junho 23, 2008
junho 20, 2008
Campeonato de surf no Arpoador
Surf no Arpoador

Leonardo Cardoso leva a taça do Campeonato Aberto de Surf do Arpoador pela Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro
Foi realizado, no dia 14 de maio no Arpoador (RJ), mais um campeonato de surf para jovens de até 17 anos. Com Alto nível de competição, os surfistas não se intimidaram e travaram uma briga, no bom sentido, para ganhar o cobiçado troféu.
Com dia lindo, mar com temperatura agradável e belas ondas, a competição seguiu em ritmo de festa.
“Cada escolinha tem a liberdade de organizar um campeonato por direitos sobre a Associação de Surfistas no Arpoador, que na realidade são três associações que existem. Essas três associações batem de frente porque já não se conversa mais com os organizadores. Mas isso não impede que se possa organizar um campeonato do alto nível como você comprovou. As pessoas que organizaram o campeonato gostam e dão apoio ao esporte. Teve participantes de outras localidades. A faixa etária é de 17 anos. Tem o Picachú que tem sete anos e já compete”, esclarece Marcelo FX, um dos incentivadores do evento.
Quem pensa que o campeonato não teve emoção, se enganou! Com favoritismo total de Philip, surge uma nova promessa do surf. Um loirinho de olhos verdes de nome Leonardo Cardoso. Um jovem de pouco mais de 13 anos de idade, morador de Copacabana. Na realidade ele venceu o campeonato numa competição que foi decidida onda a onda dando mais emoção.
“É a segunda vez que participo. A primeira vez, em 2007, não estava bem preparado e fui eliminado na primeira bateria. Achei que deveria treinar muito mais pra ficar melhor e foi o que fiz. Minha maior dificuldade foi competir com o Philip que é muito bom de ondas.
Que esta vitória seja primeira da série de outras que poderão acontecer”, diz o campeão Leonardo Cardoso, a nova promessa do surf.

Leonardo Cardoso leva a taça do Campeonato Aberto de Surf do Arpoador pela Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro
Foi realizado, no dia 14 de maio no Arpoador (RJ), mais um campeonato de surf para jovens de até 17 anos. Com Alto nível de competição, os surfistas não se intimidaram e travaram uma briga, no bom sentido, para ganhar o cobiçado troféu.
Com dia lindo, mar com temperatura agradável e belas ondas, a competição seguiu em ritmo de festa.
“Cada escolinha tem a liberdade de organizar um campeonato por direitos sobre a Associação de Surfistas no Arpoador, que na realidade são três associações que existem. Essas três associações batem de frente porque já não se conversa mais com os organizadores. Mas isso não impede que se possa organizar um campeonato do alto nível como você comprovou. As pessoas que organizaram o campeonato gostam e dão apoio ao esporte. Teve participantes de outras localidades. A faixa etária é de 17 anos. Tem o Picachú que tem sete anos e já compete”, esclarece Marcelo FX, um dos incentivadores do evento.

Quem pensa que o campeonato não teve emoção, se enganou! Com favoritismo total de Philip, surge uma nova promessa do surf. Um loirinho de olhos verdes de nome Leonardo Cardoso. Um jovem de pouco mais de 13 anos de idade, morador de Copacabana. Na realidade ele venceu o campeonato numa competição que foi decidida onda a onda dando mais emoção.
“É a segunda vez que participo. A primeira vez, em 2007, não estava bem preparado e fui eliminado na primeira bateria. Achei que deveria treinar muito mais pra ficar melhor e foi o que fiz. Minha maior dificuldade foi competir com o Philip que é muito bom de ondas.
Que esta vitória seja primeira da série de outras que poderão acontecer”, diz o campeão Leonardo Cardoso, a nova promessa do surf.
maio 30, 2008
abril 21, 2008
abril 14, 2008
Rodrigo Santos e George Israel

Rodrigo e George uniram-se, como vem fazendo em shows pela cidade e em outros estados, e gravaram DVD na emblemática casa noturna Canecão no Rio de Janeiro, na terça-feira à noite dia 8 de abril.

Guto Goffi, Renne Rossano, Jorge Valadão, Odeid, Gabriel Thomaz, Fernando Magalhães, Rodrigo Sha, Alex Veley, Leo Ortiz, Rodrigo Santos e George Israel. 08 04 2008 Canecão
abril 03, 2008

O jornalista e escritor Joel Macedo fez parte das primeiras edições do jornal Rolling Stone no Brasil. Participou do movimento cultural hippie, na contracultura e percorreu os Estados Unidos por terra duas vezes testemunhando o movimento e as transformações dos anos 60. Como correspondente da edição brasileira do jornal Rolling Stone, Macedo viajou pela Europa, Norte da África, Ásia Central, índia e Nepal. O Jornalista lança “Albatroz – O encontro das tribos na Califórnia dos anos 60” – financiado pelo próprio autor assim como os antecessores, Tatuagem (1972); Despertador (1979); Lições da Fornalha (1991). “As editoras nunca quiseram papo comigo”, admite Joel. Abaixo algumas falas do autor em conversa com Elias Nogueira.
Correspondente nos Estados Unidos
- Foi meio que acidental. Fui como correspondente de emergência do jornal Última Hora porque o pessoal do Dopes poderia a qualquer momento me prender. Os coronéis queriam minha cabeça porque eu dava carona para militantes de esquerda.
AI-5
- Fui num avião da Varig no dia 13 de dezembro de 1968 no dia do AI-5. Estava cheio de pessoas importantes fugindo da repressão. Este dia era o dia das bruxas! Eles iam prender todos. Eu só soube disso dentro do avião. Era uma noite muito severa.
Hippie
- Fiquei a disposição do Samuel (Wainer) enviando reportagens para a Última Hora. Entrevistei algumas pessoas como o Herbert Marcuse (Filósofo alemão da Escola de Frankfurt radicado nos EUA nos anos 60 e que por suas idéias progressistas e anti-capitalistas e se tornou guru da esquerda americana). Foi numa palestra na Universidade de Columbia. Foi assim que comecei a entrar em contato com a esquerda americana, conheci o movimento hippies. Fui me enfronhando com tudo aquilo. Cheguei a ser hippie a partir de minha ida para Califórnia.
Contracultura
- Sempre fui um cara da contracultura. Quando você milita na coisa, dificilmente você vai para o lado do sistema, até porque você nunca desperdiçaria sua experiência. Pode até reciclar e passar de uma utopia para outra, mas sempre num esquema da contracultura.
De Nova Iorque para Califórnia
Fiquei seis meses em Nova Iorque e fui, por terra, para Califórnia. Freqüentei muito o Fillmore West no West Village. Lá assisti show do Johnny Winter que para mim é o maior bluesman de todos os tempos. O blues branco está muito bem representado. Eric Clapton, John Mayall, dentre outros. Mas o Johnny Winter consegue ser melhor em minha opinião.
Altamont
Rolling Stones é uma história que conto no Albatroz e começa no Festival de Altamont em 1969, onde a produção dos Stones cometeu o equívoco de contratar os Hell Angles para fazer a segurança do evento, naquele dezembro de 1969 onde houve aquelas mortes (foram 4). Ali foi o prenúncio do sonho hippie. Woodstock já havia acontecido.
Alternativo
- A partir desta minha vivência na Califórnia me tornei um militante da alternativa. Fundei o jornal Presença, que teve dois números.
Correspondente nos Estados Unidos
- Foi meio que acidental. Fui como correspondente de emergência do jornal Última Hora porque o pessoal do Dopes poderia a qualquer momento me prender. Os coronéis queriam minha cabeça porque eu dava carona para militantes de esquerda.
AI-5
- Fui num avião da Varig no dia 13 de dezembro de 1968 no dia do AI-5. Estava cheio de pessoas importantes fugindo da repressão. Este dia era o dia das bruxas! Eles iam prender todos. Eu só soube disso dentro do avião. Era uma noite muito severa.
Hippie
- Fiquei a disposição do Samuel (Wainer) enviando reportagens para a Última Hora. Entrevistei algumas pessoas como o Herbert Marcuse (Filósofo alemão da Escola de Frankfurt radicado nos EUA nos anos 60 e que por suas idéias progressistas e anti-capitalistas e se tornou guru da esquerda americana). Foi numa palestra na Universidade de Columbia. Foi assim que comecei a entrar em contato com a esquerda americana, conheci o movimento hippies. Fui me enfronhando com tudo aquilo. Cheguei a ser hippie a partir de minha ida para Califórnia.
Contracultura
- Sempre fui um cara da contracultura. Quando você milita na coisa, dificilmente você vai para o lado do sistema, até porque você nunca desperdiçaria sua experiência. Pode até reciclar e passar de uma utopia para outra, mas sempre num esquema da contracultura.
De Nova Iorque para Califórnia
Fiquei seis meses em Nova Iorque e fui, por terra, para Califórnia. Freqüentei muito o Fillmore West no West Village. Lá assisti show do Johnny Winter que para mim é o maior bluesman de todos os tempos. O blues branco está muito bem representado. Eric Clapton, John Mayall, dentre outros. Mas o Johnny Winter consegue ser melhor em minha opinião.
Altamont
Rolling Stones é uma história que conto no Albatroz e começa no Festival de Altamont em 1969, onde a produção dos Stones cometeu o equívoco de contratar os Hell Angles para fazer a segurança do evento, naquele dezembro de 1969 onde houve aquelas mortes (foram 4). Ali foi o prenúncio do sonho hippie. Woodstock já havia acontecido.
Alternativo
- A partir desta minha vivência na Califórnia me tornei um militante da alternativa. Fundei o jornal Presença, que teve dois números.
abril 01, 2008
Autoramas na WTN com Vinny

O Autoramas, banda com 11 anos de estrada no cenário independente do rock carioca, é o convidado do WTN Show desta semana, programa da Web Television Network que apresenta bandas alternativas tocando em formato acústico e em entrevistas com Vinny.
O grupo se apresentou com a sua mais nova integrante, Flávia Couri, a terceira baixista de sua história, sucedendo Simone e Selma. A carioca passou pela prova de fogo tocando “Hotel Cervantes” e “A 300 km/h”, do novo cd “Teletransporte”, além do sucesso “Música de Amor”.
Para conferir o programa, acesse a WTN – Web Television Network
( www.wtn.com.br ) a partir do dia 11/04.
Para conferir o programa, acesse a WTN – Web Television Network
( www.wtn.com.br ) a partir do dia 11/04.
A WTN possui 13 programas atualizados semanalmente envolvendo temas como música, esporte, videogames, teatro e tecnologia e é um empreendimento da produtora de vídeo Publytape, sediada no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. (Juliana Alcantara)
março 27, 2008
Capa do CD "Ar puro"

O que posso dizer do show que presenciei na terça-feira última dia 25 de março na Modern Sound Mega Music Store em Copacabana-RJ no lançamentoCD "Ar puro", terceiro disco solo, do gaitista Jefferson Gonçalves? Jefferson que em cada disco e cada show mostrando desenvoltura digna de um grande músico, com uma banda entrosada, show correto e sem buracos. Gostei também do jeito moleque de tocar misturas de ritmos como frevo, forró, maracatu etc. e tal, tudo muito bem calibrado com a influência blues e rock. Gostei do guitarrista Kleber Dias que além de tocar guitarra, bandolim e violão, está cantando muito bem. Dias está mais maduro como músico e sem aqueles vícios, antigos, que são dispensáveis. Gostei também de ver o Marco BZ (ex-Baseado em Blues) tocando percussão e em vários momentos tocando, com maestria, bateria. Mas o novo baterista (Técio Andrade) não compromete em nada. Ele é bom, tem ótima desenvoltura e segura com dignidade o show. Não poderia deixar de citar também o guitarrista Sergio Velasco com solos marcantes e sem exageros.
Jefferson Gonçalves que um dia foi promessa, agora é uma referência nacional da harmônica. A única insatisfação que tenho em seus shows é quando termina o bis. De tão bom que é as horas são imperceptíveis e fica aquele desejo de quero mais! Valeu Jefferson pelas belas canções de seu disco “Ar puro” e pela gentileza de nos presentear com o clássico “All along the Watchtower” do menestrel Bob Dylan.
Vale informar que: Desde 2001, Jefferson tem feito pesquisas de ritmos nordestinos, encontrando similaridades com gêneros norte-americanos e demonstrando, dessa forma, que a música desconhece barreiras.
Jefferson Gonçalves que um dia foi promessa, agora é uma referência nacional da harmônica. A única insatisfação que tenho em seus shows é quando termina o bis. De tão bom que é as horas são imperceptíveis e fica aquele desejo de quero mais! Valeu Jefferson pelas belas canções de seu disco “Ar puro” e pela gentileza de nos presentear com o clássico “All along the Watchtower” do menestrel Bob Dylan.
Vale informar que: Desde 2001, Jefferson tem feito pesquisas de ritmos nordestinos, encontrando similaridades com gêneros norte-americanos e demonstrando, dessa forma, que a música desconhece barreiras.
março 19, 2008
Jefferson Gonçalves 25/03 em Copacabana - RJ

O ano de 2008 começa com muitas realizações e novidades para Jefferson Gonçalves, em fevereiro, o músico se apresentou com sua banda na 9°edição do festival de Jazz e Blues de Guaramiranga – CE, fazendo shows também em Fortaleza e Sobral com apresentações e misturas inusitadas cheia de swing que levantaram e conquistaram de vez o público cearense.
Em março lança seu terceiro CD solo: Ar Puro (Blues Time Records). Como o próprio artista define o disco “é fruto de viagens pelo Nordeste do Brasil, sobretudo as regiões do Cariri cearense e Pernambuco”. Desde 2001, ele tem feito pesquisas de ritmos nordestinos, encontrando similaridades com gêneros norte-americanos e demonstrando, dessa forma, que a música desconhece barreiras.
“A única preocupação dos músicos que participaram do CD foi a de celebrar o som, sem rótulos. Simplesmente som, sentimento, música. Isso gerou infinitas viagens sonoras, com infinitos pontos de partida: ora as margens do rio Mississipi, ora o sertão do Cariri. A chegada sim, nunca deixou de ser uma só: o encontro de tradições e a universalidade da música do Brasil”, diz Jefferson Gonçalves.
“A única preocupação dos músicos que participaram do CD foi a de celebrar o som, sem rótulos. Simplesmente som, sentimento, música. Isso gerou infinitas viagens sonoras, com infinitos pontos de partida: ora as margens do rio Mississipi, ora o sertão do Cariri. A chegada sim, nunca deixou de ser uma só: o encontro de tradições e a universalidade da música do Brasil”, diz Jefferson Gonçalves.
Em seus shows Jefferson e Banda fazem uma viagem musical, no repertório: músicas autorais, clássicos do Blues, Country Blues, Folk, Funk Blues, entre outros estilos, num show alto-astral, contagiante e dançante.
Show: Jefferson Gonçalves & Banda - Lançamento CD "Ar Puro"
Data: 25/03
Hora: 19:0 h
Local: Modern Sound - Mega Music Store -Rua Barata Ribeiro, 502 - D - Copacabana - RJ
Informações: SHOW GRÁTIS - RESERVAS PELO TEL. (21) 2548-5005.
fevereiro 11, 2008
Fernando Magalhães

Fernando Magalhães, guitarrista e compositor, filho caçula de uma família de quatro irmãos. Quando tinha 13 anos, ganhou sua primeira guitarra supersonic da Giannini. Aprendeu os primeiros acordes com um de seus irmãos. Iniciou a carreira profissional em 1982, quando integrou o grupo punk carioca 402, de 1982 a 1984. Depois, passou a atuar pelo conjunto Páginas Amarelas, tendo lançado um compacto triplo pela PolyGram. Passou a integrar a banda Barão Vermelho em 1987. Entre 1989 e 1991, montou o grupo Cruela Cruel, ao lado de Luiz Henrique Romanholli e César Nine (ex-Coquetel Molotov). Lançando seu primeiro trabalho solo, o guitarrista concede sua primeira entrevista ao INTERNATIONAL MAGAZINE para falar sobre carreira, Barão Vermelho e disco novo! Deixemos o Fernandão falar!
Por Elias Nogueira
- Antes do Barão você tocava com quem?
