com uma melodia inteiramente pronta na cabeça... e das boas..
E quando nos demos conta, estávamos com mais de 10 músicas, com uma onda muito boa. A partir daí, a história tomou outro rumo. O Pierre querendo muito que esse trabalho fosse gravado e a partir daí constituíssemos uma banda. Só, que aquele momento mágico foi se perdendo. Por conta talvez de uma “urgência” do Pierre e também de, um, certo desespero dele de tomar as rédeas dessa história. Pra mim, ficou descartada a hipótese, que enquanto estávamos ao redor da lareira eu considerava, realmente, seguir com a idéia da banda. O Pierre ainda insistiu pra eu participar das gravações, mas eu falei pra ele, que só gravaria, no caso de eu produzir e arranjar aquelas canções. Mas ele tinha pressa, e como isso não aconteceu, preferi não participar desse projeto, um tanto confuso pra minha concepção, e com muita gente que não estava ao redor daqueles vinhos e daquela lareira. Desejo sucesso, mas acho uma pena à forma como as músicas foram tratadas no estúdio. Elas mereciam arranjos a altura das boas melodias que são.
- Mú e a guitarrista Ana Zingoni

janeiro 05, 2009

Tocar

Ary Dias em vôo solitário

Percussionista do grupo A Cor do Som detona “Tocar” seu primeiro disco solo





Gravado em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, com produção requintada de ninguém menos que Jim Gaines, produtor do Santana. O disco com doze faixas assinadas por Ary, conta com os craques Jorginho Gomes (bateria), Marcos Nimricheter (teclados e acordeom), Guilherme Maia (baixo) e Rodrigo Garcia (violão), além do toque para lá de especial do Miami Sound Machine (sopros) e dos vocais das cubanas Olgi Chirino e Angie Chirino, que acompanhavam Gloria Stefan.

Baiano de Salvador, Ary Dias, baterista antes de tudo, tem formação clássica, cursou a Universidade Federal da Bahia e integrou, durante quatro anos, a Orquestra Sinfônica da Bahia. Habilitado em música contemporânea, participou do Grupo de Música Contemporânea da UFBA, ao lado dos músicos e compositores Ernest Widmer, Lindenberg Cardoso, Piero Bastianelli e Agnaldo Ribeiro. Indicado, por Moraes Moreira, foi para o Rio de Janeiro integrar o grupo A Cor do Som que já contava com Dadi, Mu, Armandinho e Gustavo Schroeter. A banda teve reconhecido sucesso nacional e internacional, com dez discos gravados e diversos prêmios conquistados – entre os quais, o Prêmio Sharp 1997 de melhor grupo de música popular e o Prêmio Tim 2006 de melhor grupo de canção popular. Ao longo da carreira, Ary integrou as bandas de Gilberto Gil, Jorge Benjor e Rita Lee, além de ter gravado com Caetano Veloso, Chico Buarque, Erasmo Carlos, Luis Melodia, Carlinhos Brown e Tools Thilemans, entre outros. Como se não bastasse: Ary Dias é professor de percussão de música popular no Centro Musical Antonio Adolfo, a mais conceituada escola de música do Rio de Janeiro, e do Centro de Artes do Terreirão, um projeto cultural sem fins lucrativos. Com exclusividade, o músico e compositor concedeu entrevista contando algumas coisas do disco novo e da carreira.



Reportagem e fotos por Elias Nogueira

- Depois de anos de carreira, você lança seu primeiro disco solo?
- Eu sempre gostei de escrever e no início da minha carreira, além de músicos, convivi com muitos amigos compositores e poetas, o que alimentou muito esse hábito. Musicar meus textos aconteceu mais lentamente e se deu ao longo desses anos. Na verdade, minha primeira intenção era ter minhas músicas gravadas por alguns intérpretes. Como isso é uma tarefa difícil, a primeira oportunidade que surgiu de gravar um CD solo, resolvi registrá-las, sem maiores pretensões, o que só ocorreu em fins dos anos 90, e só agora consegui lançá-lo, independente!

