agosto 30, 2007

14 Bis


Em atividade desde 1979, à banda mineira 14 Bis - Flávio Venturini, teclado, violão e voz; Cláudio Venturini, guitarra; Vermelho, teclados; Sérgio Magrão, baixo; e Hely, bateria, foi o que resultou da fusão dos componentes das bandas O Terço e Bendegó. Flávio Venturini e Vermelho também faziam parte do Clube da Esquina, grupo de músicos mineiros que incluía Beto Guedes e Milton Nascimento.
O 14 Bis fez sucesso na década de 80, quando lançou "Todo Azul do Mar" (F. Venturini), "Canção da América" (M. Nascimento - F. Brant), "Espanhola" (F. Venturini - G. Guarabyra). Em 1987, Flávio Venturini partiu para carreira solo. A banda nunca parou e continua na estrada fazendo shows e divulgando seu primeiro DVD depois de mais de 25 anos de carreira. Veja trechos da entrevista com Sérgio Magrão. O leitor poderá conferir na íntegra no jornal International Magazine nas bancas de jornal.


Custou mas saiu
- Estamos na batalha desse DVD já tem uns dois ou três anos.
A idéia era lançar no centenário do avião 14 Bis e rodar o Brasil inteiro. Mas não deu tempo e acabou rolando somente o DVD.

50% em São Paulo
Queríamos gravar em São Paulo. O maior público nosso é lá. Chega a representar 50% de tudo que fazemos.

Participações
- Foram duas participações. Flavio Venturini se deu em estúdio por causa dos transtornos nos vôos. Ficou preso em Feira de Sant’Ana. A participação do Rogério Flausino, também, em estúdio se deu por motivos particulares da família. As duas ao vivo foram do Marcus Vianna em “14 Bis instrumental” e “Mesmo de brincadeira”. E o Beto Guedes que cantou “Caçador de mim”.

Fãs reclamam
- Muita gente reclama de músicas que ficaram de fora. Temos ao todo 163 músicas gravadas e só cabem 20.

Novo projeto
- Temos um outro projeto para depois do meio do ano que vem, que é: Fazer uma excursão com o Flavio Venturini e gravar tudo. Ai sim! Tocaremos “Nuvens”, “Nos bares da vida” e outras coisas.

agosto 28, 2007

Marcia Sampaio - Os Mistérios da Fortuna


Marcia Sampaio é Terapeuta Holística com especialização em Psicologia e Saúde Mental. Percebendo que a maioria dos distúrbios físicos que levavam as pessoas a procurá-la em clínicas e consultórios, estavam relacionados a problemas no ambiente de trabalho. Com isso, a terapeuta resolveu investir em livros de auto-ajuda voltados para o lado profissional do cidadão de diferentes etapas no mercado de trabalho que é cada dias mais disputados em diferentes áreas. Em entrevista exclusiva, a também escritora, explica detalhadamente porque está lançando o livro ‘Os Mistérios da Fortuna’ – Litteris Editora. O lançamento será na XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro 2007, no dia 22 de setembro das 17h às 18h30, no Pavilhão Verde da rua R, 336 do Rio Centro – Av. Salvador Allende, 6.555 – Barra da Tijuca- Rio de Janeiro.