- Toquei com um cara chamado Clóvis Neto, que tocava muito na Rádio Fluminense e era amigo do Luis Antonio Mello. Era uma coisa meio, jazz e meio pop. Fiz guitarra com ele porque tinha um amigo chamado Ricardo Trajano que tocava baixo. O Clovis tinha uma banda chamada Páginas Amarelas. Chegamos a gravar um compacto triplo. Foi o Ricardo quem me convidou para tocar com o Clovis. Cheguei a tocar numa banda de reage do meu irmão, André Magalhães, chamada Batom. Antes toquei umas coisas meio punks. Toquei na banda 402, toquei com o Zé da Gaita, que é meu amigo até hoje.
- Toquei com um cara chamado Clóvis Neto, que tocava muito na Rádio Fluminense e era amigo do Luis Antonio Mello. Era uma coisa meio, jazz e meio pop. Fiz guitarra com ele porque tinha um amigo chamado Ricardo Trajano que tocava baixo. O Clovis tinha uma banda chamada Páginas Amarelas. Chegamos a gravar um compacto triplo. Foi o Ricardo quem me convidou para tocar com o Clovis. Cheguei a tocar numa banda de reage do meu irmão, André Magalhães, chamada Batom. Antes toquei umas coisas meio punks. Toquei na banda 402, toquei com o Zé da Gaita, que é meu amigo até hoje.
- Você chegou a integrar a banda do Zé da Gaita?
- Toquei! Fiz show no Circo Voador com ele, o primeiro Zé Who, toquei baixo mas cheguei a tocar guitarra com ele!
- Toquei! Fiz show no Circo Voador com ele, o primeiro Zé Who, toquei baixo mas cheguei a tocar guitarra com ele!
- Então, é por isso que muitos dizem que você toca baixo?
- É por causa do Zé Who, mas meu instrumento é guitarra!
- É por causa do Zé Who, mas meu instrumento é guitarra!
- Fale mais.
- Na verdade, quando eu tocava com o Zé da Gaita, no começo de 1983, se não me engano em janeiro! Logo depois, fui para o exército. Eu toquei com o Zé “reco”! Fui pela manhã “reco”, a tarde passei o som, à noite fiz o show e pela manhã me apresentei no quartel. Isso era em 1983. Servir o quartel de janeiro a novembro. Vi o Barão tocando no Rock in Rio em 1985.
- Na verdade, quando eu tocava com o Zé da Gaita, no começo de 1983, se não me engano em janeiro! Logo depois, fui para o exército. Eu toquei com o Zé “reco”! Fui pela manhã “reco”, a tarde passei o som, à noite fiz o show e pela manhã me apresentei no quartel. Isso era em 1983. Servir o quartel de janeiro a novembro. Vi o Barão tocando no Rock in Rio em 1985.
- Você nem imaginava em tocar com o Barão?
- Não! Lá para agosto ou setembro de 1985, me liga o Frejat e não nos separamos mais! Ele falou que o Cazuza havia saído da banda e estava, ele, assumindo os vocais. - Falei com o Guto e ele lembrou de você, disse o Frejat. Estamos precisando de um guitarrista, contratado, para tocar algumas coisas de guitarra porque não dava para tocar e cantar tudo! Foi isso. Fui ficando... Depois veio o Peninha.
- Quem trouxe foi o Guto?
- É, mas o Peninha já havia gravado umas coisas anteriormente. Acho que foi “Bete Balanço”...
- Não! Lá para agosto ou setembro de 1985, me liga o Frejat e não nos separamos mais! Ele falou que o Cazuza havia saído da banda e estava, ele, assumindo os vocais. - Falei com o Guto e ele lembrou de você, disse o Frejat. Estamos precisando de um guitarrista, contratado, para tocar algumas coisas de guitarra porque não dava para tocar e cantar tudo! Foi isso. Fui ficando... Depois veio o Peninha.
- Quem trouxe foi o Guto?
- É, mas o Peninha já havia gravado umas coisas anteriormente. Acho que foi “Bete Balanço”...
- Quando você entrou?
- Entrei no final da turnê “Maior abandonado” isso em 1985. Em 1986, o Barão gravou “Declare e guerra”. Depois teve “Rock´n Geral”, que já saiu pela Warner. Eu só tocava ao vivo.
- Entrei no final da turnê “Maior abandonado” isso em 1985. Em 1986, o Barão gravou “Declare e guerra”. Depois teve “Rock´n Geral”, que já saiu pela Warner. Eu só tocava ao vivo.
- E em estúdio?
- Fazia participação. Fazia um solo aqui, outro ali... No “Carnaval”, nós já tocávamos tanto, eu e o Peninha, que o Frejat, Guto e Dé, acharam melhor gravar em quinteto. O Maurício também havia saído. Ensaiamos e fizemos o “Carnaval”. Esse disco teve o trabalho dos cinco, em termos de arranjar e sair tocando. Foi o primeiro trabalho do quinteto em grupo! Depois veio o disco ao vivo que foi a extensão da turnê do “Carnaval”. Depois foi o “Na Calada da Noite”. Nesse disco, quando o Dé saiu, os dois convidaram a gente para integrar realmente na banda! Acabou entrando o Dadi, também.
- Fazia participação. Fazia um solo aqui, outro ali... No “Carnaval”, nós já tocávamos tanto, eu e o Peninha, que o Frejat, Guto e Dé, acharam melhor gravar em quinteto. O Maurício também havia saído. Ensaiamos e fizemos o “Carnaval”. Esse disco teve o trabalho dos cinco, em termos de arranjar e sair tocando. Foi o primeiro trabalho do quinteto em grupo! Depois veio o disco ao vivo que foi a extensão da turnê do “Carnaval”. Depois foi o “Na Calada da Noite”. Nesse disco, quando o Dé saiu, os dois convidaram a gente para integrar realmente na banda! Acabou entrando o Dadi, também.
- Foi quando o Barão completou dez anos.
- Isso foi em 1991/92. “Na calada da noite” saiu em 1990. O Dadi fez a metade da turnê e depois entrou o Rodrigo. Estamos em 1990, só que antes, quando eu tocava com os Páginas Amarelas em 83, 84... Eu tinha uns projetos com uns amigos de rua. Um era o Marcos Matos (baterista) o outro era o Carlos José (baixista) e esse projeto teve vários nomes. “Riso Forçado”, “Tróia”, “Os Inconvenientes”... Era um núcleo de amigos que participavam. Chegamos a compor nessa época que foi de 1981 até 1985, acho que foi isso. Tínhamos várias coisas. Algumas dessas músicas, estão no meu disco instrumental. É muito importante falar isso, porque o Marcos Matos tem parceria comigo. Essas músicas, umas três, já existem há muito tempo! É muito louco, porque não achei que elas ficaram datadas! Outra coisa interessante que quero falar sobre a década de 80 é que: Você falou que o meu som saiu muito parecido com o de Joe Satriani. Só que na verdade, ele não é Joe Satriani ele é, sim, influenciado pelo Steve Stevens, guitarrista do Billy Idol. Ele foi o cara que me influenciou na década de 80, com essa coisa de guitarrada, solo e parede de guitarra! Sempre fui ligado ao punk. Sempre gostei muito de Beatles, Stones... Eu peguei em cheio o punk, do Clash, Sex Pistols, Dr. Feelgood que era pré-punk. Isso tudo veio na veia! U2 também! Foi uma influência total.
- Isso foi em 1991/92. “Na calada da noite” saiu em 1990. O Dadi fez a metade da turnê e depois entrou o Rodrigo. Estamos em 1990, só que antes, quando eu tocava com os Páginas Amarelas em 83, 84... Eu tinha uns projetos com uns amigos de rua. Um era o Marcos Matos (baterista) o outro era o Carlos José (baixista) e esse projeto teve vários nomes. “Riso Forçado”, “Tróia”, “Os Inconvenientes”... Era um núcleo de amigos que participavam. Chegamos a compor nessa época que foi de 1981 até 1985, acho que foi isso. Tínhamos várias coisas. Algumas dessas músicas, estão no meu disco instrumental. É muito importante falar isso, porque o Marcos Matos tem parceria comigo. Essas músicas, umas três, já existem há muito tempo! É muito louco, porque não achei que elas ficaram datadas! Outra coisa interessante que quero falar sobre a década de 80 é que: Você falou que o meu som saiu muito parecido com o de Joe Satriani. Só que na verdade, ele não é Joe Satriani ele é, sim, influenciado pelo Steve Stevens, guitarrista do Billy Idol. Ele foi o cara que me influenciou na década de 80, com essa coisa de guitarrada, solo e parede de guitarra! Sempre fui ligado ao punk. Sempre gostei muito de Beatles, Stones... Eu peguei em cheio o punk, do Clash, Sex Pistols, Dr. Feelgood que era pré-punk. Isso tudo veio na veia! U2 também! Foi uma influência total.
Os Rolling Stones?
Os Rolling Stones? Pra caramba! Hoje mesmo quando estava vindo te encontrar, estava escutando! O Barão sempre foi uma banda voltada mais para os Stones, embora tenha integrantes na banda que são beatlemaníacos e tem coisas latinas também! O Peninha que foi um cara que ouviu muito Santana, assim como todos da banda! A ligação dele com o rock veio, muito, do Santana. Acho a influência do Peninha no som do Barão, é total! Ele é um cara que tem um molho, é roqueiro... Ele sempre foi muito importante!
Os Rolling Stones? Pra caramba! Hoje mesmo quando estava vindo te encontrar, estava escutando! O Barão sempre foi uma banda voltada mais para os Stones, embora tenha integrantes na banda que são beatlemaníacos e tem coisas latinas também! O Peninha que foi um cara que ouviu muito Santana, assim como todos da banda! A ligação dele com o rock veio, muito, do Santana. Acho a influência do Peninha no som do Barão, é total! Ele é um cara que tem um molho, é roqueiro... Ele sempre foi muito importante!
De lá pra cá, você continuou.
Nesta época, eu montei um projeto paralelo com Romanholli que toca com os Picassos Falsos, Pedro Senra que hoje em dia trabalha no mercado de vídeos, a banda “Cruela Cruel”, em 1990 e cheguei a fazer um show no Teatro Ipanema. Não cheguei a gravar nada. Nessa época o Barão estava a mil por hora e tinha muito trabalho! Passei todos esses anos dedicados ao Barão e não tinha muito tempo para fazer outras coisas e quando tinha uma parada, eu parava mesmo! Não tinha ânimo para fazer outra coisa, queria curtir a família. Só que quando paramos em 2001, foi uma loucura! Tinha aquela coisa, que estávamos acostumados a não fazer outras coisas. Pensei: Sê é pra parar, então vou detonar! Conheci o Kleston dos Detonautas na casa do Gabriel e me convidaram para produzir o primeiro disco deles e graças a Deus saiu tudo certo! Deu certo por causa do talento deles, mas era difícil porque tem tanta banda querendo fazer sucesso, mas conseguimos. Fui tocar com outras pessoas como, Vinny, Gabriel O Pensador... Pude estreitar minha amizade com o Roberto Lly; gravei participação com os Detonautas, Blitz... Resolvi que queria fazer um disco! Tinha um monte de coisas, idéias inacabadas, idéias acabadas, coisas que tinham letras e não tinham música...
Nesta época, eu montei um projeto paralelo com Romanholli que toca com os Picassos Falsos, Pedro Senra que hoje em dia trabalha no mercado de vídeos, a banda “Cruela Cruel”, em 1990 e cheguei a fazer um show no Teatro Ipanema. Não cheguei a gravar nada. Nessa época o Barão estava a mil por hora e tinha muito trabalho! Passei todos esses anos dedicados ao Barão e não tinha muito tempo para fazer outras coisas e quando tinha uma parada, eu parava mesmo! Não tinha ânimo para fazer outra coisa, queria curtir a família. Só que quando paramos em 2001, foi uma loucura! Tinha aquela coisa, que estávamos acostumados a não fazer outras coisas. Pensei: Sê é pra parar, então vou detonar! Conheci o Kleston dos Detonautas na casa do Gabriel e me convidaram para produzir o primeiro disco deles e graças a Deus saiu tudo certo! Deu certo por causa do talento deles, mas era difícil porque tem tanta banda querendo fazer sucesso, mas conseguimos. Fui tocar com outras pessoas como, Vinny, Gabriel O Pensador... Pude estreitar minha amizade com o Roberto Lly; gravei participação com os Detonautas, Blitz... Resolvi que queria fazer um disco! Tinha um monte de coisas, idéias inacabadas, idéias acabadas, coisas que tinham letras e não tinham música...
Esse projeto do disco solo não começou agora?
Na verdade esse projeto começou na época em que o Barão Vermelho deu a primeira parada em 2001. Essa primeira parada, apesar de nós já sabermos desde 1999, foi uma porrada! Nós estávamos acostumados! Eu toco no Barão desde de 1985 e desde então, nunca parei de tocar com eles.
Na verdade esse projeto começou na época em que o Barão Vermelho deu a primeira parada em 2001. Essa primeira parada, apesar de nós já sabermos desde 1999, foi uma porrada! Nós estávamos acostumados! Eu toco no Barão desde de 1985 e desde então, nunca parei de tocar com eles.
- Quando o Barão deu a primeira parada, vocês reuniram o Barão Instrumental.
- Na verdade, foi uma forma de se divertir e foi prazeroso. Alguns dizem que aquilo foi um equívoco nosso. Mas eu acho que foi uma forma de perceber, ainda não tinha caído à ficha, que o Barão tinha parado. É que estávamos tanto tempo tocando juntos e de repente, parar, foi um baque para nós. Tudo que tínhamos feito com o Barão fazia parte de nossas vidas. Tanto que nós não nos interessamos mais em fazer instrumental. Rolou alguns shows. Essa idéia surgiu num work shopping que o Guto foi fazer.
- Na verdade, foi uma forma de se divertir e foi prazeroso. Alguns dizem que aquilo foi um equívoco nosso. Mas eu acho que foi uma forma de perceber, ainda não tinha caído à ficha, que o Barão tinha parado. É que estávamos tanto tempo tocando juntos e de repente, parar, foi um baque para nós. Tudo que tínhamos feito com o Barão fazia parte de nossas vidas. Tanto que nós não nos interessamos mais em fazer instrumental. Rolou alguns shows. Essa idéia surgiu num work shopping que o Guto foi fazer.
A parada do Barão redeu frutos?
Na verdade, a parada do Barão foi muito vantajosa. A nossa volta em 2004 foi maravilhosa! A expectativa foi grande e ainda teve o filme do Cazuza que foi muito falado!
Na verdade, a parada do Barão foi muito vantajosa. A nossa volta em 2004 foi maravilhosa! A expectativa foi grande e ainda teve o filme do Cazuza que foi muito falado!
- Porque um disco instrumental?
- Não tenho vontade de cantar, pelo menos por enquanto não me vejo a frente do palco cantando e resolvi fazer um disco de guitarra! Comecei a fazer naquela época! Tem muito tempo que comecei a fazer esse disco. Ele está pronto algum tempo, mas começou a voltar o Barão e fiquei na dúvida se era o momento... Conversei com amigos e o Humberto Barros aconselhou a colocar tudo pra fora.
- Não tenho vontade de cantar, pelo menos por enquanto não me vejo a frente do palco cantando e resolvi fazer um disco de guitarra! Comecei a fazer naquela época! Tem muito tempo que comecei a fazer esse disco. Ele está pronto algum tempo, mas começou a voltar o Barão e fiquei na dúvida se era o momento... Conversei com amigos e o Humberto Barros aconselhou a colocar tudo pra fora.
- Tudo bem que você falou que não tem pretensão de cantar, pelo menos por enquanto, mas o Santana também nunca teve pretensões de cantar e lança discos, quase sempre, com convidados e sua banda, tem um vocalista. Você já pensou nisso?
- Por eu não cantar nesse disco, não quer dizer que não possa lançar um disco de convidados ou disco de violões! Acho que posso abrir um leque muito grande. O lance do disco instrumental, não é um disco que não necessita tanto dos meios de comunicações, no sentido intenso, de entrar em rádio, em rede, ou precisar aparecer num programa de televisão. É um circuito bem menor, mas com seguidores fieis e é um disco de rock e não um disco de música lound e não é um disco de blues. É um disco de rock! Não tem nada de brazuca. Rock é uma linguagem universal.