- A escolha de gravar nos Estados Unidos foi sua? Como se deu?
- Não, a escolha não foi minha, foi um grande presente. Estava na hora certa, no lugar e com as pessoas certas. Se eu pudesse escolher, gravaria em casa, no Recreio dos Bandeirantes. Estava terminando uma grande e maravilhosa temporada com o Jorge Benjor – W Brasil - , quando recebi um convite do Evandro Mesquita, para gravar um CD com a Blitz, nos EUA. Aí, adorei a idéia: íamos gravar no Fort Lauderdale, Flórida. Lá fui eu, tudo de bom. Na bagagem levei uma fita-demo com algumas músicas, como fazia sempre. No final da gravação, o produtor musical Jim Gaines e o produtor executivo Henrique Garção se interessaram pelo meu trabalho e perguntaram se eu não queria fazer um CD. Mostrei a fita que tinha levado comigo e imediatamente fui convidado para voltar. Tive um mês para preparar essa volta. Mas foi maravilhoso, realmente um grande presente.


- É a primeira vez que você trabalha com Jim Gaines?
- Não, como disse anteriormente, trabalhamos juntos no CD da Blitz. Espero que tenhamos outras oportunidades, criamos uma amizade musical muito forte. Sendo produtor do Carlos Santana, sua sensibilidade para o lado percussivo da música é muito aguçado, embora esse meu disco dê mais ênfase ao lado compositor. Foi muito prazeroso ver a competência e a simplicidade de um produtor respeitado como ele, me deixando à vontade e confortável para criar.

- Jorginho Gomes, Marcos Nimricheter, Guilherme Maia... Você reuniu uma turma da pesada, em termos de som. Como foi? Eles viajaram com você para fora?
- Consegui mesmo reunir uma galera da pesada. Para mim são os melhores do mundo, falar de cada um levaria dias, são meus amigos, irmãos e parceiros. Foram todos comigo, inclusive o violonista Rodrigo Garcia, com todos os direitos e respeito que um músico merece, e que eu sei muito bem. Tudo isso partiu do sonho do empresário e produtor Henrique Garção, que apaixonado por música, resolveu investir em músicos que admirava. Alugou um estúdio em Fort Lauderdale, contratou o melhor produtor musical e nos levou. Deu carta branca para que eu convidasse os músicos que quisesse e nos acomodou numa bela casa e realizou o meu sonho de registrar minhas composições. Dei sorte de todos estarem disponíveis naquele período, tínhamos apenas um mês para matar tudo e o time tinha que ser mesmo de primeira. Basicamente, passávamos o dia trancado no estúdio e a noite, em casa fazendo os arranjos do dia seguinte. Mas tivemos momentos muito divertidos também, no qual um deles culminou com a composição da música “A Goma”, feita numa noite de volta do estúdio. Lá contamos com a participação maravilhosa, sugerida pelo Jim, do Miami Sound Machine no sopro e das cubanas Olgi e Angie Chirino, nos vocais, que se encaixaram muito bem no espírito da minha música.

- Teve três faixas que fora finalizadas no Brasil.
- O tempo lá fora foi muito curto para a gravação do CD: um mês. Faltavam poucos dias pra terminarmos as gravações e ainda estava faltando finalizar algumas vozes. Jim Gaines então sugeriu fecharmos no Brasil, o que era inclusive uma oportunidade para ele conhecer a terra. Foi ótimo. Aproveitei para convidar minhas amigas, Mariana Baltar e Anallu Guerra para participarem. Deu tudo certo, daqui, Jim voltou para seu estúdio em Menphis, para mixagem e masterização.


- Você Já tocou com vários nomes consagrados, além de fazer parte do renomado grupo A Cor do Som. Gostaria que comentasse?
- Foi e será um privilégio, uma benção, ter tocado com Moraes Moreira, Armandinho e o Trio Dodô e Osmar, Gerônimo, Luis Caldas, Gilberto Gil, Toni Platão, Luis Melodia, Jorge Benjor, Rita Lee, na Orquestra Sinfônica da UFBa, em canjas com todas as bandas de amigos, tudo é gratificante, só soma. A Cor do Som é minha referência maior, foi quem me projetou, são meus grandes amigos/irmãos. Estamos sempre juntos, tocando ou participando dos trabalhos um dos outros.