- Este é o primeiro livro que você escreveu?
- Sim, é o primeiro livro. Sou a fã - número 1 - dos livros de auto-ajuda! Porém, acho que falta um teor didático que realmente ajude as pessoas a mudarem suas vidas. O que comumente vejo, são promessas mirabolantes, verdadeiras fantasias que fazem com que o leitor se sinta –se enganado diante da proposta da obra. As obras, em geral, oferecem a sensação de que uma mera leitura mudará o rumo da vida do leitor, resolverá todos os seus problemas, conflitos emocionais e, isso jamais acontecerá! A Biblioterapia (terapia através da leitura de auto-ajuda) é um método fantástico e pode revelar os mais favoráveis resultados, mas é preciso técnica, é necessário trabalhar o problema abordado e isso requer vontade, disciplina, exercícios e orientação, da mesma forma que um tratamento em consultório. Ninguém sai de um consultório de terapia curado com uma sessão, certo? Então, prometer que uma leitura milagrosa vai modificar a vida de alguém, ou mesmo incentivar a pessoa a acreditar que ela vai conseguir resolver tudo sozinha após uma compreensão maior da leitura, a meu ver, é debochar da inocência do leitor. Digo isso não só como terapeuta, mas também como educadora e até como leitora. É claro que não são todos. Há muitos livros bons no mercado, mas a maioria não me convence e, sinceramente, nunca vi ninguém feliz e com os problemas solucionados após uma leitura superficial. A pessoa, ao ler um livro de auto-ajuda, muitas vezes sente-se como se estivesse se olhando no espelho. Parece que o autor desvendou a vida dela! Há uma identificação total, mas dificilmente há um encaminhamento que explique como resolver o problema e que ensine como aplicar aquelas informações na vida. É o mesmo que estudar sozinho. Quantas pessoas autodidatas você conhece? Eu conheço poucas. É o mesmo caso. Se todos tivessem o dom de resolver seus problemas com uma simples leitura, os consultórios estariam vazios e todos seriam felizes! Então, Elias, antes que os livros de auto-ajuda percam a credibilidade eu decidi oferecer uma colaboração realista e educativa. Talvez até petulante e inovadora. Sei que sou polêmica, que vou irritar e fazer inimigos. Mas também sei que funciono, acredito na minha força e conheço a minha capacidade! Toda pessoa autêntica e firme em seus propósitos é inicialmente apedrejada pelos inconformados e preguiçosos, que não suportam a idéia de trabalhar em cima de mudanças, mesmo que seja para melhor. Buda, Sócrates e Jesus, só para citar alguns exemplos, souberam muito bem o que é isso. Essa veracidade escancarada na minha obra foi o detalhe que mais encantou o editor-chefe da Litteris Editora, Artur Rodrigues. Ele ficou impressionado com o meu texto verdadeiro, didático, preparado nos mínimos detalhes para de fato ajudar as pessoas. O meu texto apresenta linguagem simples, informal e até sem “palavras difíceis” ou termos que somente os profissionais da área compreendem. Escrevo como se estivesse conversando com o leitor em um consultório. Questiono, explico, faço comparações, ajudo a tirar uma conclusão. Tem até pegadinha! Acho que é assim que deve ser. Não acredito na competência verbal, e sim na prática eficiente. De discurso bonito e estéril todo mundo está farto! Além do mais, não escrevo diretamente para a elite ou para profissionais da minha área. Embora, todos os leitores sejam muito bem-vindos! Mas o meu principal objetivo é oferecer um livro com um baixo custo, uma oportunidade rara para as classes menos privilegiadas que não têm condição financeira de freqüentar um consultório de terapia, arcando com os altos custos de uma, duas ou até três sessões semanais, dependendo do caso. Não conheço uma só pessoa que não necessite de terapia, e quero imensamente trabalhar para a grande massa desfavorecida em todos os sentidos. Essa proposta combina muito bem comigo.

- Antes de ser escritora, você escreveu para alguns veículos de imprensa?
- Sim, alguns, mas sempre como uma “abelhuda amadora”. Nunca fui jornalista! Sempre fui escritora! Tive a sorte de alguns editores compreenderem o meu estilo amador e me valorizarem, acreditarem no meu potencial e me oferecerem até colunas de destaque em alguns veículos. Fui muito incentivada por Antonio Braga no Jornal das Gravadoras e na revista Musi-k durante mais de dez anos. Também ocupei posições privilegiadas nas revistas eletrônicas http://www.songweb.com.br/, com Rodrigo Maciel, e na http://www.dropmusic.com.br/, com Valdir Antonelli. Todas essas experiências estavam ligadas à música, minha grande paixão.

- Foi sua primeira experiência com o jornalismo?
- Não. Na verdade, a minha primeira experiência jornalística foi com Alberto Brizola, quando eu tinha apenas 18 anos. Ele apresentava o programa – Amor na extinta rádio Mundial e tinha o Jornal do Amor. Apresentei-me a ele - com a cara e a coragem - com três versões diferentes de uma entrevista que havia feito com o Grupo Yahoo!. Sucesso na época com o hit Mordida de Amor, para que Alberto Brizola escolhesse a que fosse de seu agrado. Para minha surpresa ele adorou as três e passou muitos dias em dúvida, sem saber qual das três versões publicar. Foi a minha primeira experiência como entrevistadora, e foi também, coincidentemente, a primeira grande entrevista que os integrantes do Grupo Yahoo! Uma matéria de capa, com duas páginas de entrevista e com direito a um pôster na folha central! Sem dúvida foi uma estréia cinematográfica! Agradei ao público e me tornei uma das maiores colaboradoras do jornal. No Jornal do Amor escrevia sobre política, economia, saúde, sexo, religião, educação e etc e tal. O jornal era bem rico em conteúdo. Não falava exclusivamente de amor, até porque o dono do jornal era um político e divulgava ali sua agenda, seus projetos e tinha o objetivo de oferecer educação e informação aos leitores de forma generalizada. Mais há à frente, dediquei-me a matérias musicais nos outros veículos citados.