- Por eu não cantar nesse disco, não quer dizer que não possa lançar um disco de convidados ou disco de violões! Acho que posso abrir um leque muito grande. O lance do disco instrumental, não é um disco que não necessita tanto dos meios de comunicações, no sentido intenso, de entrar em rádio, em rede, ou precisar aparecer num programa de televisão. É um circuito bem menor, mas com seguidores fieis e é um disco de rock e não um disco de música lound e não é um disco de blues. É um disco de rock! Não tem nada de brazuca. Rock é uma linguagem universal.
- Deu medo em mostrar seu trabalho solo?
- Sempre fico querendo que todos gostem! Mas ou você faz ou não faz nada. Acho normal, temos que estar preparado para tudo.
- Sempre fico querendo que todos gostem! Mas ou você faz ou não faz nada. Acho normal, temos que estar preparado para tudo.
- Fale da idéia do disco.
- Eu lembrei de um amigo meu, Pedro Strasser do Blues Etílicos e convidei para fazer um disco instrumental. Ele topou. Ele tem um estúdio na casa dele em Sta. Tereza e fizemos guitarra e bateria, ensaiamos muito! Depois eu coloquei o baixo. Começamos fazer assim: Pensamos em três músicas e falei para o Frejat liberar o estúdio (Dubrou) dele e como é meu amigo, liberou! (risos). Falei com o técnico de som do Barão, Renato, deu uma força. Depois ia para o estúdio do Pedro. Ficaram faltando quatro músicas e eu parei com o disco um tempão, durante 2001/2002. Em 2003 Roberto Lly escutou, gostou e disse que eu deveria lançar. Chamei o Roberto para fazer a co-produção e ele deu uma arrumada. Fomos para outros estúdios e gravamos o resto, inclusive as baterias. O Roberto gravou os baixos, entrou o Villarim que era o tecladista do Bacamarte.
- Eu lembrei de um amigo meu, Pedro Strasser do Blues Etílicos e convidei para fazer um disco instrumental. Ele topou. Ele tem um estúdio na casa dele em Sta. Tereza e fizemos guitarra e bateria, ensaiamos muito! Depois eu coloquei o baixo. Começamos fazer assim: Pensamos em três músicas e falei para o Frejat liberar o estúdio (Dubrou) dele e como é meu amigo, liberou! (risos). Falei com o técnico de som do Barão, Renato, deu uma força. Depois ia para o estúdio do Pedro. Ficaram faltando quatro músicas e eu parei com o disco um tempão, durante 2001/2002. Em 2003 Roberto Lly escutou, gostou e disse que eu deveria lançar. Chamei o Roberto para fazer a co-produção e ele deu uma arrumada. Fomos para outros estúdios e gravamos o resto, inclusive as baterias. O Roberto gravou os baixos, entrou o Villarim que era o tecladista do Bacamarte.
- As faixas.
- “Insônia" e “Nos deixem a sós” são da década de 80. “Sansara” (década de 90), foram às três primeiras. De bicicleta no parque (nova) “Só o tempo” (nova), O amanhecer (nova) e “Kátiana”, que não é tão nova assim. As que sobraram fora: “Rádio sonora” (é um pouco nova), “Eu e você somos um”, da década de 80, mas gravei por último. “O Homem Coelho” (nova). Tem coisa em parcerias como o Marcos Matos, com o Frejat, “Nos deixem a sós” que quase entrou no disco do Barão de 2004. Ela tem letra e está guardada.
- “Insônia" e “Nos deixem a sós” são da década de 80. “Sansara” (década de 90), foram às três primeiras. De bicicleta no parque (nova) “Só o tempo” (nova), O amanhecer (nova) e “Kátiana”, que não é tão nova assim. As que sobraram fora: “Rádio sonora” (é um pouco nova), “Eu e você somos um”, da década de 80, mas gravei por último. “O Homem Coelho” (nova). Tem coisa em parcerias como o Marcos Matos, com o Frejat, “Nos deixem a sós” que quase entrou no disco do Barão de 2004. Ela tem letra e está guardada.
Você está lançando seu disco de uma forma diferente do normal. Um pequeno número de artistas que arriscam lançar disco pela Internet.
Isso é uma aposta! Outra coisa: Sou o primeiro artista licenciado pela Warner Digital a fazer esse tipo de lançamento. Achei que poderia pegar um público seleto que gosta de rock. Isso não quer dizer que eu não vou lançar meu disco de forma física. Eu não estou levantando bandeira para que todos lancem disco de forma digital, virtual... Eu sou do tempo do vinil e adoro freqüentar lojas de discos e comprar cds.
Isso é uma aposta! Outra coisa: Sou o primeiro artista licenciado pela Warner Digital a fazer esse tipo de lançamento. Achei que poderia pegar um público seleto que gosta de rock. Isso não quer dizer que eu não vou lançar meu disco de forma física. Eu não estou levantando bandeira para que todos lancem disco de forma digital, virtual... Eu sou do tempo do vinil e adoro freqüentar lojas de discos e comprar cds.
- Você também faz parte da banda do Rodrigo Santos.
- O Rodrigo é um superamigo! Ele quis fazer o trabalho solo dele, que é uma coisa totalmente diferente do meu. O disco dele é para brigar em rádios, tv, na mídia... Ele precisa de mídia e reconhecimento. É um outro caminho da mídia. Eu preciso também da mídia, mas é diferente!. O disco do Rodrigo é um rock popular. Eu participei porque estamos sempre juntos e ele me chamou para tocar guitarra. Tenho maior prazer em tocar com Rodrigo. Faço no amor! Gosto dele, do trabalho dele, acho que fiz um trabalho de guitarra bonito no disco dele, gosto da banda...
-Você participou, também, do disco do George Israel.
- É outro amigão meu! Fiz uma participação. Precisamos tocar mais vezes, juntos! É um cara talentoso. O sax dele é inconfundível.
- O Rodrigo é um superamigo! Ele quis fazer o trabalho solo dele, que é uma coisa totalmente diferente do meu. O disco dele é para brigar em rádios, tv, na mídia... Ele precisa de mídia e reconhecimento. É um outro caminho da mídia. Eu preciso também da mídia, mas é diferente!. O disco do Rodrigo é um rock popular. Eu participei porque estamos sempre juntos e ele me chamou para tocar guitarra. Tenho maior prazer em tocar com Rodrigo. Faço no amor! Gosto dele, do trabalho dele, acho que fiz um trabalho de guitarra bonito no disco dele, gosto da banda...
-Você participou, também, do disco do George Israel.
- É outro amigão meu! Fiz uma participação. Precisamos tocar mais vezes, juntos! É um cara talentoso. O sax dele é inconfundível.
E a T-Rec?
- A T-Rec é o seguinte: Eu na verdade fiz os Detonautas com um amigo, Marcelo Guapyassú. Ele foi produtor executivo e eu o musical. Depois que fiz os Detonautas, pensei em produzir outras coisas. Eu tocava com Vinny e o Roberto Lly, do Erva Doce e que agora tem o Hervah, é um cara que é produtor. Apresentei o Roberto para o Marcelo e contei a história dele. Começamos a investir numas bandas e pensamos: Estamos fazendo bandas para os outros, porque não fazer para nós. Foi ai que fundamos a T-Rec. Foi mais uma maneira de não ficar sem trabalho. Só que pegamos toda crise do mercado fonográfico, lá atrás. Não sei dizer no que isso vai dar. Sei que tem uma crise. Lançamos Mutreta, O Crivo, Victor Biglione e Andy Summers, Sukhoi, Power Bob... Foi bacana! Nossa experiência na T-Rec, foi uma coisa muito interessante! Inclusive, o Marcelo está escrevendo um livro sobre isso! Tínhamos uma parceria com a Indie Records.... O Líber Gadelha que era amigo do Marcelo e diretor da Indie ficou doente! Foi uma loucura! Vale um dia só para falar da T-Rec.
- A T-Rec é o seguinte: Eu na verdade fiz os Detonautas com um amigo, Marcelo Guapyassú. Ele foi produtor executivo e eu o musical. Depois que fiz os Detonautas, pensei em produzir outras coisas. Eu tocava com Vinny e o Roberto Lly, do Erva Doce e que agora tem o Hervah, é um cara que é produtor. Apresentei o Roberto para o Marcelo e contei a história dele. Começamos a investir numas bandas e pensamos: Estamos fazendo bandas para os outros, porque não fazer para nós. Foi ai que fundamos a T-Rec. Foi mais uma maneira de não ficar sem trabalho. Só que pegamos toda crise do mercado fonográfico, lá atrás. Não sei dizer no que isso vai dar. Sei que tem uma crise. Lançamos Mutreta, O Crivo, Victor Biglione e Andy Summers, Sukhoi, Power Bob... Foi bacana! Nossa experiência na T-Rec, foi uma coisa muito interessante! Inclusive, o Marcelo está escrevendo um livro sobre isso! Tínhamos uma parceria com a Indie Records.... O Líber Gadelha que era amigo do Marcelo e diretor da Indie ficou doente! Foi uma loucura! Vale um dia só para falar da T-Rec.
Nesse ínterim, você não mexeu no seu disco?
- Não. Antes do retorno do Barão, eu co-produzi o segundo disco dos Detonautas com Tom Capone. Aliás, fiquei um tempão com Tom Capone com os Detonautas e depois, eu emendei com o Barão. O Tom faleceu no meio do disco do Barão... O álbum de capa vermelha, homônimo. Depois veio o disco ao vivo gravado no Circo Voador. Ai, eu já estava pensando no meu disco solo e no que faria com ele.
- E o retorno do Barão Vermelho?
- Não sei! Até agora, não sei de nada.
- Não. Antes do retorno do Barão, eu co-produzi o segundo disco dos Detonautas com Tom Capone. Aliás, fiquei um tempão com Tom Capone com os Detonautas e depois, eu emendei com o Barão. O Tom faleceu no meio do disco do Barão... O álbum de capa vermelha, homônimo. Depois veio o disco ao vivo gravado no Circo Voador. Ai, eu já estava pensando no meu disco solo e no que faria com ele.
- E o retorno do Barão Vermelho?
- Não sei! Até agora, não sei de nada.
Publicado originalmente no jornal International Magazine na edição 139 de dezembro de 2007.
janeiro 30, 2008
Jay Vaquer

Depois do grande sucesso de “Você Não Me Conhece”, lançado em 2005, o cantor e compositor, Jay Vaquer está de volta com Formidável Mundo Cão, seu quarto disco de carreira. Produzido por Dunga, que trabalhou com o artista também no cd anterior, masterizado por Leon Zervos - Avril Lavigne, Aerosmith e Maroon 5. O trabalho traz 12 faixas autorais com participação da vocalista da banda Luxúria, Meg Stock, em "Estrela de um Céu Nublado". Outro destaque do trabalho fica por conta de "Longe Aqui", faixa que está tocando nas rádios. “Breve Conto do Velho Babão” e as românticas “Fomos”, “Preciso Poder” e “Noutro Caminho”, são outras canções audíveis presentes no CD. Acompanhado por Dunga (baixista e produtor do disco), Vini Rosa na guitarra e violão e Hiroshi nos teclados, Vaquer mantêm o mesmo padrão de renovação do disco anterior com temas pessimistas. Em poucas falas, Jay concedeu entrevista falando algumas coisas.
Por Elias Nogueira
- O tipo de letra que você faz, não é comum. Onde você consegue inspiração para escrever?
- Observo bastante, leio bastante, ouço bastante, me interesso pela vida, sou curioso e atento! As letras refletem isso, são frutos de tudo que absorvo, filtro, rejeito. De tudo que me estimula e conduz ao processo criativo, tudo que me emociona, cativa, irrita, perturba, fere, seduz, enoja...
- Fale da participação do Meg Stock, da banda Luxúria.
- A Meg é maravilhosa! Sou fã, canta muito, tem muita força na interpretação e compõe com muito talento. Tem muita força, atitude, postura bacana. No palco, a performance é notável. Uma artista espetacular e realmente brilhante. a participação dela no disco mais recente na faixa "Estrela de um céu nublado", que narra a trajetória de um cara que busca encontrar seu espaço em Projacland, foi perfeita! Uma honra para mim.
- Você cresceu escutando The Smiths, The Cure, Legião Urbana, Paul McCartney, Joni Mitchell e Peter Gabriel. O que há de comum entre o artista Jay Vaquer e esses medalhões da música?
- O respeito pela música, pelo ofício...
- Existem artistas polêmicos - Jard's Macalé, Tom Zé, Rogério Skylab, Arrigo Barnabé - Você se considera polêmico?
- Não me acho polêmico.. e não usaria a polêmica como recurso para aparecer.
- Qual o diferencial de "Formidável mundo cão" para os demais discos lançados em sua carreira?
- Existe uma coerência na trajetória toda. Do primeiro ao quarto cd, trata-se do mesmo artista. Faço o meu melhor como sempre e respeitando minha necessidade mais sincera de expressão. Busco aprender com erros e acertos. Busco fazer meu melhor sempre. O quinto disco, também será assim! O meu melhor é ao mesmo tempo, o mínimo e tudo que posso fazer.
Por Elias Nogueira
- O tipo de letra que você faz, não é comum. Onde você consegue inspiração para escrever?
- Observo bastante, leio bastante, ouço bastante, me interesso pela vida, sou curioso e atento! As letras refletem isso, são frutos de tudo que absorvo, filtro, rejeito. De tudo que me estimula e conduz ao processo criativo, tudo que me emociona, cativa, irrita, perturba, fere, seduz, enoja...
- Fale da participação do Meg Stock, da banda Luxúria.
- A Meg é maravilhosa! Sou fã, canta muito, tem muita força na interpretação e compõe com muito talento. Tem muita força, atitude, postura bacana. No palco, a performance é notável. Uma artista espetacular e realmente brilhante. a participação dela no disco mais recente na faixa "Estrela de um céu nublado", que narra a trajetória de um cara que busca encontrar seu espaço em Projacland, foi perfeita! Uma honra para mim.
- Você cresceu escutando The Smiths, The Cure, Legião Urbana, Paul McCartney, Joni Mitchell e Peter Gabriel. O que há de comum entre o artista Jay Vaquer e esses medalhões da música?
- O respeito pela música, pelo ofício...
- Existem artistas polêmicos - Jard's Macalé, Tom Zé, Rogério Skylab, Arrigo Barnabé - Você se considera polêmico?
- Não me acho polêmico.. e não usaria a polêmica como recurso para aparecer.
- Qual o diferencial de "Formidável mundo cão" para os demais discos lançados em sua carreira?
- Existe uma coerência na trajetória toda. Do primeiro ao quarto cd, trata-se do mesmo artista. Faço o meu melhor como sempre e respeitando minha necessidade mais sincera de expressão. Busco aprender com erros e acertos. Busco fazer meu melhor sempre. O quinto disco, também será assim! O meu melhor é ao mesmo tempo, o mínimo e tudo que posso fazer.
janeiro 07, 2008
George Israel

Após sua estréia a três anos do primeiro lançamento em carreira solo com o bom disco ''Quatro letras", o zangão George Israel, detona seu segundo disco como cantor, ''Distorções do meu jardim''. O som do George é claramente uma influência dos Beatles e anos 70. A melhora notada é na interpretação vocal, bem mais segura do que antes e nas composições que se comportam como um verdadeiro álbum. São 12 canções com apelo radiofônico, bom gosto e ótima produção. Em entrevista exclusiva George Israel fala do disco novo, carreira solo e Kid Abelha.
Por Elias Nogueira
- Vamos começar falando do disco novo?
- Este disco foi gravado em boa parte em Teresópolis, casa de meus pais, que venho desde meus dez anos de idade. É um lugar que emana a música e é onde fico nas minhas férias. Fui para lá, porque acho que cada disco tem uma história e esse tipo de movimento acaba dando um sabor diferente em cada trabalho. Isso faz parte do processo caótico do estúdio e usamos muito os acontecimentos e encontros. Fui junto com o Damien Sieth e Nilo Romero que são os produtores do disco. O Damien que é mais técnico, comentou que tinha muita vontade de gravar ao ar livre, coisa que ele nunca havia feito. Mas a sugestão era gravar dentro do jardim. Colocamos toda aparelhagem no jardim e rolou um som bacana!
- O disco inteiro foi gravado assim?