- A Cor do Som vai cair na estrada?
- A “A Cor do Som” nunca saiu da estrada. Estamos muito tranqüilos. Nosso pit stop às vezes é longo, mas consciente. Estamos sempre fazendo alguma coisa. Atualmente estamos produzindo muito individualmente, o que sempre é revertido para o coletivo. Estamos cada vez mais amigos e mais maduros, e retomando projetos para o próximo ano, talvez este ano ainda, mas tudo à nossa maneira e no tempo certo.

dezembro 17, 2008

Cacau Brasil

Cacau Brasil arremessa Acordes Pro Mundo

O CD/DVD conta com participações de Alceu Valença, Flávio Venturini, Ballet Oficial da Macedônia e percussionistas do Senegal

Acordes Pro Mundo é o primeiro trabalho gravado ao vivo do cantor e compositor Cacau Brasil, vem repleto de participações especiais. Gravado durante show no Anfiteatro Dragão do Mar, em Fortaleza, trazem a espontaneidade e alegria dos ritmos regionais, como canções poéticas e as influências culturais de diversos países, assimiladas principalmente em eventos internacionais, como o festival de Montreux, na Suíça, e o Third Ear, na Macedônia.

No DVD, os puristas e amantes da boa música podem conferir a beleza do cenário, inspirado em elementos regionais que traçam contrastes entre cores e formas para complementar a concepção musical. No repertório, Acordes Pro Mundo, traz músicas dos trabalhos anteriores – Cor da Terra (2002), Visionário (2005) e Imaginário (2007) – além de três composições inéditas, Voa Guerreiro, Pele de Couro e História Linda. Em conversa o mineiro Cacau Brasil fala de tudo um pouco.

Reportagem por Elias Nogueira
eliassnogueira@gmail.com

- Já era hora do Cacau lançar um trabalho ao vivo?
- Sim, já era tempo de mostrar ao público a intensidade do trabalho ao vivo. Depois de três discos gravados em estúdio e da experiência de turnês pelo Brasil e exterior, havia a necessidade de reunir parceiros, influências, cores, ritmos e músicas que fizeram parte dessa trajetória.

- Como foi feita a seleção de repertório?
- Acordes Pro Mundo é um trabalho que busca mostrar as diferentes influências culturais e musicais que recebi no decorrer da minha carreira. As músicas foram escolhidas pela vivência de shows, pela identificação entre autor e público, mostrando a diversidade do meu trabalho. Além das músicas dos discos anteriores, Acordes Pro Mundo tem músicas inéditas, como História Linda, uma parceria com Flávio Venturini, e Voa Guerreiro, simbolizando a atitude desta nova fase.

- Gostaria que comentasse as participações de nomes como Flávio Venturini, Alceu Valença, Lui Coimbra, além dos senegaleses Dabo e Sisokho.
- Essas participações se deram de uma forma natural no meu trabalho. Flávio Venturini e Alceu Valença, por exemplo, são grandes amigos e parceiros musicais, que iluminam minha arte. Com Alceu, fizemos shows e turnês juntos, como o Festival de Montreux, na Suíça, no ano passado, além de termos participado de trabalhos um do outro. Já Alboury e Cherifo, conheci durante minhas participações em feiras e shows na Europa, já que tenho uma forte ligação com as cores e raízes da musicalidade afro, que são muito presentes na nossa arte brasileira.

- Ainda teve Ballet da Macedônia...
- Quando participei, no ano passado, do festival Third Ear – Balkan Music Square, na Macedônia, o Ballet Oficial desse país concebeu coreografias para algumas músicas minhas e participou do meu show. Com o apoio do Ministério da Cultura da Macedônia, conseguimos consolidar a participação deles no DVD, ampliando as possibilidades de movimento e estética do Acordes Pro Mundo.

- Fale das canções inéditas?
- Este trabalho conta com duas novas canções autorais: História Linda, uma parceria com Flávio Venturini, que resgata nossas memórias da infância passada no interior de Minas; e Voa Guerreiro, que abre o CD/DVD representando o despertar da vivência artística e trocas culturais pelo mundo.