-Você chegou a fazer algum curso para escrever jornalisticamente?
- Sim. Tenho formação musical e teatral. Fiz alguns cursos técnicos de redação jornalística e de jornalismo para a web. Mas nunca fui jornalista de fato. Apenas colaborei da melhor forma possível! Agradeço imensamente a esses excelentes profissionais da área que me engrandeceram nesse aspecto. Acho que no fundo, eles enxergaram em mim a escritora que se encontrava por trás da - pseudojornalista e por isso abriram as portas. Hoje, mantenho como escritora a mesma linha de texto - amador que agradou ao público e também aos editores dos veículos para os quais escrevi. Esses jornais e revistas foram a minha grande escola na arte de escrever. Foi onde fiz perigosos e ousados - testes em público. Muitas vezes tropecei, mas em geral passei com boa média nas provas como a jornalista que fui sem nunca ter sido. E floresceu então a escritora!

- Como surgiu a idéia de lançar um livro de auto-ajuda?
- Sou, por natureza, observadora, contestadora, teórica, filósofa... E adoro escrever! Talvez seja uma grande ambição minha desejar atender o Brasil inteiro através de minhas obras. Em vez de atender uma ou duas dezenas de pessoas privilegiadas financeiramente, trancada em um consultório na zona sul da cidade – no Rio. Sim, porque a terapia é tida como - tratamento de rico. Eu me preocupo imensamente com as classes menos abastadas. Quero inclusive, popularizar a terapia. O livro é uma grande abertura para eu ficar conhecida no Brasil e pode ser verificado na obra que eu me coloco à disposição dos leitores para orientação e aconselhamento por e-mail gratuitamente. Ou seja, ofereço uma complementação do trabalho realizado no livro aos meus leitores. Não é como ocorreria em um consultório, obviamente, mas sempre esclarecendo dúvidas, oferecendo um aconselhamento breve para um problema específico, ou enviando exercícios que a pessoa me retorne para serem corrigidos. Seja relacionado ao tema da obra ou a qualquer outro assunto que necessite de desabafo ou ajuda. Longe de mim ser uma escritora inacessível ou uma terapeuta de agenda sempre lotada. Esse contato com os leitores é muito importante, até para eu verificar quais são os temas que mais precisam ser trabalhados nos próximos lançamentos. É uma troca fabulosa! Um canal de pesquisa para mim e de acolhimento para o leitor. Enfim, quero atender o Brasil inteiro! Fechei os consultórios para abrir os livros! Por isso, estou lançando OS MISTÉRIOS DA FORTUNA - As leis do sucesso profissional. Estou me colocando à disposição de todos. Seja em contato presencial ou à distância.


- Esse livro é voltado para pessoas que estão começando no mercado de trabalho ou pra todos os níveis?
- Para todos os níveis. Desde o adolescente que está terminando o Ensino Médio e tem dúvidas sobre a sua vocação, até as pessoas já colocadas no mercado, mas que se encontram insatisfeitas, que desejam uma promoção ou sentem-se infelizes na função que exercem. É também para pessoas que se encontram desempregadas e precisam saber como proceder para alcançar uma recolocação profissional. Serve para os mais ambiciosos que desejam atingir um nível de prosperidade considerado difícil ou quase impossível. É um livro que ajuda a pessoa a se conhecer, a descobrir o seu potencial, as suas aptidões, a perceber as oportunidades, como vencer os obstáculos. Explica o que deve ser modificado para obter o total êxito profissional. Isso vai desde o autoconhecimento, até o nível de ambição do indivíduo. Enfim, é para todos que desejam trabalhar com progresso e sentindo-se bem com o que faz.