- Não, a metade das bases foi feita desta maneira. O Britos também fizeram uma participação nesse lugar. Tem o lado metafórico e poético da coisa. Várias músicas falam de flores e de plantar no sentido poético. Acabou entrando “As rosas não falam”. Estava tudo muito presente, essas imagens e jardins.
- Você já tinha em mente gravar “As rosas não falam” antes?
- Quando estávamos preparando o show, esta música, nós levávamos de bobeira nos ensaios. Não sei porque, eu puxei por ela e acabou vindo uma harmonia totalmente blues. Ficou diferente da original, mas foi meio, que, sem querer. Sentimos que estava ficando legal e acabamos levando para o show. Fizemos uma temporada de shows durante as gravações do disco que foi na Letras & Expressões de Ipanema, para ver a reação do público. Da mesma forma, como gravar em Teresópolis interferiu no processo de criação e gravação. No show também aconteceu isso. Do meio pro fim do disco, várias músicas entraram devido ao termômetro que os shows ofereceu. Então, entraram “As rosas não falam”, “Mina”...
- Fale de sua parceira com Leoni em “Noite perfeita”, canção que parece muito com os habituais hits do Kid Abelha.
- O primeiro CD não tinha tanto ponto em comum, mas neste disco, eu relaxei em relação a isso. Fui escolhendo as músicas que achava boa e com um resultado bom! Meu processo de escolha não foi um caminhar para alguma coisa que fosse especialmente diferente do que faço no Kid Abelha. Essa música, por acaso, eu compus com Leoni e foi a primeira gravada no disco. Nos encontramos e no começo de janeiro, ele foi para Itaipava assistir o primeiro do show do ano dos Britos. Junto, ele trouxe três letras. Levei as três pra casa e acabei fazendo no violão todas elas de uma vez só! Uma delas era “Noite perfeita”. Depois, nos encontramos para dá uma acertada nas músicas, num clima ótimo, na casa do Leoni em Araras. Gravamos duas em voz e violão e a terceira, era “Noite perfeita” que resolvemos gravar no meu estúdio. Ele tirou o baixo do armário e chamamos o João Barone. Foi assim que disparou o negocio de fazer o disco. Chamei o Nilo Romero para dar uma direção e o resultado foi à gravação que fizemos no dia. A linguagem ficou muito espontânea. É engraçado que começamos juntos, cada um seguiu seu caminho e de repente, nos reencontramos lá na frente... É maior barato!
- Gostaria que falasse das parcerias.
- Esse disco é bacana porque tem um equilíbrio legal entre as músicas que eu fiz sozinho e que acho que é uma característica que você pode explorar com mais intensidade num disco solo. Detectei isso no disco anterior. As músicas que as pessoas mais gostam, são as que eu escrevi também. Talvez, o diferencial num disco solo ou banda, é ser mais pessoal mesmo! Evidenciar mais, sem ficar escondido em canções. A música que escrevi, como por exemplo: “Curados ao sol de Copacabana”, é mais profunda e fala das raízes de minha família. O disco está bem equilibrado como o lado pessoal e as parcerias. Tem até parcerias inéditas com a com a Suely Mesquita “Como você já é” por exemplo. Ela é minha preparadora vocal, super professora de canto que me ajudou bastante. Eu ficava sempre rouco nos shows dos Britos e nunca acreditei que existisse uma solução para isso, mas com a orientação ficou tudo legal. No primeiro disco saí cantando sem experiência de gravar voz e sempre descuidado com a técnica, indo sempre na emoção. Isso limita um pouco. O tempo que estive cantando direto com Os Britos e shows e com essa preparação, deu um upgrade legal. A Suely Mesquita além de professora, tem música gravada com Fernanda Abreu, Pedro Luis... Já tínhamos uma parceria, mas nunca havia gravado nada nosso. “Como você já é” é uma música que eu adoro! É uma letra que até parece que é minha. Tem uma parceria com o Marcelo Camelo, que é um cara que curto as composições. Nunca havia feito nada com ele. Conheci através da Bebel que trabalha com o Kid Abelha e Los Hermanos. Ela fez a ponte e nos encontramos. Nos conhecíamos de bastidores. Mandei, ele curtiu e fico ótima.
- Teve participação do Marcelo Camelo no disco?
- Somente na composição. Ele não cantou. Esse foi o mico dos créditos do disco. (risos)
- Fale mais das parcerias.
- “Mina”, é maior rock que nós (George Israel e Nilo Romero) fizemos com Cazuza. é uma letra daquela safra... O Leo Jaime havia gravado em um de seus discos. O Cazuza chegou a gravar mas não entrou em disco nenhum. Dei um trato diferente, levei para um lado mais rhythm blues, no qual eu poderia tocar saxofone, a composição é a mesma, funcionou muito bem no show e entrou no disco. Com Alvim L., tenho feito algumas coisas em parceria. A faixa “Alguém como você” foi enviada para o Paul Ralf que estava produzindo Sandy & Junior e acabou entrando também no disco da dupla. De qualquer forma, deixei entrar no meu disco. Tem a “Eu posso falar mais alto” que é uma letra maravilhosa do Alvim. Ele mesmo diz que é uma das letras que ele mais gosta. A música ficou bem bacana com a participação dos Britos e, é uma letra muito especial. Tem o Hélio Rocha na faixa “No amor que vem” que foi produzido pelo Marcelinho da Lua. O Hélio tem uma banda punk. Ele é tipo de uma ovelha negra da Bahia! Ele compõe bem! Ele é meu amigo dos tempos de fogueira e roda de violão. Tenho vontade de produzir um disco dele.
- Nessa faixa, a formação dos músicos é totalmente diferente de todo o disco.
- Exatamente. Isso é outra galera que conheço através do meu primo Rodrigo Cha, que é saxofonista e estará lançando disco. Ele toca com Bossa Cuca Nova. Eu me aproximei do Marcelinho da Lua e do Alexandre Moreira. De vez em quando faço participação no show deles. É uma forma totalmente diferente de produzir e fazer música. Nessa faixa, não é puro e simplesmente fazer um remix. Nos encontramos e achamos uma praia em comum. Gosto do som deles e foi maior astral.
- Sempre que o Guto Goffi compõe algo, pelo que percebo, é ele quem faz a bateria. Isso não ocorreu agora.
- “O céu que nos protege”, é uma coisa engraçada. É a faixa mais estúdio do disco. É a música que o Nilo e o Damien começaram com bit, uma textura sonora mais viajante e menos tocado. Um dia o meu filho Leonardo de 11 anos, que é baterista, estávamos gravando uma bateria. Eu comentei com o Nilo que gostaria que meu filho tocasse em uma faixa. Tive a idéia de fazer uma outra música mas por acaso, os produtores estavam mexendo nessa música. Só que ele chegou da escola e tinha uma hora pra gravar, e começou a fazer um som de bateria e os caras falaram: - Deixa ele e não vamos falar nada. Faz quatro takes e depois arrumamos. Ele está tocando muito espontâneo, fazendo um som típico dos anos 70. O Guto ficou amarradão. O Leo já deu várias canjas nos Britos e o Guto é super carinhoso com ele e dá maior força. Quando Os Britos foram para Inglaterra, levei o Leo comigo e ele não desgrudava do Guto. Ele tocou no DVD também! Engraçado que quando eu saia com minha mulher (na Inglaterra), ele dizia que queria sair com o Guto! É maior delicia em poder fazer coisas junto dos filhos. Essa faixa é uma parceria minha com Guto Goffi e Dadi.
- E o Jorge Mautner?
- O Mautner é tipo um mestre! Já tinha uma parceria com ele no Kid Abelha. É sempre bom estar perto dele. É m cara de grande conhecimento, um grande poeta e também é descendente judeu. Esse foi dos motivos que o chamei e ele tem idéias maravilhosas. Ele me fala que o pai dele o criou pra ser uma arma antifascista e antinazista. Acho isso maravilhoso! Uma mente delirante com informação! A tua arma é seu pensamento! Do caramba! Realmente o Brasil é uma geléia geral. Na música “Curados ao Sol de Copacabana” eu cito o livro do Darcy Ribeiro “O povo brasileiro” que é essa mistura geral de tempero, essa bagunça étnica que é bacana e que dá um diferencial. Existe preconceito secular, mas existe um convívio bacana! Um dia, participando de um programa de entrevista numa tv, estava eu falando sobre essa música. Tinha um livro que havia sido escrito por um árabe e um judeu, juntos. Eu acho o convívio, de origens diferentes, magnífico! Essa música é um pouco disso. É um pouco da história de minha família e de várias que foram arrancadas de suas vidas pela insanidade! Por outro lado, tem a onda da poesia de chegar nos trópicos e falar das coisas do Brasil, que não eram exatamente daquela época. Têm desde o Pão de Açúcar, Bossa Nova, Jorge Mautner, Erasmo, Gabeira... Manga sobre a mesa. São imagens que tenho e o maior barato, é que é o Brasil! Chegar da guerra, com aquela destruição toda.. Entrar num país desse com muita luz... Olhar também como crítico e jogar também um olhar deslumbrado e tropicalista. O Jorge Mautner é o cara, que por eu ter lido o livro dele, me inspirou escrever essa letra. Nessa música tem a participação também do Jorge Drexler, que não está no disco, mas está no site que vai ter umas versões acústicas de algumas músicas, processo de gravação e etc.
- Quando compõe em parceria, as letras é você quem faz?
- Geralmente eu faço, mais, as músicas. A maioria de meus parceiros são letristas. Eles já fizeram a melodia e música também. Com a Paula (Toller) em 90% das composições, ela me dá a letra e eu faço a música ou mando á música e ela faz a letra. Depois nos encontramos pra dar uma lapidada e, de repente dou uma sugestão na letra e ela muda uma coisa na música. Eu tenho muito mais facilidade em fazer a música. A letra é uma coisa que exige mais de mim. Eu escrevo e tal, mas é uma coisa mais demorada. Música eu encaro mais como curtição e flui muito bem. Antigamente eu fazia a coisa muito de supetão. Ultimamente faço de supetão, mas depois gosto de ficar lapidando.
- Em entrevista o Roberto Carlos disse que o disco dele nunca é finalizado. Ele entrega porque tem compromisso com gravadora. Você é assim também?
- Cara, não tem ninguém que não seja assim. Claro que cada qual com um nível. Tem que ter um produtor para administrar e falar: - Chega de viajar! O que acontece é o seguinte: O mais importante é o repertório. No processo do disco, você vai achando que está faltando uma música mais assim... E faz. A coisa fica empolgada... E daqui a pouco começa a virar loucura. É muito tempo investido em cada música.
- Já aconteceu do disco ficar pronto e quando você escuta, acha que poderia ter feito diferente?
- Nesse disco, eu me rebelei e achei que deveria escrever sobre o que falamos em “Curados ao Sol de Copacabana” achei que aquele assunto era vital. Fui numa palestra de um sobrevivente dos campos de concentração e a missão dele era lembrar o passado para que isso nunca mais venha acontecer. Sentir-me na obrigação de fazer algo e o disco já havia terminado e os produtores estavam viajando. Como não dava pra fazer outra música, peguei uma canção que tinha feito e que era de menos importância, fiquei com a base da música e coloquei a letra em cima. Mandei por MP3 e saiu tudo certo. Já estava com a participação do Mautner e tudo. Foram dois dias de loucura.
- Você gravou, o disco, cercado de diferentes músicos. Artistas contemporâneos e até mais jovens. Rodrigo Santos, Fernando Magalhães, Paula Toller, Frejat, Guto Goffi... Todos integrantes de bandas renomadas e estão fazendo ou preparando trabalho solo, seja em disco ou em show. Fale sobre isso?
- Um turbilhão de coisas aconteceu nesses dois anos. Essa história com Os Britos veio com muita força e espontaneidade, e virou uma banda de verdade! Rolou uma química. Viajamos duas vezes para Inglaterra e em cada uma delas ficamos duas semanas, curtindo muito, indo a lugares que antes nunca tínhamos ido com o Kid Abelha e nem com o Barão Vermelho. A banda foi ficando mais coesa, com cara própria e as pessoas que acompanharam, sacaram a dimensão da coisa! Depois começamos fazer músicas, cada um fazendo sua composição e misturando com a dos demais. Todos com projetos solos... Nós estávamos com a criatividade muito exposta e aguçada. Era uma competição saudável, cada um querendo compor mais que os outros. Acho que isso foi um momento surpreendente! Na altura do campeonato acontecer tudo isso! (risos) Agora, um participar do disco do outro, acho muito legal! Estamos cercados de músicos que são apaixonados pelo que fazem e todos são experientes. Desta forma, as coisas rolam fáceis! No meu primeiro, disco fiquei positivamente surpreso com a disponibilidade! Teve Lulu Santos, Sergio Dias, Liminha... Uma galera que muitas vezes estão ocupados. Percebi que isso que é a grande curtição no show do Neil Young no Rock in Rio! Deu uma luz f...! Os caras, todos com mais de 60 anos e ele tocando junto com a Crazy Horse. Fizeram uma ambientação para o palco de um festival com mais de cem mil pessoas. Saquei a onda deles quando percebi que eles fizeram do palco a sala da casa deles. Eles não tinham monitores era tudo um site feel, colocaram umas velas, estátuas, tapetes... Eles estavam levando muito som e fazendo o que eles gostam. Isso foi o que eles me passaram!
- Kid Abelha volta quando?
- Nós combinamos tirar um ano de férias. É o tempo natural de um clico. Nós já tínhamos combinado, desde julho do ano passado, quando a Paula estava querendo fazer o disco solo. Acho que paramos no momento certo. Não cortamos nada e fluiu bem a coisa do acústico. Até a hora em que paramos, ele (Acústico do Kid Abelha) estava entre os dez discos mais vendidos. quatro anos depois do lançamento. Depois lançamos o “Pega vida” que é um disco que todos nós gostamos muito. Achamos o melhor disco de estúdio que lançamos. Terminamos a turnê com um show no reveillon com as famílias reunidas! Foi uma coisa bacana! O barato do Kid Abelha é que sempre fazemos as coisas com tesão! Com certeza faremos um disco novo em 2008. Agora o que vai acontecer depois, eu não sei! Vamos esperar as coisas acontecerem.
Publicado originalmente na edição 138 do jornal International Magazine – Novembro de 2007
Por Elias Nogueira
- Vamos começar falando do disco novo?
- Este disco foi gravado em boa parte em Teresópolis, casa de meus pais, que venho desde meus dez anos de idade. É um lugar que emana a música e é onde fico nas minhas férias. Fui para lá, porque acho que cada disco tem uma história e esse tipo de movimento acaba dando um sabor diferente em cada trabalho. Isso faz parte do processo caótico do estúdio e usamos muito os acontecimentos e encontros. Fui junto com o Damien Sieth e Nilo Romero que são os produtores do disco. O Damien que é mais técnico, comentou que tinha muita vontade de gravar ao ar livre, coisa que ele nunca havia feito. Mas a sugestão era gravar dentro do jardim. Colocamos toda aparelhagem no jardim e rolou um som bacana!
- O disco inteiro foi gravado assim?
- Não, a metade das bases foi feita desta maneira. O Britos também fizeram uma participação nesse lugar. Tem o lado metafórico e poético da coisa. Várias músicas falam de flores e de plantar no sentido poético. Acabou entrando “As rosas não falam”. Estava tudo muito presente, essas imagens e jardins.
- Você já tinha em mente gravar “As rosas não falam” antes?
- Quando estávamos preparando o show, esta música, nós levávamos de bobeira nos ensaios. Não sei porque, eu puxei por ela e acabou vindo uma harmonia totalmente blues. Ficou diferente da original, mas foi meio, que, sem querer. Sentimos que estava ficando legal e acabamos levando para o show. Fizemos uma temporada de shows durante as gravações do disco que foi na Letras & Expressões de Ipanema, para ver a reação do público. Da mesma forma, como gravar em Teresópolis interferiu no processo de criação e gravação. No show também aconteceu isso. Do meio pro fim do disco, várias músicas entraram devido ao termômetro que os shows ofereceu. Então, entraram “As rosas não falam”, “Mina”...
- Fale de sua parceira com Leoni em “Noite perfeita”, canção que parece muito com os habituais hits do Kid Abelha.