- Como é a primeira entrevista que faço com você, gostaria que comentasse sobre seus trabalhos anteriores - Cor da Terra (2002), Visionário (2005) e Imaginário (2007).
- Cor da Terra foi meu primeiro trabalho autoral, acústico, onde eu registrei poesias e contei com o envolvimento de jovens músicos da ONG Tapera das Artes, que é parte da minha vida. Visionário teve a participação de Dominguinhos e foi produzido pelo amigo Pantico Rocha, dando início à fusão de outras influências musicais aos ritmos brasileiros, como rock, blues, jazz, reggae, entre outros. Já Imaginário foi meu diálogo com outros compositores e culturas, e contou com a participação de Alceu Valença e produção de Paulo Rafael.

dezembro 08, 2008

The Pop's


Dois relançamentos agitaram o início do mês de dezembro.

O produtor Marcelo Fróes revitaliza os dois primeiros discos da lendária banda instrumental dos anos 60 - The Pop’s. Conhecido como os discos das botinhas, com capas semelhantes, a bolachinha pode ser, agora, adquirido com bônus, encarte e informações gerais para colecionador nenhum colocar defeito.

O lançamento é mais um, dos mais dez já lançados, pelo selo Discorbertas em parceria com a Coqueiro Verde. Em tarde autógrafos os integrantes originais da banda J. Cezar, Parada (bateria), Silvio Parada (baixo) e Pipo (guitarra base) distribuíram assinaturas para vários fãs antigos e, também seguidores da nova geração.


A imprensa esteve presente e pode conferir na Livraria Saraiva Mega Store no Centro do Rio de Janeiro no dia 4 de dezembro.

dezembro 03, 2008

A voz feminina que vem da fronteira

Raquel Becker é do signo de Leão, nascida em Uruguaiana fronteira com a Argentina, veio com seus pais para Brasília com quatro anos de idade e desde pequena teve contato com a música ao ganhar de seu progenitor um violão quando ainda tinha seis anos. Nos anos 80 ouvindo novas bandas e, todos sabem que Brasília é um dos principais centros dessa, então nova safra, de talentos. Raquel Benchimol Oliveira ainda adolescente começa a tocar bateria, primeiro por influência da banda de rock, norte americana, Kiss que veio ao Brasil em 1985 e posteriormente, por diversos conjuntos de rock que havia em Brasília e que ensaiavam nos finais de semana. “Fui baterista uns sete anos e toquei em algumas bandas de Brasília e acompanhei alguns artistas locais e nacionais” detalha a cantora
que aprendeu outro instrumento. “Estudei violão e canto, fiz diversos jingles para comerciais de TV e rádio na criação das letras, voz e na produção dos mesmos. Fiz diversos shows em teatros e casas noturnas em Brasília”. Em conversa, Raquel Becker comenta sobre o primeiro disco de carreira “Melhor lugar”.

Por Elias Nogueira
eliassnogueira@gmail.com


Compositora
- Tenho certa facilidade nas letras e como toda bela canção precisa ter uma melodia que dê vida a escrita, busquei parceiros que dessem alma para elas. Pessoas com linguagem parecida com a minha, mas com uma experiência melódica maior do que eu.

Jorge Vercillo, Leoni, Paulo Sérgio Valle
- Aconteceu numa visita que fiz a Editora da Warner junto com um compositor e produtor, Nildomar Dantas. O diretor da editora, a qual o Nildomar faz parte, me apresentou uma série de canções o que me deu de presente essas lindas músicas, de três ícones da MPB. Agradeço de coração.

Repertório
- A escolha foi minha. Além de adorar os três citados, as músicas se enquadram perfeitamente no que busquei para meu CD.

Gaúcha, Brasília, Rio de Janeiro...
- Nasci no Rio Grande do Sul e aos quatro anos de idade meus pais vieram pra Brasília, onde me criei e tive a oportunidade de ver de perto no final dos anos 80 e início dos 90. Brasília sendo o cenário do Rock do Brasil foi quando conheci de perto Renato Russo, a Cássia Éller e o Capital Inicial. Era uma jovem adolescente começando a tocar bateria. Inclusive meu primeiro bumbo de bateria, comprei do Fê Lemos do Capital Inicial. Brasília é uma grande escola, fiz muitos shows por lá, acho que já toquei e cantei em quase todos os lugares possíveis. Foi isso que me preparou para poder estar, agora, alçando vôos maiores. O Rio de Janeiro é o coração artístico brasileiro, estar no Rio é fundamental para qualquer artista que deseja que sua arte seja vista em todo país.
Independência
Este disco foi lançado por um selo independente chamado Zap Records e está sendo distribuído por uma das maiores distribuidoras da América Latina que é a Microservice e foi todo financiado por mim. Então eu acho que meu CD é meio independente no sentido de não ter uma multinacional ajudando a divulgar e assessorar o trabalho. Que é uma pena!