- É uma auto-analise para conseguir entrar no mercado de trabalho?
- É uma auto-análise para entrar no mercado de trabalho e também para modificar a posição dentro dele, caso a pessoa sinta necessidade de progresso, de mudanças, pelos mais variados motivos. Sem se conhecer a pessoa, não tem como escolher uma carreira adequada. É como eu coloco no livro: A pessoa precisa entender que só vai progredir quem exercer muito bem sua função. Seja ela qual for. E isso inclui uma avaliação de si mesmo, a valorização das potencialidades e a autocrítica na compreensão de si mesmo. Por exemplo: Um indivíduo desarticulado, ingênuo e de raciocínio lento, dificilmente resultará em um grande advogado. Da mesma forma que uma moça tímida e insegura, raramente se sairá bem como recepcionista de eventos. Um detalhe interessante é que quase todo mundo que se encontra desempregado, resolve ser vendedor! E a profissão de vendedor exige tantas características de personalidade e aptidões! É uma das profissões mais difíceis de se exercer bem! É preciso ter o dom para progredir na área de vendas. Não há como forçar a barra. Então, o livro ajuda a pessoa a se entender, a se perceber e a procurar um direcionamento que a leve ao êxito profissional, tirando partido de si mesma, das virtudes que muitas vezes ela própria nunca notou.

- Fale da importância do livro para os jovens que são recém-formados.
- Os jovens recém-formados precisam apresentar um diferencial no currículo que alerte o entrevistador, no sentido de demonstrar por que razão aquela pessoa é melhor e mais adequada para um cargo do que as outras centenas ou milhares que estão disputando a mesma vaga. Hoje as organizações não procuram mais um colecionador de diplomas. Exemplo: Se um cargo exige memória, raciocínio lógico, autonomia e concentração, as pessoas que exaltarem esses detalhes tão importantes no currículo despertarão mais interesse. Mas, além de ser necessário falar a verdade, é preciso, antes de tudo, se conhecer para vender bem a própria competência. O marketing pessoal tem seu valor na questão da imagem, comportamento e relações humanas. Mas acredito mais na sinceridade exposta por um conhecimento profundo de si mesmo. O marketing pessoal é, muitas vezes, interpretado erroneamente. Ao tentar fazer marketing pessoal muitas vezes você corre o risco de vender uma falsa imagem. Tipo: Propaganda enganosa! Compreende? Com o tempo, todo o teatro será desvendado e não trará bons resultados. Muitas vezes a própria pessoa, sem querer, na ânsia de impressionar, de fazer bonito, acaba entrando na fantasia que criou e até se confunde, mas sempre tem os momentos em que a pessoa se despolicia e a máscara cai. Não é nada bom que isso ocorra. É importante não tentar impressionar erroneamente, pois o tempo revelará a pessoa por inteiro na execução das tarefas mais simples. De modo que é bom ser eficiente desde o início, com sinceridade. Acho que esse deve ser o fundamento do - marketing terapêutico. A verdade atrai credibilidade maior, e a credibilidade atrai mais responsabilidade, autonomia e promoção. Assim ninguém perde tempo e dinheiro. Mas é importante também, Elias, abordar os que ainda não se formaram, pois entrar no mercado de trabalho hoje é uma tarefa complicada. Por isso o livro é aberto a todos, sem exceção. Entrar no mercado de trabalho de forma errada pode levar um tempo que vale ouro para consertar o caminho tomado. É absurdo trocar de profissão com freqüência no desespero de conseguir uma colocação no mercado. Mas é o que mais está acontecendo atualmente.

- No mercado atual, em sua opinião, esse livro teria um papel importante na cidadania?
- Sim, porque o trabalho faz parte do exercício da cidadania. Sem trabalho ninguém vive, mas, além da remuneração, o mercado de trabalho envolve a questão de direitos humanos que não se resume à violência, criminalidade e preconceito. A auto-estima, o direito a uma remuneração decente, a noção do valor da vida, o respeito, direito à saúde, educação e informação, tudo isso faz parte do trabalho dos direitos humanos e também do exercício da cidadania.