- O primeiro CD não tinha tanto ponto em comum, mas neste disco, eu relaxei em relação a isso. Fui escolhendo as músicas que achava boa e com um resultado bom! Meu processo de escolha não foi um caminhar para alguma coisa que fosse especialmente diferente do que faço no Kid Abelha. Essa música, por acaso, eu compus com Leoni e foi a primeira gravada no disco. Nos encontramos e no começo de janeiro, ele foi para Itaipava assistir o primeiro do show do ano dos Britos. Junto, ele trouxe três letras. Levei as três pra casa e acabei fazendo no violão todas elas de uma vez só! Uma delas era “Noite perfeita”. Depois, nos encontramos para dá uma acertada nas músicas, num clima ótimo, na casa do Leoni em Araras. Gravamos duas em voz e violão e a terceira, era “Noite perfeita” que resolvemos gravar no meu estúdio. Ele tirou o baixo do armário e chamamos o João Barone. Foi assim que disparou o negocio de fazer o disco. Chamei o Nilo Romero para dar uma direção e o resultado foi à gravação que fizemos no dia. A linguagem ficou muito espontânea. É engraçado que começamos juntos, cada um seguiu seu caminho e de repente, nos reencontramos lá na frente... É maior barato!
- Gostaria que falasse das parcerias.
- Esse disco é bacana porque tem um equilíbrio legal entre as músicas que eu fiz sozinho e que acho que é uma característica que você pode explorar com mais intensidade num disco solo. Detectei isso no disco anterior. As músicas que as pessoas mais gostam, são as que eu escrevi também. Talvez, o diferencial num disco solo ou banda, é ser mais pessoal mesmo! Evidenciar mais, sem ficar escondido em canções. A música que escrevi, como por exemplo: “Curados ao sol de Copacabana”, é mais profunda e fala das raízes de minha família. O disco está bem equilibrado como o lado pessoal e as parcerias. Tem até parcerias inéditas com a com a Suely Mesquita “Como você já é” por exemplo. Ela é minha preparadora vocal, super professora de canto que me ajudou bastante. Eu ficava sempre rouco nos shows dos Britos e nunca acreditei que existisse uma solução para isso, mas com a orientação ficou tudo legal. No primeiro disco saí cantando sem experiência de gravar voz e sempre descuidado com a técnica, indo sempre na emoção. Isso limita um pouco. O tempo que estive cantando direto com Os Britos e shows e com essa preparação, deu um upgrade legal. A Suely Mesquita além de professora, tem música gravada com Fernanda Abreu, Pedro Luis... Já tínhamos uma parceria, mas nunca havia gravado nada nosso. “Como você já é” é uma música que eu adoro! É uma letra que até parece que é minha. Tem uma parceria com o Marcelo Camelo, que é um cara que curto as composições. Nunca havia feito nada com ele. Conheci através da Bebel que trabalha com o Kid Abelha e Los Hermanos. Ela fez a ponte e nos encontramos. Nos conhecíamos de bastidores. Mandei, ele curtiu e fico ótima.
- Teve participação do Marcelo Camelo no disco?
- Somente na composição. Ele não cantou. Esse foi o mico dos créditos do disco. (risos)
- Fale mais das parcerias.
- “Mina”, é maior rock que nós (George Israel e Nilo Romero) fizemos com Cazuza. é uma letra daquela safra... O Leo Jaime havia gravado em um de seus discos. O Cazuza chegou a gravar mas não entrou em disco nenhum. Dei um trato diferente, levei para um lado mais rhythm blues, no qual eu poderia tocar saxofone, a composição é a mesma, funcionou muito bem no show e entrou no disco. Com Alvim L., tenho feito algumas coisas em parceria. A faixa “Alguém como você” foi enviada para o Paul Ralf que estava produzindo Sandy & Junior e acabou entrando também no disco da dupla. De qualquer forma, deixei entrar no meu disco. Tem a “Eu posso falar mais alto” que é uma letra maravilhosa do Alvim. Ele mesmo diz que é uma das letras que ele mais gosta. A música ficou bem bacana com a participação dos Britos e, é uma letra muito especial. Tem o Hélio Rocha na faixa “No amor que vem” que foi produzido pelo Marcelinho da Lua. O Hélio tem uma banda punk. Ele é tipo de uma ovelha negra da Bahia! Ele compõe bem! Ele é meu amigo dos tempos de fogueira e roda de violão. Tenho vontade de produzir um disco dele.
- Nessa faixa, a formação dos músicos é totalmente diferente de todo o disco.
- Exatamente. Isso é outra galera que conheço através do meu primo Rodrigo Cha, que é saxofonista e estará lançando disco. Ele toca com Bossa Cuca Nova. Eu me aproximei do Marcelinho da Lua e do Alexandre Moreira. De vez em quando faço participação no show deles. É uma forma totalmente diferente de produzir e fazer música. Nessa faixa, não é puro e simplesmente fazer um remix. Nos encontramos e achamos uma praia em comum. Gosto do som deles e foi maior astral.
- Sempre que o Guto Goffi compõe algo, pelo que percebo, é ele quem faz a bateria. Isso não ocorreu agora.
- “O céu que nos protege”, é uma coisa engraçada. É a faixa mais estúdio do disco. É a música que o Nilo e o Damien começaram com bit, uma textura sonora mais viajante e menos tocado. Um dia o meu filho Leonardo de 11 anos, que é baterista, estávamos gravando uma bateria. Eu comentei com o Nilo que gostaria que meu filho tocasse em uma faixa. Tive a idéia de fazer uma outra música mas por acaso, os produtores estavam mexendo nessa música. Só que ele chegou da escola e tinha uma hora pra gravar, e começou a fazer um som de bateria e os caras falaram: - Deixa ele e não vamos falar nada. Faz quatro takes e depois arrumamos. Ele está tocando muito espontâneo, fazendo um som típico dos anos 70. O Guto ficou amarradão. O Leo já deu várias canjas nos Britos e o Guto é super carinhoso com ele e dá maior força. Quando Os Britos foram para Inglaterra, levei o Leo comigo e ele não desgrudava do Guto. Ele tocou no DVD também! Engraçado que quando eu saia com minha mulher (na Inglaterra), ele dizia que queria sair com o Guto! É maior delicia em poder fazer coisas junto dos filhos. Essa faixa é uma parceria minha com Guto Goffi e Dadi.
- E o Jorge Mautner?
- O Mautner é tipo um mestre! Já tinha uma parceria com ele no Kid Abelha. É sempre bom estar perto dele. É m cara de grande conhecimento, um grande poeta e também é descendente judeu. Esse foi dos motivos que o chamei e ele tem idéias maravilhosas. Ele me fala que o pai dele o criou pra ser uma arma antifascista e antinazista. Acho isso maravilhoso! Uma mente delirante com informação! A tua arma é seu pensamento! Do caramba! Realmente o Brasil é uma geléia geral. Na música “Curados ao Sol de Copacabana” eu cito o livro do Darcy Ribeiro “O povo brasileiro” que é essa mistura geral de tempero, essa bagunça étnica que é bacana e que dá um diferencial. Existe preconceito secular, mas existe um convívio bacana! Um dia, participando de um programa de entrevista numa tv, estava eu falando sobre essa música. Tinha um livro que havia sido escrito por um árabe e um judeu, juntos. Eu acho o convívio, de origens diferentes, magnífico! Essa música é um pouco disso. É um pouco da história de minha família e de várias que foram arrancadas de suas vidas pela insanidade! Por outro lado, tem a onda da poesia de chegar nos trópicos e falar das coisas do Brasil, que não eram exatamente daquela época. Têm desde o Pão de Açúcar, Bossa Nova, Jorge Mautner, Erasmo, Gabeira... Manga sobre a mesa. São imagens que tenho e o maior barato, é que é o Brasil! Chegar da guerra, com aquela destruição toda.. Entrar num país desse com muita luz... Olhar também como crítico e jogar também um olhar deslumbrado e tropicalista. O Jorge Mautner é o cara, que por eu ter lido o livro dele, me inspirou escrever essa letra. Nessa música tem a participação também do Jorge Drexler, que não está no disco, mas está no site que vai ter umas versões acústicas de algumas músicas, processo de gravação e etc.
- Quando compõe em parceria, as letras é você quem faz?
- Geralmente eu faço, mais, as músicas. A maioria de meus parceiros são letristas. Eles já fizeram a melodia e música também. Com a Paula (Toller) em 90% das composições, ela me dá a letra e eu faço a música ou mando á música e ela faz a letra. Depois nos encontramos pra dar uma lapidada e, de repente dou uma sugestão na letra e ela muda uma coisa na música. Eu tenho muito mais facilidade em fazer a música. A letra é uma coisa que exige mais de mim. Eu escrevo e tal, mas é uma coisa mais demorada. Música eu encaro mais como curtição e flui muito bem. Antigamente eu fazia a coisa muito de supetão. Ultimamente faço de supetão, mas depois gosto de ficar lapidando.
- Em entrevista o Roberto Carlos disse que o disco dele nunca é finalizado. Ele entrega porque tem compromisso com gravadora. Você é assim também?
- Cara, não tem ninguém que não seja assim. Claro que cada qual com um nível. Tem que ter um produtor para administrar e falar: - Chega de viajar! O que acontece é o seguinte: O mais importante é o repertório. No processo do disco, você vai achando que está faltando uma música mais assim... E faz. A coisa fica empolgada... E daqui a pouco começa a virar loucura. É muito tempo investido em cada música.
- Já aconteceu do disco ficar pronto e quando você escuta, acha que poderia ter feito diferente?
- Nesse disco, eu me rebelei e achei que deveria escrever sobre o que falamos em “Curados ao Sol de Copacabana” achei que aquele assunto era vital. Fui numa palestra de um sobrevivente dos campos de concentração e a missão dele era lembrar o passado para que isso nunca mais venha acontecer. Sentir-me na obrigação de fazer algo e o disco já havia terminado e os produtores estavam viajando. Como não dava pra fazer outra música, peguei uma canção que tinha feito e que era de menos importância, fiquei com a base da música e coloquei a letra em cima. Mandei por MP3 e saiu tudo certo. Já estava com a participação do Mautner e tudo. Foram dois dias de loucura.
- Você gravou, o disco, cercado de diferentes músicos. Artistas contemporâneos e até mais jovens. Rodrigo Santos, Fernando Magalhães, Paula Toller, Frejat, Guto Goffi... Todos integrantes de bandas renomadas e estão fazendo ou preparando trabalho solo, seja em disco ou em show. Fale sobre isso?
- Um turbilhão de coisas aconteceu nesses dois anos. Essa história com Os Britos veio com muita força e espontaneidade, e virou uma banda de verdade! Rolou uma química. Viajamos duas vezes para Inglaterra e em cada uma delas ficamos duas semanas, curtindo muito, indo a lugares que antes nunca tínhamos ido com o Kid Abelha e nem com o Barão Vermelho. A banda foi ficando mais coesa, com cara própria e as pessoas que acompanharam, sacaram a dimensão da coisa! Depois começamos fazer músicas, cada um fazendo sua composição e misturando com a dos demais. Todos com projetos solos... Nós estávamos com a criatividade muito exposta e aguçada. Era uma competição saudável, cada um querendo compor mais que os outros. Acho que isso foi um momento surpreendente! Na altura do campeonato acontecer tudo isso! (risos) Agora, um participar do disco do outro, acho muito legal! Estamos cercados de músicos que são apaixonados pelo que fazem e todos são experientes. Desta forma, as coisas rolam fáceis! No meu primeiro, disco fiquei positivamente surpreso com a disponibilidade! Teve Lulu Santos, Sergio Dias, Liminha... Uma galera que muitas vezes estão ocupados. Percebi que isso que é a grande curtição no show do Neil Young no Rock in Rio! Deu uma luz f...! Os caras, todos com mais de 60 anos e ele tocando junto com a Crazy Horse. Fizeram uma ambientação para o palco de um festival com mais de cem mil pessoas. Saquei a onda deles quando percebi que eles fizeram do palco a sala da casa deles. Eles não tinham monitores era tudo um site feel, colocaram umas velas, estátuas, tapetes... Eles estavam levando muito som e fazendo o que eles gostam. Isso foi o que eles me passaram!
- Kid Abelha volta quando?
- Nós combinamos tirar um ano de férias. É o tempo natural de um clico. Nós já tínhamos combinado, desde julho do ano passado, quando a Paula estava querendo fazer o disco solo. Acho que paramos no momento certo. Não cortamos nada e fluiu bem a coisa do acústico. Até a hora em que paramos, ele (Acústico do Kid Abelha) estava entre os dez discos mais vendidos. quatro anos depois do lançamento. Depois lançamos o “Pega vida” que é um disco que todos nós gostamos muito. Achamos o melhor disco de estúdio que lançamos. Terminamos a turnê com um show no reveillon com as famílias reunidas! Foi uma coisa bacana! O barato do Kid Abelha é que sempre fazemos as coisas com tesão! Com certeza faremos um disco novo em 2008. Agora o que vai acontecer depois, eu não sei! Vamos esperar as coisas acontecerem.
Publicado originalmente na edição 138 do jornal International Magazine – Novembro de 2007
dezembro 14, 2007
Pitty

Em coletiva on-line - 20 de setembro de 2007- Pitty falou sobre seu novo trabalho, o CD/DVD {Dês}concerto vivo (Deckdisc). O disco traz a show da turnê “Anacrônico”, nome do álbum mais recente da roqueira baiana, lançado há pouco mais de dois anos. Veja os melhores momentos da coletiva.
Identidade Pitty.
- Cem por cento. Tudo que acontece no meu trabalho é feito na questão de parcerias. Se eu chamo a Joana - Mazzucchelli, diretora- pra dirigir esse DVD, tudo parte do principio de sentar e conversar pra ver como vai ser. ela tem a assinatura e jeito próprio de dirigi. Eu tenho também o meu conceito e agente precisa conciliar essas duas coisas. Desde o principio agente trocou muita idéia, viu referencias juntas, trocamos vídeos. Eu não conseguiria fazer nada na minha vida se não fosse assim.
Mistério.
- Existe um mistério mesmo, sempre fui atraída pelas sombras e sempre gostei muito desse conceito. E todas as bandas que eu gosto carregam isso. Existe muito mais mistério nisso, pensar que você viu… interpretar uma imagem. Eu me sinto mais confortável no escuro, mais protegida.
Auge.
- Se é auge eu não sei. Acho que auge é uma coisa que passa… não sei o que é auge. A gente resolveu fazer esse DVD agora pra suprir uma necessidade de fechar um ciclo. Estamos vindo de dois discos, uma turnê de cinco anos que praticamente emendou a primeira com a segunda sem parar. É óbvio que eu já penso em fazer o terceiro disco, mas me deu essa sensação que pra fazer esse terceiro disco e também, precisava dar uma reclicada. Quero ter um tempo de ócio pra poder “armazenar munição”. Ler mais livros, ouvir novas músicas, criar coisas novas. Dá pânico só de pensar que eu posso continuar repetindo o que eu já fiz só porque deu certo.
Sem convidados especiais.
- Não chamei ninguém porque é o primeiro da banda. Eu achei que tinha que ser só a gente mesmo, tocando as nossas músicas, sem cover nem nada. Eu queria que as pessoas vissem o show como ele é.
Novo som.
- Música é um aprendizado. Quando eu gravei o primeiro disco era a primeira vez que eu entrava num estúdio pra fazer um lance profissional. O que eu contava era com a experiência das pessoas que estavam comigo. Ao longo desse tempo, além da experiência dessa galera, a gente vai somando a nossa pegada de já entrar sabendo o que vai fazer. Quando eu faço música eu não penso nisso de “formato”. A entrada do Martin (guitarra) na banda tem a ver com isso também.
A novidade fica por conta de duas novas canções no repertório.
Influenciar seus fãs.
- Eu não sei por que partem do principio que artista é educador, que a gente tem de ser didático. A gente não tem que ser didático. A gente tem que se expressar. No caso de “Pulsos”, essa coisa de cortar os pulsos no final como uma saída de emergência é uma metáfora. Isso pode ser interpretado em milhões de formas. Se você desiste de alguma coisa você às vezes diz “vou ali cortar os pulsos e já volto”. As pessoas precisam ir além da superficialidade e interpretar as coisas de uma forma mais profunda. E não só as músicas, mas também os livros que elas lêem e os programas que elas assistem.
DVD fora dos padrões atuais.