Publicado originalmente na edição 145 da international Magazine
Foto: Livio Campos
Aline Duran é cantora e compositora de reggae, compôs todas as faixas (são onze faixas ao todo) do primeiro CD “Novo dia”. Uma delas, parceria com o Black Alien na faixa “Pra quem Jah olha". Ela teve músicos conceituados no cenário atual participando deste trabalho como Bi Ribeiro, João Fera, Ronaldo Silva, Marlon Sette, Rodrigo Sha, dentre outros. A nova aposta no cenário do reggae brasileiro se identificou com a música jamaicana desde a primeira vez em que a ouviu, principalmente com os artistas de reggae que tocavam em 1990, além, é claro, dos nomes clássicos do reggae. Aos 20 anos (hoje com 25), decidiu se tornar musicista profissional, ela já estava envolvida com a cena de São Paulo. Em 2003, acabou entrando para uma banda chamada ‘Moziah’, na qual era backing vocal. A partir daí, sua relação com o ritmo jamaicano e com a cultura rastafári aumentou e começou a compor suas próprias canções. Há pouco mais de um ano, Aline deixou a banda para dar início à sua carreira solo. Acompanhe o bate-papo que a cantora teve com o International Magazine.

Por Elias Nogueira
eliassnogueira@gmail.com


- Antes de lançar "Novo dia" você já havia gravado.
- Sim, gravei um CD Demo. Divulguei por cerca de um ano e meio, até que este trabalho chamou a atenção do Rafael Ramos em 2008, e então gravei “Novo Dia” pela Deckdisc.

- O que te levou ao reggae?
- Sempre gostei muito de reggae por ser uma música cheia de sentimento, capaz de mexer com o estado de espírito e causar paz, positividade e reflexão intelectual. Percebi que minhas composições faziam parte desta linguagem musical e que era o ritmo que estava dentro de mim. Por sentir esta identificação espiritual com o reggae, resolvi ter uma banda deste estilo, e daí comecei toda a minha trajetória na música.

- Desde quando você se descobriu para a música?
- Desde a minha adolescência eu já gostava de me expressar através da música, participava de concursos, meus primos tinham banda e me deixavam cantar, às vezes. Mas com o tempo fui percebendo que o sentido da minha vida estava na música e que sem ela as coisas pareciam estar fora do lugar e eu não estava fazendo a coisa certa, então vi que meu caminho era este e resolvi levar a coisa a sério aos 19 anos, quando decidi me tornar uma musicista profissional.

- Você se cercou de músicos conceituados no cenário. Jota Moraes, Bi Ribeiro, João Fera, Rodrigo Sha... Como foi isso?
- Foi ótimo, tive a oportunidade de conhecê-los através do meu produtor Rafael Ramos que mostrou minhas músicas pra eles, que acabaram gostando da idéia e quiseram participar deste meu trabalho. E, claro, acrescentando muito às músicas e ao disco como um todo.

- Fale como foi feita a seleção do repertório? Você escolheu sozinha?
- O repertório do disco contém sete das dez músicas contidas no meu CD demo, além de outras composições inéditas minhas, que escolhi junto com o Rafael. Ele sugeriu que eu fizesse uma versão para “Everything I own” (música de grande sucesso nos anos 70 do grupo Bread), e acabei tendo uma inspiração pra esta música a tempo de gravá-la e incluí-la neste álbum também.

- "É com você" é a música de trabalho. Você acredita que exista música de trabalho, ou pode acontecer naturalmente?
- Acredito que existam músicas com um maior potencial de aceitação no mercado, assim como músicas que acontecem naturalmente através da opinião do público. “É com você” foi a uma das músicas que mais chamou a atenção do Rafael para o meu trabalho e também, desde o lançamento da minha demo, ela já era uma das preferidas do meu público. Torná-la a música de trabalho deste álbum “Novo Dia” foi uma conseqüência desta aceitação natural das pessoas.

Publicado originalmente na edição 146 da International Magazine
Foto: Markos Fortes