- A quem você indicaria como uma Bíblia – ‘Os Mistérios da Fortuna’?
- Não tenho como citar um órgão público ou ONG, etc. que necessite ter - Os Mistérios da Fortuna como uma Bíblia. Poderia dizer que todas as pessoas físicas necessitam dessa “Bíblia”. Desde os mais bem colocados aos que desejam um lugar ao sol. Pessoas jurídicas, nesse caso, seriam todas as organizações, ONGS, especialmente profissionais de recursos humanos no sentido de investigar corretamente o potencial de um funcionário ou candidato a funcionário. Pois muitas vezes os funcionários são mal selecionados e acaba por não conseguirem cumprir adequadamente suas tarefas. Isso causa prejuízos ao indivíduo e igualmente à organização como um todo. É preciso que as organizações entendam que uma recepcionista pode destruir uma empresa. Pois qualquer contato presencial ou ligação passa por ela da mesma forma que um alto executivo. Não existe diferença de importância. A diferença real é meramente financeira, na questão da remuneração deste mercado de trabalho explorador, escravagista. Todos os cargos possuem uma vital importância no desenvolvimento de uma empresa e se isso não for devidamente valorizado. A motivação e a produtividade entrarão em declínio. O que seria de uma empresa sem o pessoal da limpeza, o ascensorista, o boy, a secretária... Até chegar ao diretor, ao presidente? Deixe apenas o presidente ou um dos diretores conduzindo a organização por um dia para ver o resultado! Um trabalho em equipe é algo muito sério! Todos os cargos se encontram interligados em busca de um mesmo objetivo. A troca constante de funcionários insatisfeitos ou considerados incompetentes, jamais resolverá o problema e, sim uma nova forma de se relacionar com os funcionários, além de procurar conhecer profundamente o seu pessoal. O ideal é fazer isso no momento da seleção. Mas muitas vezes esse processo de conhecimento só se intensifica com o tempo. A primeira impressão é a que fica. Mas nem sempre corresponde à realidade. E, antes de exigir experiência anterior, os departamentos de recursos humanos deveriam se importar mais com as características individuais dos candidatos. Experiência anterior nunca representou e jamais representará competência no exercício de uma função. Um recém-formado pode render mais do que um profissional experiente, se for devidamente analisado durante a entrevista pessoal e na dinâmica de grupo. É abordando tudo isso que a obra pode ser considerada uma Bíblia para todas as organizações, ONGs, órgãos públicos. Sem precisar citar um em especial. Todos precisam.

- Você é terapeuta com especialização em psicologia. Pretende lançar algo referente?
- Sou Terapeuta Holística - CRT 39620 com formação em Acupuntura Auricular, Cromoterapia, Reflexologia Podal, Florais de Bach e Fitoterapia. Fiz uma extensão especializada em Psicologia e Saúde Mental com qualificação plena. É impossível interpretar os distúrbios físicos sem analisar os componentes emocionais. Hoje, pelo menos 70% dos distúrbios físicos são psicossomáticos, ou seja, de fundo emocional. Embora eu não trabalhe com Psicoterapia ou Psicanálise, a Terapia Holística aborda o físico, emocional, mental e espiritual, que é um resumo do ser humano. A pessoa não é um fígado ou um coração. Ela é um todo. Com essa visão pretendo trabalhar problemas relacionados ao trabalho. Mas que certamente envolvem o lado emocional. Meu editor-chefe, Artur Rodrigues, já me pediu uma continuidade desse trabalho com - Os Mistérios da Fortuna. Vou atendê-lo! Mas, pretendo trabalhar todos os problemas emocionais através dos problemas do trabalho. Por uma razão muito simples: Passamos mais tempo no trabalho do que em casa ou com os amigos. Isso é fato. E os problemas do trabalho, em geral, são levados para a vida familiar causando enormes transtornos e crises de relacionamento. Da mesma forma que uma vida familiar e social desajustada interfere no desempenho profissional. Aproveitando minha formação em Gestão de Recursos Humanos e inúmeros cursos de extensão como Direção e Administração de Empresas, Conflitos Organizacionais, Seleção de Pessoal, Recolocação no Mercado de Trabalho, Auto-estima no Trabalho, Sucesso Profissional, Motivação e Produtividade, Chefia e Liderança, entre muitos outros , resolvi unir o mercado de trabalho à Terapia Holística, podendo ser considerada uma espécie de - Terapeuta do Mercado de Trabalho.
Foto montagem com a capa do livro - Os Mistéridos da Fortuna e foto da autora.

agosto 22, 2007

Didiê Cunha - a revelação do som!