- Queríamos que o produto final fosse independente no sentido que a gente tivesse liberdade pra fazer do nosso jeito. Em termos estéticos, sonoros. Tinha que ser nosso.
DVD/CD ao vivo após, apenas, dois.
- Enquanto as pessoas estão pensando em “apenas” dois discos eu já estou pensando em “já” dois discos. Hoje em dia tudo é muito mais rápido e as pessoas aqui no Brasil estão presas a uma mentalidade que não entendo. Elas pensam que gravar DVD ao vivo é uma tábua de salvação para uma banda que está decadente. Isso talvez seja por causa dessa leva de DVD´s ao vivo e acústicos. Às vezes, a banda nem existe mais e faz acústico. Eu acho que isso deixou o público com uma má impressão do formato. Enquanto isso, lá fora, toda banda fodona e no auge encerra a turnê com DVD. Por conta desse pensamento que eu consegui ver a última turnê do Muse, do Queens of the Stone Age.
As canções preferidas - ao vivo.
- Eu gostei muito de “Ignorin´U”. Adorei também “Na sua estante”. “Pulsos” ficou legal, levando em consideração que é uma música nova e a gente ainda tava testando ela em alguns shows.
Referências.
- Uma referência: Tive a oportunidade de ver ao vivo, naquele esquema bem noir, o show do Nine Inch Nails no Brasil. O clima do show dos caras é um absurdo. É só luz de contra. Por mim, eu faria um show inteiro só com luz de contra. Mas aí já é “The Cure” demais. Eu gosto muito desse estilo Bauhaus.
Crise do mercado fonográfico.
- Quando assinei com a Deckdisc, a coisa já era muito diferente do que a gente ouvia falar. Assinou com a gravadora? Vai ter limusine na porta, banho de champagne, rockstar… isso não existe. Você precisa coordenar melhor às coisas e agir de acordo com o que você tem. Na Deck, a galera tem a mentalidade de independente, embora tenha um poder de fogo um pouco maior. E isso é muito bacana porque você vai fazendo as coisas conforme o resultado. Você não viaja em coisas astronômicas. Eu não sei o que vai acontecer com o mercado. O que sei é que: Vou continuar fazendo música e me adaptando as circunstâncias que aparecerem. Chegamos a pensar esse DVD em pen drive. Buscamos sempre alternativas novas.
Relação com fãs.- O contato acontece mais pela internet. Existem listas de discussão sobre a banda no site, onde tem um blog também. Pro DVD a gente criou um site para facilitar a vida dos fãs que queriam participar da gravação. Disponibilizamos “Pulsos” no site.
Experiência desse período.
- Fico feliz de olhar para trás e ver que todas as escolhas que fizemos por mais arriscadas que fossem, mas deram certo. Fizemos coisas, que teoricamente, não era pra fazer. O primeiro single da banda, Poe exemplo, era uma música de cinco minutos com parte em inglês. Loucura! Tenho muito orgulho das coisas que a gente fez.
Interpretação da mídia.
- Tem uma galera que não se deixa levar por essa coisa meio - adolescente e cult - de meter o pau no que está dando certo. Se tocar no rádio, é ruim. Legal é o Klaxons? E tem outra linha que já pensa: Gostando ou não, o trabalho daquela pessoa está rolando. Qualquer pessoa tem o direito de não gostar. O que acho chato é quando a pessoa é leviana, quando não tem embasamento nenhum pra falar.
30 anos, mas permanece no universo típico pós-adolescente.
- Claro! Minha idade mental é de 13 anos! Eu não faço música pensando em quem vai me ouvir. Pode ser um moleque de 15 ou um cara de 45 anos de idade. Eu faço música para expressar o que eu sinto e penso. Um paradigma que existe e é difícil de ser quebrado é o seguinte: O rock é tipicamente uma música jovem. O fato de se convencionar que o rock é uma música de adolescente acaba afastando um monte de adulto. Se alguém diz “Você ouve Pitty? Música de criança né?”. A pessoa já pensa que pode não gostar. Adulto tem que gostar de Burt Bacharach ou qualquer coisa cult.
- Carreira internacional.
- Já tocamos duas vezes em Portugal, fizemos dois shows no Japão e agora estamos indo para Buenos Aires fazer dois shows. Nunca fizemos projeções internacionais. Sempre fizemos a coisa passo a passo. Se rolar a oportunidade de lançar o disco por algum selo em outro país, legal.
Publicado na jornal International Magazine (capa) edição 138, novembro de 2007.
Identidade Pitty.
- Cem por cento. Tudo que acontece no meu trabalho é feito na questão de parcerias. Se eu chamo a Joana - Mazzucchelli, diretora- pra dirigir esse DVD, tudo parte do principio de sentar e conversar pra ver como vai ser. ela tem a assinatura e jeito próprio de dirigi. Eu tenho também o meu conceito e agente precisa conciliar essas duas coisas. Desde o principio agente trocou muita idéia, viu referencias juntas, trocamos vídeos. Eu não conseguiria fazer nada na minha vida se não fosse assim.
Mistério.
- Existe um mistério mesmo, sempre fui atraída pelas sombras e sempre gostei muito desse conceito. E todas as bandas que eu gosto carregam isso. Existe muito mais mistério nisso, pensar que você viu… interpretar uma imagem. Eu me sinto mais confortável no escuro, mais protegida.
Auge.
- Se é auge eu não sei. Acho que auge é uma coisa que passa… não sei o que é auge. A gente resolveu fazer esse DVD agora pra suprir uma necessidade de fechar um ciclo. Estamos vindo de dois discos, uma turnê de cinco anos que praticamente emendou a primeira com a segunda sem parar. É óbvio que eu já penso em fazer o terceiro disco, mas me deu essa sensação que pra fazer esse terceiro disco e também, precisava dar uma reclicada. Quero ter um tempo de ócio pra poder “armazenar munição”. Ler mais livros, ouvir novas músicas, criar coisas novas. Dá pânico só de pensar que eu posso continuar repetindo o que eu já fiz só porque deu certo.
Sem convidados especiais.
- Não chamei ninguém porque é o primeiro da banda. Eu achei que tinha que ser só a gente mesmo, tocando as nossas músicas, sem cover nem nada. Eu queria que as pessoas vissem o show como ele é.
Novo som.
- Música é um aprendizado. Quando eu gravei o primeiro disco era a primeira vez que eu entrava num estúdio pra fazer um lance profissional. O que eu contava era com a experiência das pessoas que estavam comigo. Ao longo desse tempo, além da experiência dessa galera, a gente vai somando a nossa pegada de já entrar sabendo o que vai fazer. Quando eu faço música eu não penso nisso de “formato”. A entrada do Martin (guitarra) na banda tem a ver com isso também.
A novidade fica por conta de duas novas canções no repertório.
Influenciar seus fãs.
- Eu não sei por que partem do principio que artista é educador, que a gente tem de ser didático. A gente não tem que ser didático. A gente tem que se expressar. No caso de “Pulsos”, essa coisa de cortar os pulsos no final como uma saída de emergência é uma metáfora. Isso pode ser interpretado em milhões de formas. Se você desiste de alguma coisa você às vezes diz “vou ali cortar os pulsos e já volto”. As pessoas precisam ir além da superficialidade e interpretar as coisas de uma forma mais profunda. E não só as músicas, mas também os livros que elas lêem e os programas que elas assistem.
DVD fora dos padrões atuais.
- Queríamos que o produto final fosse independente no sentido que a gente tivesse liberdade pra fazer do nosso jeito. Em termos estéticos, sonoros. Tinha que ser nosso.
DVD/CD ao vivo após, apenas, dois.
- Enquanto as pessoas estão pensando em “apenas” dois discos eu já estou pensando em “já” dois discos. Hoje em dia tudo é muito mais rápido e as pessoas aqui no Brasil estão presas a uma mentalidade que não entendo. Elas pensam que gravar DVD ao vivo é uma tábua de salvação para uma banda que está decadente. Isso talvez seja por causa dessa leva de DVD´s ao vivo e acústicos. Às vezes, a banda nem existe mais e faz acústico. Eu acho que isso deixou o público com uma má impressão do formato. Enquanto isso, lá fora, toda banda fodona e no auge encerra a turnê com DVD. Por conta desse pensamento que eu consegui ver a última turnê do Muse, do Queens of the Stone Age.
As canções preferidas - ao vivo.
- Eu gostei muito de “Ignorin´U”. Adorei também “Na sua estante”. “Pulsos” ficou legal, levando em consideração que é uma música nova e a gente ainda tava testando ela em alguns shows.
Referências.
- Uma referência: Tive a oportunidade de ver ao vivo, naquele esquema bem noir, o show do Nine Inch Nails no Brasil. O clima do show dos caras é um absurdo. É só luz de contra. Por mim, eu faria um show inteiro só com luz de contra. Mas aí já é “The Cure” demais. Eu gosto muito desse estilo Bauhaus.
Crise do mercado fonográfico.
- Quando assinei com a Deckdisc, a coisa já era muito diferente do que a gente ouvia falar. Assinou com a gravadora? Vai ter limusine na porta, banho de champagne, rockstar… isso não existe. Você precisa coordenar melhor às coisas e agir de acordo com o que você tem. Na Deck, a galera tem a mentalidade de independente, embora tenha um poder de fogo um pouco maior. E isso é muito bacana porque você vai fazendo as coisas conforme o resultado. Você não viaja em coisas astronômicas. Eu não sei o que vai acontecer com o mercado. O que sei é que: Vou continuar fazendo música e me adaptando as circunstâncias que aparecerem. Chegamos a pensar esse DVD em pen drive. Buscamos sempre alternativas novas.
Relação com fãs.- O contato acontece mais pela internet. Existem listas de discussão sobre a banda no site, onde tem um blog também. Pro DVD a gente criou um site para facilitar a vida dos fãs que queriam participar da gravação. Disponibilizamos “Pulsos” no site.
Experiência desse período.
- Fico feliz de olhar para trás e ver que todas as escolhas que fizemos por mais arriscadas que fossem, mas deram certo. Fizemos coisas, que teoricamente, não era pra fazer. O primeiro single da banda, Poe exemplo, era uma música de cinco minutos com parte em inglês. Loucura! Tenho muito orgulho das coisas que a gente fez.
Interpretação da mídia.
- Tem uma galera que não se deixa levar por essa coisa meio - adolescente e cult - de meter o pau no que está dando certo. Se tocar no rádio, é ruim. Legal é o Klaxons? E tem outra linha que já pensa: Gostando ou não, o trabalho daquela pessoa está rolando. Qualquer pessoa tem o direito de não gostar. O que acho chato é quando a pessoa é leviana, quando não tem embasamento nenhum pra falar.
30 anos, mas permanece no universo típico pós-adolescente.
- Claro! Minha idade mental é de 13 anos! Eu não faço música pensando em quem vai me ouvir. Pode ser um moleque de 15 ou um cara de 45 anos de idade. Eu faço música para expressar o que eu sinto e penso. Um paradigma que existe e é difícil de ser quebrado é o seguinte: O rock é tipicamente uma música jovem. O fato de se convencionar que o rock é uma música de adolescente acaba afastando um monte de adulto. Se alguém diz “Você ouve Pitty? Música de criança né?”. A pessoa já pensa que pode não gostar. Adulto tem que gostar de Burt Bacharach ou qualquer coisa cult.
- Carreira internacional.
- Já tocamos duas vezes em Portugal, fizemos dois shows no Japão e agora estamos indo para Buenos Aires fazer dois shows. Nunca fizemos projeções internacionais. Sempre fizemos a coisa passo a passo. Se rolar a oportunidade de lançar o disco por algum selo em outro país, legal.
Publicado na jornal International Magazine (capa) edição 138, novembro de 2007.
dezembro 13, 2007
Os Canibais

2007-12-12
Os Canibais, emblemático grupo musical da Jovem Guarda, tornando-se ao lado de The Fevers e Renato e Seus Blue Caps, uma das mais populares bandas de baile do Rio de Janeiro. Formado por Aramis de Barros e Fernando nas guitarras, Elydio no baixo, Horácio nos vocais, Roosevelt no órgão e Max Pierre na bateria, seu repertório trazia excelentes instrumentais e uma vasta coleção de versões de sucessos internacionais. Esta era de fato a real concepção de show de rock daquela época! Em atividade, Os Canibais lançaram Vintage - A Máquina do Tempo em 2005. Aramis (guitarra e voz), Roosevelt (piano, órgão e vocais), Mauro Machado Jr. (guitarra, violão e vocais), Michel Barros (baixo e vocais), Cosme de Abreu (bateria) e Roberto Lopes (teclado e vocais), é a atual formação dos Canibais que prepara seu próximo disco que em breve será lançado. Em entrevista exclusiva, Aramis Barros conta ás novidades, carreira e outras coisas.
Por Elias Nogueira
- Vamos começar pelo disco novo. Fale o que vem de novidades.
Têm regravações?
- Tem sim Elias, várias!
Nós sempre tivemos vontade de rever a gravação daquela demo de “Hoje Ainda é Dia de Rock” que fizemos para a antiga Polygram nos anos 70. Esta nossa versão do sucesso do Sá, Rodrix & Guarabyra ficou inédita desde então. Por conta disso chegamos até a ser bastante cobrados para regravar ou lançar a demo. Optamos por atualizar a nossa interpretação sem, no entanto perder, a essência do conteúdo original. Deu muito certo como comprova a benção que recebemos dos seus criadores Sá e Guarabyra no nosso site. Mais duas regravações de sucessos que já interpretamos ao vivo nos foram sugeridas pelos nossos fãs: “Você Me Acende” (You Turn Me On) do Erasmo Carlos e Erva Venenosa (Poison Ivy) - Golden Boys, Erva Doce, Rita Lee, Hollies, Rolling Stones. Em “Você Me Acende”, nós resgatamos a mesma levada de uma música que está no nosso primeiro Lp de 1966: “Descubram Onde o Meu Bem Está” (I Wonder Where My Baby is Tonight - Kinks), que é a mesma onda da original You Turn Me On que teve seu auge em “Menphis Tennesse” do Chuck Berry nas versões do The Animals e Johnny Rivers nos anos 60. Em “Erva Venenosa” partimos do arranjo da base instrumental do sucesso da Erva Doce (Bubbles, Bolha) dos anos 80 e acrescentamos o toque de vocais sugerindo a gravação do Golden Boys. É algo realmente novo e assustador, porque criamos um ambiente mágico e fantasmagórico, cujo personagem principal acaba em purpurina no final. Ouçam! Já “A Primeira Lágrima”, sucesso original do Renato e Seus Blue Caps, é uma música, que eu particularmente, sempre quis interpretar, por ser fã incondicional da banda. Considero essa música marcante dos anos a Jovem Guarda. Caprichamos no arranjo (cordas à lá George Martin na volta do primeiro verso), incrementamos os vocais ao estilo do Beach Boys, atualizamos e modernizamos a estrutura original da composição para uma linguagem mais próxima da compreensão desta geração. Renovamos a moldura, mas o conteúdo sempre foi muito atual. Mostrei para o Renato Barros que me agradeceu a sincera homenagem e aprovou a nossa versão. Estou devendo um MP3 que fiquei de enviar para ele. Também regravamos “Jovem Guarda” do Leno. Uma música que ele me mostrou a cerca de uns 15 anos atrás, mas que só lançou agora neste seu recente disco “Idade Mídia”. Esta gravação estava nos nossos planos há anos, mas só agora criamos as condições necessárias para isso. Vou mixar esta música na próxima semana. Espero que ele também aprove.
- Inéditas.
- Bem este é um capítulo muito especial porque hoje envolve certa estratégia de resgate de sonoridades e idéias, renovação da linguagem poética e ao mesmo tempo a nossa intenção de nos comunicarmos com a nova geração também, além dos nossos contemporâneos que sempre nos incentivaram. Como você sabe, nós tivemos o “LP Bango”, um trabalho nosso de 1970, relançado recentemente pelo selo alemão Shadoks Music e que acabou se tornando cult por conta de várias matérias classificando-o como rock-psicodélico e raridade do rock brasileiro. Na ocasião da criação deste trabalho, eu estava muito engajado com as coisas do meu tempo e pude dar partida a uma nova cara para a banda ousando mais nas composições. Porém, devido aos problemas que tivemos que enfrentar na época com a nossa gravadora, a divulgação deste trabalho parou e acabamos não dando prosseguimento à criação de músicas inéditas daquela forma que nós estávamos nos propondo e paramos literalmente de compor, só voltando a fazer nova tentativa em 74 num último compacto. Pois bem, agora nós estamos voltando a sonhar e a acreditar nas nossas criações autorais independente do que isso possa resultar comercialmente.
Assim sendo, eu tive a felicidade de compor “Flores Partidas”, que é uma celebração da vida e novas esperanças. Resumindo: Trechos do texto desta canção, as nossas marcas no espelho vieram pra ficar e o que passou, passou: Num espelho sob a luz/ as marcas que vieram pra ficar/ Imagens de avatar são desejos demais/ imagens que não voltam nunca mais... As coisas que estão acontecendo agora serão somente memórias amanhã e uma nova vida se renova a cada dia: Cada dia que se vai/ será memória a cada amanhecer/ a luz do sol virá outra vez/ e outra vez, um novo dia logo nascerá... Esta canção já está sendo muito bem aceita em sites de relacionamento pela Internet como o Orkut, Gazzag e My Space, e através das muitas mensagens que estão sendo postadas diretamente no nosso site. Apenas como referência, procuramos ser coerentes com o nosso tempo adaptando os arranjos ao estilo do The Traveling Wilburys, banda formada nos anos 80 por George Harrison, Roy Orbison, Bob Dylan, Tom Petty, Jeff Lynne e Jim Keltner.
Na mesma onda criamos também “Amigos do Peito” que é uma composição minha antiga e que só agora eu e o Mauro fizemos uma letra definitiva, para homenagear todos os nossos amigos e celebrar esta união que nos mantém próximos há tanto tempo na banda. Não só os que estão atualmente na ativa, como também os demais como o meu irmão Elydio, Max, Wagner, Horácio, Sergio e Fernando. Acabou se tornando um hino no Orkut. Das dedicatórias de amizade e aniversariantes por conta de um vídeo que está no Youtube, criado pela Claudia Patrícia que nos assessora em nosso site e promoções na Internet.
Outra inédita feita objetivamente para a nova geração é, “Tão Perfeito, Tão Real”. É um pouco da nossa trajetória desde que optamos por abraçar a carreira musical na nossa juventude: Se alguém me visse agora/ depois de tanto tempo/ largo tudo mas os meus sonhos jamais.../ e ainda quero mais. Acho que exprime bem este momento de volta, de manter acesa uma chama. Estamos dando uma dica de perseverança: Se você não sai agora/ ou qualquer dia desses/ perde o bonde e o tempo não volta atrás.../ Eu sonho sempre mais...
Adotamos nos arranjos diversas citações de Beatles e Mutantes a Eric Clapton para reforçar a idéia de liberdade de imaginação e opção profissional, mas sem nunca se perder o chão.
“Quero Você” é a minha primeira parceria com o meu filho Michel, que hoje é o baixista dos Canibais. Criamos uma aura esotérica com o uso de efeitos de instrumentos indianos tradicionais, como a tabla e a cítara para sublinhar um texto de cunho religioso que exalta a paz e a fé em Deus. A nossa vivência e admiração pelo estilo indiano dos sucessos de George Harrison, nos levaram a seguir este caminho para a concepção deste arranjo em sua homenagem.
“Se Manda, Vai à Luta, Sai Daqui”, é uma composição bem humorada minha e do Roosevelt em homenagem à Jovem Guarda. Porque não se gravam músicas inéditas da Jovem Guarda, assim como tem sido feito com o rock dos anos 80. A Jovem Guarda é precursora de tudo o que aconteceu depois no cenário do pop-rock tupiniquim. Os artistas consagrados da Jovem Guarda até hoje são grande sucesso de público onde quer que se apresentem com o seu repertório, mas o mercado de discos ficou limitado a se repetir, só lançando os seus sucessos originais ou as suas ótimas regravações dos mesmos sucessos e vetando músicas inéditas. Nós achamos muito importante e coerente e estamos propondo que se criem novas canções mantendo o mesmo clima daqueles anos, sem inventar. Porque não uma nova “Prova de Fogo”, “Gatinha Manhosa”, “Nossa Canção” ou “Quero Que vá Tudo pro Inferno”? Novas criações com a mesma estrutura de antes. Sem modernismos desnecessários, que não façam parte da própria experiência e característica destes artistas. Nesta música procuramos mixar vários elementos de composição e arranjos que marcaram os principais hits dos anos 60, com detalhes técnicos vocais e harmônicos mais recentes, inerentes ao estilo da nossa banda. Você pode reconhecer, por exemplo facilmente à levada de Taxman dos Beatles, que havia sido usada em “Quando” do Roberto Carlos e mais recentemente no tema “Yen On A Carroussel” do filme Doze Homens e um Segredo. Também é evidente a marca registrada dos solos de órgão do Lafayette que o Roosevelt tão bem relembrou, bem como os metais e solos de guitarra tradicionais de bandas como Jet Blacks, Jordans e The Pop's, finalizado pelos efeitos de escala e overdrive de guitarra mais atual incrementados pelo Mauro.
Taí uma dica!
“Tão Pouco Pra Ser Feliz” é outra canção antiga do Mauro que só agora ajudei e terminar. É uma mensagem até certo ponto saudosista da nossa juventude, mas sem qualquer tipo de preconceito. De uma época que não tínhamos qualquer tipo de preocupação maior do que ir ao cinema, à praia, estudar e sonhar. Sonhar muito! Tempos mais leve que nos permitiam sair à rua a qualquer hora, sem medo do que está depois da próxima esquina ou cruzamento. Sem medo de aids, bala perdida ou guerra do tráfico de drogas, seqüestros, assaltos em bancos...
É portanto uma festa para sacudir novos e antigos, tirar o pé do chão e cantar muito: Ah, tudo que eu sempre quis/ tão pouco pra ser feliz...
“Dias de Sol e Finais Felizes” Até Que Enfim Tá Chegando A Hora/ Na Minha História Não Vai Chover/ Dias De Sol E Finais Felizes/ Só Quando Eu Estou Com Você. Nesta música do Mauro procuramos relembrar uma outra antiga gravação dos Canibais: “Reencontro”, lançada no final dos anos 60 e das coisas românticas do Bango. O clima é mais acústico com violões e acordeom na onda das melhores baladas de Paul McCartney dos Beatles com leves toques de MPB. É ver para crer, ou melhor, ouvir para crer!
Ainda tem “A Estrada” é uma versão bastante radiofônica e muito comercial de The Way da banda Fastball, que é muito semelhante também a nossa história de vida. Pegamos as malas pusemos o pé na estrada sem olhar pra trás e foi a melhor coisa que fizemos na vida... Tudo o mais só veio a somar: a família, os filhos, os amigos, e a carreira profissional. Apesar de ainda não termos um Cd físico, as mixagens que vão sendo finalizadas, eu tenho exposto no site da banda, na Trama Virtual, Bandas de Garagem e Reverbnation. Até finalizarmos tudo e conseguirmos uma boa distribuição do CD!
Alô-ow!! He,he,he...
- No disco, anterior, a banda fez releituras de clássicos internacionais.
Diferentemente de hoje, durante os anos 60 e grande parte dos anos 70, o repertório das bandas de baile era principalmente de sucessos internacionais. Foram estes hits que deram (régua e compasso) aos precursores do rock nacional e tudo o mais que aconteceu daí por diante. Como estávamos comemorando cerca de 40 anos de amizade entre os componentes dos Canibais, havíamos parado em 1975, portanto não seria o aniversário da banda, nós procuramos reunir um repertório significativo para relembrar o nosso tempo. Claro que não daria para exprimir em apenas 15 faixas tudo o que tocamos em 10 anos, de 1965 a 1975, até porque teríamos que realizar uma série, com vários volumes, apenas para arranhar superficialmente uma era tão rica de tantos sucessos. Mas o “Vintage, A Máquina do Tempo”, está cumprindo o seu objetivo de dar uma idéia do que Os Canibais são capazes de realizar ao vivo! O reconhecimento a este trabalho é excelente. Apesar de não ser um CD destinado á grande execução pública, já que está fora dos parâmetros atuais das rádios de ponta. É sido bastante executado nas rádios web e está bem divulgado em todas as regiões do país. Tenho recebido muitas manifestações de apoio e elogios de Porto Alegre a Manaus! A partir deste trabalho conseguimos chegar até você, Marcelo Fróes, Cirilo Reis (Rádio Nacional e Manchete), David Rangel (Globo), William Travassos (Manchete), Sonia Monte e Ângela Cristina (Band), Haroldo de Andrade, Maurício Menezes e Luiz Campos (Rádio Tupi), Alexandre Amorim (Paradiso), Antena Um, Rádio Uol, Programa Contra Mão... Cedemos várias e importantes entrevistas contando esta trajetória toda, inclusive até para a revista italiana Misty Lane. Está tudo lá documentado no nosso site.
- Como foi o retorno dos Canibais?
- Nos anos 90, por força de uma grande saudade dos nossos tempos de baile, começamos a nos reencontrar musicalmente, apesar de nunca termos nos afastado pessoalmente. Realizamos nossas festas de aniversário, de filhos, amigos... enfim, qualquer desculpa era o suficiente para montarmos o equipamento. Daí começaram a aparecer propostas para tocar em diversos lugares pela cidade. Foi assim no Teatro João Caetano e Clube Bonsucesso para o programa do Roberto Canazio, então na Rádio Manchete, Na Magique, Governador Iate Club, Boate Bicão (La Playa) e Jequiá Iate Club na Ilha do Governador, Festas de final de ano para a Som Livre. Isso foi reavivando a nossa vontade de voltar a tocar profissionalmente.
- Quais são os integrantes da primeira formação? Quem saiu e quem entrou?
- Essa história é longa! A primeira formação de 1965: Aramis, Elydio, Max Pierre e Wagner. O power trio – Aramis, Elydio e Max – guitarra, baixo e bateria, permaneceu na banda do início ao fim. Ainda no primeiro ano, o Wagner que era o baixista original saiu e trouxemos outro amigo do Colégio Souza Aguiar, o Sergio Ferraz para a guitarra solo e o meu irmão Elydio assumiu desde então o baixo. Em 1966, com a necessidade de termos um organista que também vocalizasse conosco, trouxemos o Horácio por intermédio da Denise Barreto. Ele acabou sendo a voz solo de “Gina” nosso primeiro grande sucesso. No ano seguinte, porém, o Horácio seguiu carreira solo e trouxemos o Roosevelt para assumir os teclados. Gravamos o primeiro LP que tinha “Garota teimosa” ainda em 1966 iniciando com o Horácio e terminando com o Roosevelt. Esta formação: Aramis, Elydio, Max, Sergio e Roosevelt permaneceu até 1969. Durante este tempo fomos, uma das principais, banda de apoio de todos os artistas da Jovem Guarda nos principais musicais de TV como a Festa do Bolinha do Jair De Taumaturgo, José Messias, Rio Hit Parade, A Grande Parada, Um Instante Maestro, Show Barra Limpa do Carlos Imperial, etc e tal. Em 1969, por divergências artísticas o Sergio saiu e trouxemos o Fernando Borges para a guitarra solo, que nos acompanhou durante toda a nossa grande fase de bailes até 1973, quando saiu e entrou o Mauro Machado até 1975 e que está na atual formação também. Durante aquelas festas dos anos 90, o Fefê, ex-baterista do Roupa Nova esteve conosco também. Hoje somos eu, meu filho Michel no baixo, o Mauro na guitarra solo, Roosevelt nos teclados e o Cosme de Abreu na bateria. De vez em quando o Serginho Barros do The Sunshines também tem assumido a bateria.
- Quantos discos lançados?
- Com o “Vintage...” são dez discos e mais três participações em compilações, inclusive na novela Explode Coração da Tv Globo.
- Agenda de shows. Como anda?
- Temos feito uma média de dois shows por mês desde o lançamento do Vintage, o que para quem não está na mídia á tanto tempo, e para os nossos objetivos tem sido satisfatório. Temos nos apresentado em casas significativas como o Teatro Odisséia, Mistura Fina, FNAC, Rio Rock & Blues Club, Nova Estudantina (com Lafayette e Os Tremendões), Espaço Constituição (com Érika Martins, Gabriel Thomaz, Brazilian Bitles, Sunshines, Getúlio Cortes e The Pop’s) New Books, Modern Sound (part. de Leno, Ed Wilson, Jerry Adriani, Fevers e Getúlio Cortes), Café Etílico, Pontal Country Club, Icaraí Iate Club, A. A. Portuguesa na Ilha, Espaço Marlene (com a part. de Sunshines, Brazilian Bitles, Edson Wander e Getúlio Cortes). Para empresas como a TVA (Rio Othon), Clube do BNDS, Shopping Tijuca, Siqueira e Castro Advogados (Porção Rio’s)... A convite do Cirilo Reis (valeu Cirilo!) também tivemos a grata oportunidade de realizar um especial dos Canibais ao vivo no auditório da Rádio Nacional – “Acústico Jovem Guarda”, com a participação dos Sunshines, Getúlio Cortes, Paulinho Pereira e Edson Wander. Para o próximo ano, estamos criando também parcerias para realizarmos shows com bandas dos anos 60 como Os Credenciados, Sunshines, The Pop’s e Brazilian Bitles e já temos novos contatos para nos apresentarmos em novas casas de show do Rio de Janeiro como, em breve, no Cavern Club, na nova sede do Rio Rock & Blues Club no Centro e demais casas que ainda não estivemos ao vivo.
- Shows fora do Rio de Janeiro?
- Niterói!! (risos) Nossa recente excursão pela Europa e Ásia não conta... (Londres, Paris, Amsterdã, Lisboa, Roma, Berlim, Madrid, Japão...) risos!!! Mas falando sério, temos feito vários contatos para o interior do Rio, São Paulo e nordeste. Teve até um certo empresário, especializado em Jovem Guarda e nordeste, que solicitou o nosso material, site etc. Mas ainda não aconteceu nada. Talvez ele não tenha gostado do que viu e ouviu...
Os Canibais, emblemático grupo musical da Jovem Guarda, tornando-se ao lado de The Fevers e Renato e Seus Blue Caps, uma das mais populares bandas de baile do Rio de Janeiro. Formado por Aramis de Barros e Fernando nas guitarras, Elydio no baixo, Horácio nos vocais, Roosevelt no órgão e Max Pierre na bateria, seu repertório trazia excelentes instrumentais e uma vasta coleção de versões de sucessos internacionais. Esta era de fato a real concepção de show de rock daquela época! Em atividade, Os Canibais lançaram Vintage - A Máquina do Tempo em 2005. Aramis (guitarra e voz), Roosevelt (piano, órgão e vocais), Mauro Machado Jr. (guitarra, violão e vocais), Michel Barros (baixo e vocais), Cosme de Abreu (bateria) e Roberto Lopes (teclado e vocais), é a atual formação dos Canibais que prepara seu próximo disco que em breve será lançado. Em entrevista exclusiva, Aramis Barros conta ás novidades, carreira e outras coisas.
Por Elias Nogueira
- Vamos começar pelo disco novo. Fale o que vem de novidades.
Têm regravações?
- Tem sim Elias, várias!