Didiê, jovem talentoso de 24 anos, engenheiro de som, que desde que entrou em estúdio, se dedicou o melhor possível com muita perspicácia. Sendo assim, Didiê se tornou o que podemos dizer, um jovem engenheiro de som prodígio, mostrando que idade nem sempre é documento. Com uma bagagem profissional de meter inveja em qualquer marmanjo, experiência acumulada em mais de oito anos de atividade. Natural do Rio Grande do Sul, onde iniciou sua carreira, Didiê Cunha, trabalhou com artistas de renome em sua terra natal, dentre os quais ele destaca: Papas da Língua, Nenhum de Nós, Nico Nicolaiewsky, Renato Borguetti, dentre outros. Em descontraída conversa, em seu apartamento no Rio de Janeiro no dia 14 de agosto, ele conta algumas façanhas dentro do circuito da música. Deixemos a revelação do som falar!

- Você trabalhou com pessoas de renome?
- Sim. Lenine, um cara com quem eu trabalhei direto na produção da trilha sonora do grupo de dança - Corpo - junto com JR Tostoi. Trabalhei também com o SNZ, Preta Gil, Elza Soares, Celso Fonseca, Ivan Lins com Celso Viafra, Zéu Britto, F.UR.T.O (banda do Marcelo Yuka), Gabriel O Pensador, Kátia B, Roberta Sá, Luka, Banda Black Rio, Engenheiros do Hawaii, Daniel Rey, produtor dos Ramones que produziu o disco da banda Tequila Baby, Paulinho Moska, Bebel Gilberto, Antonio Villeroy, Martnália, Danni Carlos, Bossacucanova, Jacques Morelembaum, Arthur Maia, Hamilton de Holanda e Marcos Suzano.

- Como você foi parar na música?
- Eu tinha 16 anos quando fui passar as férias na casa de meu pai que mora em Goiânia, minha mãe é que mora em Porto alegre. Meu pai sempre abria algum negócio e depois fechava. Nesse verão, ele abriu uma escola de música. Lá tinha também um estúdio e começamos a mexer, a ler revistas especializadas e coisa e tal. Foi quando minha mãe ligou e disse: - Temos que arrumar um emprego pra você. Ela chegou a falar com meu primo Marco, que tem uma empresa de engenharia elétrica em Porto Alegre. Ele me perguntou o que eu queria fazer. Expliquei que nunca havia trabalhado e que apenas tinha mexido naquele estúdio de Goiânia, mas que não entendia nada nessa área. Esse meu primo conhecia o cara que era dono do maior estúdio de Porto Alegre – Tec Áudio, que é do Renato Alscher e do guitarrista gaúcho Marcelo Corsetti. Fiquei um mês visitando o estúdio e quando um assistente saiu me convidaram para entrar na vaga. Trabalhei na madrugada, das 20h às 6h do outro dia durante dois anos. Depois passei para o horário diurno. Comecei então a trabalhar com bandas locais como técnico. Isso foi em 1999. Era um estúdio tipo empresa. Hoje em dia, praticamente não existe estúdio com a rotatividade e quadro de funcionários como havia lá.

- Como você começou no estúdio?
- Como assistente de estúdio. É aquele cara que está aprendendo a enrolar cabo. Eu era muito cru! Tive a sorte de aprender com técnicos experiente do mercado gaúcho que aprenderam com o Renato que é muito bem conceituado e tido como um mestre! O pai do Renato é considerado um professor Pardal! Sabe tudo de eletrônica! Construiu o estúdio e fazia toda a manutenção. Sou um fã do “Seu” Egon Alscher. Em minha opinião, quem aprendeu com ele, não precisa de faculdade. O Renato está aqui no Rio, trabalha com a Marina Lima e têm um estúdio no Leblon - Corredor 5 estúdios, junto com o Clemente que é produtor musical. Durante seis anos fui aprendendo trabalhando diariamente mais de dez horas. Até que apareceu um artista que estava gravando seu disco no estúdio e que precisava de um técnico de monitor para sua equipe, foi quando o produtor técnico me perguntou se eu não estava interessado, já que eu trabalhava no estúdio e conhecia o repertório do artista. Sem pensar duas vezes, eu aceitei, com a cara e a coragem! Não falei que eu nunca tinha trabalhado ao vivo e eles também não sabiam disso. (risos). Sei que no final, deu tudo certo. Até chegar a faculdade, demorou anos. Comecei a fazer monitor, em seguida PA e gravar em estúdio varias bandas e artistas locais. Chegou um certo tempo que eu não tinha mais pra onde ir, em questões de trabalho. Trabalhava com as melhores bandas - Tequila Baby, Rosa Tattooada, Cidadão Quem, Papas da Língua, Nenhum de Nós, Orquestras... Até artistas regionais eu trabalhei. Fiz muita coisa no Sul.