Nós sempre tivemos vontade de rever a gravação daquela demo de “Hoje Ainda é Dia de Rock” que fizemos para a antiga Polygram nos anos 70. Esta nossa versão do sucesso do Sá, Rodrix & Guarabyra ficou inédita desde então. Por conta disso chegamos até a ser bastante cobrados para regravar ou lançar a demo. Optamos por atualizar a nossa interpretação sem, no entanto perder, a essência do conteúdo original. Deu muito certo como comprova a benção que recebemos dos seus criadores Sá e Guarabyra no nosso site. Mais duas regravações de sucessos que já interpretamos ao vivo nos foram sugeridas pelos nossos fãs: “Você Me Acende” (You Turn Me On) do Erasmo Carlos e Erva Venenosa (Poison Ivy) - Golden Boys, Erva Doce, Rita Lee, Hollies, Rolling Stones. Em “Você Me Acende”, nós resgatamos a mesma levada de uma música que está no nosso primeiro Lp de 1966: “Descubram Onde o Meu Bem Está” (I Wonder Where My Baby is Tonight - Kinks), que é a mesma onda da original You Turn Me On que teve seu auge em “Menphis Tennesse” do Chuck Berry nas versões do The Animals e Johnny Rivers nos anos 60. Em “Erva Venenosa” partimos do arranjo da base instrumental do sucesso da Erva Doce (Bubbles, Bolha) dos anos 80 e acrescentamos o toque de vocais sugerindo a gravação do Golden Boys. É algo realmente novo e assustador, porque criamos um ambiente mágico e fantasmagórico, cujo personagem principal acaba em purpurina no final. Ouçam! Já “A Primeira Lágrima”, sucesso original do Renato e Seus Blue Caps, é uma música, que eu particularmente, sempre quis interpretar, por ser fã incondicional da banda. Considero essa música marcante dos anos a Jovem Guarda. Caprichamos no arranjo (cordas à lá George Martin na volta do primeiro verso), incrementamos os vocais ao estilo do Beach Boys, atualizamos e modernizamos a estrutura original da composição para uma linguagem mais próxima da compreensão desta geração. Renovamos a moldura, mas o conteúdo sempre foi muito atual. Mostrei para o Renato Barros que me agradeceu a sincera homenagem e aprovou a nossa versão. Estou devendo um MP3 que fiquei de enviar para ele. Também regravamos “Jovem Guarda” do Leno. Uma música que ele me mostrou a cerca de uns 15 anos atrás, mas que só lançou agora neste seu recente disco “Idade Mídia”. Esta gravação estava nos nossos planos há anos, mas só agora criamos as condições necessárias para isso. Vou mixar esta música na próxima semana. Espero que ele também aprove.
- Inéditas.
- Bem este é um capítulo muito especial porque hoje envolve certa estratégia de resgate de sonoridades e idéias, renovação da linguagem poética e ao mesmo tempo a nossa intenção de nos comunicarmos com a nova geração também, além dos nossos contemporâneos que sempre nos incentivaram. Como você sabe, nós tivemos o “LP Bango”, um trabalho nosso de 1970, relançado recentemente pelo selo alemão Shadoks Music e que acabou se tornando cult por conta de várias matérias classificando-o como rock-psicodélico e raridade do rock brasileiro. Na ocasião da criação deste trabalho, eu estava muito engajado com as coisas do meu tempo e pude dar partida a uma nova cara para a banda ousando mais nas composições. Porém, devido aos problemas que tivemos que enfrentar na época com a nossa gravadora, a divulgação deste trabalho parou e acabamos não dando prosseguimento à criação de músicas inéditas daquela forma que nós estávamos nos propondo e paramos literalmente de compor, só voltando a fazer nova tentativa em 74 num último compacto. Pois bem, agora nós estamos voltando a sonhar e a acreditar nas nossas criações autorais independente do que isso possa resultar comercialmente.
Assim sendo, eu tive a felicidade de compor “Flores Partidas”, que é uma celebração da vida e novas esperanças. Resumindo: Trechos do texto desta canção, as nossas marcas no espelho vieram pra ficar e o que passou, passou: Num espelho sob a luz/ as marcas que vieram pra ficar/ Imagens de avatar são desejos demais/ imagens que não voltam nunca mais... As coisas que estão acontecendo agora serão somente memórias amanhã e uma nova vida se renova a cada dia: Cada dia que se vai/ será memória a cada amanhecer/ a luz do sol virá outra vez/ e outra vez, um novo dia logo nascerá... Esta canção já está sendo muito bem aceita em sites de relacionamento pela Internet como o Orkut, Gazzag e My Space, e através das muitas mensagens que estão sendo postadas diretamente no nosso site. Apenas como referência, procuramos ser coerentes com o nosso tempo adaptando os arranjos ao estilo do The Traveling Wilburys, banda formada nos anos 80 por George Harrison, Roy Orbison, Bob Dylan, Tom Petty, Jeff Lynne e Jim Keltner.
Na mesma onda criamos também “Amigos do Peito” que é uma composição minha antiga e que só agora eu e o Mauro fizemos uma letra definitiva, para homenagear todos os nossos amigos e celebrar esta união que nos mantém próximos há tanto tempo na banda. Não só os que estão atualmente na ativa, como também os demais como o meu irmão Elydio, Max, Wagner, Horácio, Sergio e Fernando. Acabou se tornando um hino no Orkut. Das dedicatórias de amizade e aniversariantes por conta de um vídeo que está no Youtube, criado pela Claudia Patrícia que nos assessora em nosso site e promoções na Internet.
Outra inédita feita objetivamente para a nova geração é, “Tão Perfeito, Tão Real”. É um pouco da nossa trajetória desde que optamos por abraçar a carreira musical na nossa juventude: Se alguém me visse agora/ depois de tanto tempo/ largo tudo mas os meus sonhos jamais.../ e ainda quero mais. Acho que exprime bem este momento de volta, de manter acesa uma chama. Estamos dando uma dica de perseverança: Se você não sai agora/ ou qualquer dia desses/ perde o bonde e o tempo não volta atrás.../ Eu sonho sempre mais...
Adotamos nos arranjos diversas citações de Beatles e Mutantes a Eric Clapton para reforçar a idéia de liberdade de imaginação e opção profissional, mas sem nunca se perder o chão.
“Quero Você” é a minha primeira parceria com o meu filho Michel, que hoje é o baixista dos Canibais. Criamos uma aura esotérica com o uso de efeitos de instrumentos indianos tradicionais, como a tabla e a cítara para sublinhar um texto de cunho religioso que exalta a paz e a fé em Deus. A nossa vivência e admiração pelo estilo indiano dos sucessos de George Harrison, nos levaram a seguir este caminho para a concepção deste arranjo em sua homenagem.
“Se Manda, Vai à Luta, Sai Daqui”, é uma composição bem humorada minha e do Roosevelt em homenagem à Jovem Guarda. Porque não se gravam músicas inéditas da Jovem Guarda, assim como tem sido feito com o rock dos anos 80. A Jovem Guarda é precursora de tudo o que aconteceu depois no cenário do pop-rock tupiniquim. Os artistas consagrados da Jovem Guarda até hoje são grande sucesso de público onde quer que se apresentem com o seu repertório, mas o mercado de discos ficou limitado a se repetir, só lançando os seus sucessos originais ou as suas ótimas regravações dos mesmos sucessos e vetando músicas inéditas. Nós achamos muito importante e coerente e estamos propondo que se criem novas canções mantendo o mesmo clima daqueles anos, sem inventar. Porque não uma nova “Prova de Fogo”, “Gatinha Manhosa”, “Nossa Canção” ou “Quero Que vá Tudo pro Inferno”? Novas criações com a mesma estrutura de antes. Sem modernismos desnecessários, que não façam parte da própria experiência e característica destes artistas. Nesta música procuramos mixar vários elementos de composição e arranjos que marcaram os principais hits dos anos 60, com detalhes técnicos vocais e harmônicos mais recentes, inerentes ao estilo da nossa banda. Você pode reconhecer, por exemplo facilmente à levada de Taxman dos Beatles, que havia sido usada em “Quando” do Roberto Carlos e mais recentemente no tema “Yen On A Carroussel” do filme Doze Homens e um Segredo. Também é evidente a marca registrada dos solos de órgão do Lafayette que o Roosevelt tão bem relembrou, bem como os metais e solos de guitarra tradicionais de bandas como Jet Blacks, Jordans e The Pop's, finalizado pelos efeitos de escala e overdrive de guitarra mais atual incrementados pelo Mauro.
Taí uma dica!
“Tão Pouco Pra Ser Feliz” é outra canção antiga do Mauro que só agora ajudei e terminar. É uma mensagem até certo ponto saudosista da nossa juventude, mas sem qualquer tipo de preconceito. De uma época que não tínhamos qualquer tipo de preocupação maior do que ir ao cinema, à praia, estudar e sonhar. Sonhar muito! Tempos mais leve que nos permitiam sair à rua a qualquer hora, sem medo do que está depois da próxima esquina ou cruzamento. Sem medo de aids, bala perdida ou guerra do tráfico de drogas, seqüestros, assaltos em bancos...
É portanto uma festa para sacudir novos e antigos, tirar o pé do chão e cantar muito: Ah, tudo que eu sempre quis/ tão pouco pra ser feliz...
“Dias de Sol e Finais Felizes” Até Que Enfim Tá Chegando A Hora/ Na Minha História Não Vai Chover/ Dias De Sol E Finais Felizes/ Só Quando Eu Estou Com Você. Nesta música do Mauro procuramos relembrar uma outra antiga gravação dos Canibais: “Reencontro”, lançada no final dos anos 60 e das coisas românticas do Bango. O clima é mais acústico com violões e acordeom na onda das melhores baladas de Paul McCartney dos Beatles com leves toques de MPB. É ver para crer, ou melhor, ouvir para crer!
Ainda tem “A Estrada” é uma versão bastante radiofônica e muito comercial de The Way da banda Fastball, que é muito semelhante também a nossa história de vida. Pegamos as malas pusemos o pé na estrada sem olhar pra trás e foi a melhor coisa que fizemos na vida... Tudo o mais só veio a somar: a família, os filhos, os amigos, e a carreira profissional. Apesar de ainda não termos um Cd físico, as mixagens que vão sendo finalizadas, eu tenho exposto no site da banda, na Trama Virtual, Bandas de Garagem e Reverbnation. Até finalizarmos tudo e conseguirmos uma boa distribuição do CD!
Alô-ow!! He,he,he...
- No disco, anterior, a banda fez releituras de clássicos internacionais.
Diferentemente de hoje, durante os anos 60 e grande parte dos anos 70, o repertório das bandas de baile era principalmente de sucessos internacionais. Foram estes hits que deram (régua e compasso) aos precursores do rock nacional e tudo o mais que aconteceu daí por diante. Como estávamos comemorando cerca de 40 anos de amizade entre os componentes dos Canibais, havíamos parado em 1975, portanto não seria o aniversário da banda, nós procuramos reunir um repertório significativo para relembrar o nosso tempo. Claro que não daria para exprimir em apenas 15 faixas tudo o que tocamos em 10 anos, de 1965 a 1975, até porque teríamos que realizar uma série, com vários volumes, apenas para arranhar superficialmente uma era tão rica de tantos sucessos. Mas o “Vintage, A Máquina do Tempo”, está cumprindo o seu objetivo de dar uma idéia do que Os Canibais são capazes de realizar ao vivo! O reconhecimento a este trabalho é excelente. Apesar de não ser um CD destinado á grande execução pública, já que está fora dos parâmetros atuais das rádios de ponta. É sido bastante executado nas rádios web e está bem divulgado em todas as regiões do país. Tenho recebido muitas manifestações de apoio e elogios de Porto Alegre a Manaus! A partir deste trabalho conseguimos chegar até você, Marcelo Fróes, Cirilo Reis (Rádio Nacional e Manchete), David Rangel (Globo), William Travassos (Manchete), Sonia Monte e Ângela Cristina (Band), Haroldo de Andrade, Maurício Menezes e Luiz Campos (Rádio Tupi), Alexandre Amorim (Paradiso), Antena Um, Rádio Uol, Programa Contra Mão... Cedemos várias e importantes entrevistas contando esta trajetória toda, inclusive até para a revista italiana Misty Lane. Está tudo lá documentado no nosso site.
- Como foi o retorno dos Canibais?
- Nos anos 90, por força de uma grande saudade dos nossos tempos de baile, começamos a nos reencontrar musicalmente, apesar de nunca termos nos afastado pessoalmente. Realizamos nossas festas de aniversário, de filhos, amigos... enfim, qualquer desculpa era o suficiente para montarmos o equipamento. Daí começaram a aparecer propostas para tocar em diversos lugares pela cidade. Foi assim no Teatro João Caetano e Clube Bonsucesso para o programa do Roberto Canazio, então na Rádio Manchete, Na Magique, Governador Iate Club, Boate Bicão (La Playa) e Jequiá Iate Club na Ilha do Governador, Festas de final de ano para a Som Livre. Isso foi reavivando a nossa vontade de voltar a tocar profissionalmente.
- Quais são os integrantes da primeira formação? Quem saiu e quem entrou?
- Essa história é longa! A primeira formação de 1965: Aramis, Elydio, Max Pierre e Wagner. O power trio – Aramis, Elydio e Max – guitarra, baixo e bateria, permaneceu na banda do início ao fim. Ainda no primeiro ano, o Wagner que era o baixista original saiu e trouxemos outro amigo do Colégio Souza Aguiar, o Sergio Ferraz para a guitarra solo e o meu irmão Elydio assumiu desde então o baixo. Em 1966, com a necessidade de termos um organista que também vocalizasse conosco, trouxemos o Horácio por intermédio da Denise Barreto. Ele acabou sendo a voz solo de “Gina” nosso primeiro grande sucesso. No ano seguinte, porém, o Horácio seguiu carreira solo e trouxemos o Roosevelt para assumir os teclados. Gravamos o primeiro LP que tinha “Garota teimosa” ainda em 1966 iniciando com o Horácio e terminando com o Roosevelt. Esta formação: Aramis, Elydio, Max, Sergio e Roosevelt permaneceu até 1969. Durante este tempo fomos, uma das principais, banda de apoio de todos os artistas da Jovem Guarda nos principais musicais de TV como a Festa do Bolinha do Jair De Taumaturgo, José Messias, Rio Hit Parade, A Grande Parada, Um Instante Maestro, Show Barra Limpa do Carlos Imperial, etc e tal. Em 1969, por divergências artísticas o Sergio saiu e trouxemos o Fernando Borges para a guitarra solo, que nos acompanhou durante toda a nossa grande fase de bailes até 1973, quando saiu e entrou o Mauro Machado até 1975 e que está na atual formação também. Durante aquelas festas dos anos 90, o Fefê, ex-baterista do Roupa Nova esteve conosco também. Hoje somos eu, meu filho Michel no baixo, o Mauro na guitarra solo, Roosevelt nos teclados e o Cosme de Abreu na bateria. De vez em quando o Serginho Barros do The Sunshines também tem assumido a bateria.
- Quantos discos lançados?
- Com o “Vintage...” são dez discos e mais três participações em compilações, inclusive na novela Explode Coração da Tv Globo.
- Agenda de shows. Como anda?
- Temos feito uma média de dois shows por mês desde o lançamento do Vintage, o que para quem não está na mídia á tanto tempo, e para os nossos objetivos tem sido satisfatório. Temos nos apresentado em casas significativas como o Teatro Odisséia, Mistura Fina, FNAC, Rio Rock & Blues Club, Nova Estudantina (com Lafayette e Os Tremendões), Espaço Constituição (com Érika Martins, Gabriel Thomaz, Brazilian Bitles, Sunshines, Getúlio Cortes e The Pop’s) New Books, Modern Sound (part. de Leno, Ed Wilson, Jerry Adriani, Fevers e Getúlio Cortes), Café Etílico, Pontal Country Club, Icaraí Iate Club, A. A. Portuguesa na Ilha, Espaço Marlene (com a part. de Sunshines, Brazilian Bitles, Edson Wander e Getúlio Cortes). Para empresas como a TVA (Rio Othon), Clube do BNDS, Shopping Tijuca, Siqueira e Castro Advogados (Porção Rio’s)... A convite do Cirilo Reis (valeu Cirilo!) também tivemos a grata oportunidade de realizar um especial dos Canibais ao vivo no auditório da Rádio Nacional – “Acústico Jovem Guarda”, com a participação dos Sunshines, Getúlio Cortes, Paulinho Pereira e Edson Wander. Para o próximo ano, estamos criando também parcerias para realizarmos shows com bandas dos anos 60 como Os Credenciados, Sunshines, The Pop’s e Brazilian Bitles e já temos novos contatos para nos apresentarmos em novas casas de show do Rio de Janeiro como, em breve, no Cavern Club, na nova sede do Rio Rock & Blues Club no Centro e demais casas que ainda não estivemos ao vivo.
- Shows fora do Rio de Janeiro?
- Niterói!! (risos) Nossa recente excursão pela Europa e Ásia não conta... (Londres, Paris, Amsterdã, Lisboa, Roma, Berlim, Madrid, Japão...) risos!!! Mas falando sério, temos feito vários contatos para o interior do Rio, São Paulo e nordeste. Teve até um certo empresário, especializado em Jovem Guarda e nordeste, que solicitou o nosso material, site etc. Mas ainda não aconteceu nada. Talvez ele não tenha gostado do que viu e ouviu...
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