- Chegou um momento que o Rio Grande do Sul ficou pequeno pra você?
- Sim. Coincidiu que em 2004 roubaram meu carro. Peguei uma grana do seguro e resolvi mudar. Minha mãe descobriu que havia no Rio de Janeiro, uma faculdade que tinha o curso de técnica de gravação. Como eu precisava de um motivo para vir para o Rio para procurar trabalho, aproveitei e fiz o curso na faculdade Estácio de Sá de técnica de gravação e produção fonográfica. Foram seis meses sem trabalho. Até que o Renato, que estava mixando o DVD da Martnália, me chamou para trabalhar junto a ele.

- Esse foi seu primeiro trabalho aqui no Rio de Janeiro?
- Sim! Foi meu primeiro trabalho aqui no Rio. Fui fazer todo SYNC do áudio com o vídeo do DVD. Foi muito trabalhoso e demandava muito tempo. Tínhamos prazo para entrega e não podíamos passar 25 horas dentro de um estúdio. No final saiu tudo bacana. A partir desse trabalho, começou a rolar um trabalho com ela – Martnália. Gravamos uma música que entrou na novela “À Lua me disse” que o Arthur Maia produziu depois de março. Em junho de 2005, fiz minha primeira tour pela Europa com a Martnália fazendo o PA. Até hoje, trabalho com ela.

- As portas abriram pra você?
- Sim. Digo que quem abriu as portas pra mim, foi o Renato, pelo seu trabalho e sua história tanto em estúdio como em shows. Ele ainda me apresentou o Celso Fonseca e Clemente, com quem fiz bastantes coisas. Gravei um disco de uma cantora italiana, Sandy Muller www.myspace.com/sandymuller, que o Marcelo Costa baterista da Marisa Monte produziu, na qual gravei músicos como: Jorge Helder, João Carlos Coutinho, Lew Soloff - famoso trompetista do circuito de be-bop nova-iorquino, Moska e o próprio Celso Fonseca. Também gravei, mixei e co-produzi o disco de um grupo de hip-hop de angola chamado: Major League Rap www.myspace.com/majorleaguehiphop.

- Você trabalhou também com o Gabriel o Pensador?
- Sim, era do mesmo escritório do F.UR.T.O, que na época eu fazia PA.
Acabou rolando uma tour pelos Estados Unidos. Fizemos Miami, Nova Iorque e Boston. Eu já havia feito uma viagem com a Martnália pela Europa em 2005. No final de 2005, fiz um sub de PA dos Engenheiros do Hawaii durante um mês. Depois, fiz novamente o F.UR.T.O. Começou a rolar o Gabriel. Acabei indo para Alemanha fazer Martnália com Chico Buarque na Copa do Mundo de 2006. Retornei em junho e em setembro, rolou essa tour com o Gabriel. O pessoal voltou e eu fiquei em Nova Iorque.

- Porque você ficou nos Estados Unidos?
- Queria abrir novos horizontes! Conheci umas pessoas e fui trabalhar dentro de um estúdio, que era um selo - Tycoon Dynasty - e acabei gravando e mixando duas faixas para um grupo que estava começando a fazer sucesso, de R’n’B do brooklyn, chamado – Deep, www.myspace.com/brooklynsdeep. Trabalhei em uma empresa que sonorizava shows médios de bandas locais em Manhattam e em Long Island. Foram três meses de aprendizagem. Quando retornei em dezembro, fiquei fazendo shows com a Luka. Comecei a trabalhar com a Danni Carlos em janeiro fazendo monitor e hoje faço PA. Em março e abril de 2007, gravei Marcos Suzano, Hamilton de Holanda, nas faixas de Kátia B, produzido por Jr Tostoi e também Roberta Sá, produzido por Rodrigo Campello. Ainda com Jr Tostoi, www.myspace.com/jrtostoi, produzi, gravei e fiz a mixagem para o EP do Pantico Rocha, www.myspace.com/panticorocha, baterista do Lenine, que tem participações do próprio Lenine e também de Pedro Luís - da Parede. Também gravei as baterias e masterizei o EP da banda dele Vulgue Tostoi, myspace.com/vulguetostoi. Em junho gravei um disco de uma banda de rock australiana chamada: The Regurgitators, www.myspace.com/regurgitators. Os caras viram minha página no My Space, www.myspace.com/didiecunha, fizeram contato e me contrataram para fazer a gravação e produção local. Foi um diretor da gravadora australiana chamada Verve Records. Ele e a banda vieram ao Rio e gravamos no Jardim Botânico, no estúdio SOMA, que possui uma console Neve. Alugamos a sala do estúdio Jam House, que é de ensaio e fica na mesma casa do SOMA, para termos duas salas para a gravação. O disco foi todo gravado no Brasil, mixado na Austrália e masterizado em NY, nos Estados Unidos. Ainda está para ser lançado.

- Você estava fora do Brasil?
- Acabamos de retornar da Angola com a Martnália onde fizemos três shows em Luanda. Ficamos uma semana por lá.

- Daqui pra frente?
- Continuo fazendo Martnália, Danni Carlos e sub’s para Bossacucanova, com show na Venezuela em setembro, Stereo Maracanã e trabalhos em estúdio.

- Qual seu último trabalho?
- Acabei de gravar uma faixa, dirigida por Edu Neves, para o disco do Antonio Villeroy, www.myspace.com/antoniovilleroymusic, que é um samba na qual os músicos que gravaram fazem parte da banda do Zeca Pagodinho. Estou trabalhando na produção de um artista independente também chamado Seu Flô, www.myspace.com/seuflorr e, em vários outros projetos menores.

Os reis do baile estão de volta ao Canecão!


The Fevers chega ao Canecão com o show ‘Vem dançar’

Grupo de rock mais popular do Brasil – The Fevers – chega ao palco do Canecão - Rio de Janeiro apresentando o show ‘Vem dançar’. No final do ano passado a banda lançou seu primeiro DVD pela gravadora Polydisc gravado em Recife e direção de JC Marinho e produção musical do r Liebert 'Fever' Ferreira. No DVD, a banda teve convidados especiais – Renato & seus Blues Caps e a banda paulista Pholhas.
“Acredito que nosso DVD já vendeu mais de 15 mil cópias”, comenta Luiz Cláudio.

O grupo formado por Luiz Cláudio (vocalista) e Liebert Ferreira (contra baixo e vocais) - dois remanescentes da formação histórica, mais o excelente Rama (guitarra e vocais), o já dinossauro Miguel Ângelo (teclados e vocais) e Otavio Henrique (bateria) que teve passagem por Sangue da Cidade e Vid Sangue Azul, continua percorrendo todo país lotando os maiores palcos nas principais cidades brasileira.
“Na realidade, quase não divulgamos o DVD no Rio, que saiu ano passado, por falta de espaço. Apareceu essa data coincidindo com os 40 anos do Canecão, que pra nós da banda, é o palco mais sagrado na historia do show business brasileiro e a mais tradicional na Cidade do Rio de Janeiro. É muito importante deixar nossa presença marcada num ano como esse. Os Fevers tem 42 anos de estrada e muita história nessa casa”, declara o cantor da banda Luiz Cláudio completatando: “Nesse show estaremos contando com as participações especiais do meu filho Luiz Cláudio Jr (violões), Paulo Meira (guitarra e vocal) e Marcos Neto (teclados e vocal)”.

Recentemente os The Fevers participaram do show comemorativo 40 Anos de Rock Brasil, ao lado de Wanderléa, Erasmo Carlos e Golden Boys, com registro ao vivo e posteriormente premiado pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos com Ouro e Platina, tanto para o DVD como para o CD. Foi aí que o grupo se empolgou e tocou em frente o projeto de lançar seu primeiro DVD. Para o repertório do DVD e CD que o acompanha, eles escolheram 20 grandes sucessos.
“Acredito que a banda chegou a formação ideal, tanto humano como musicalmente. O pessoal mais novo trouxe coisas novas. Essa mistura é que deu certo!”, avalia Luiz.

Quem pensa que os Fevers não tem gás para tantos shows e projetos, se enganam.
“Estamos planejando um novo trabalho, que poderá ser cd e DVD”, avisa Cláudio. Agora, é conferir o show ao vivo!

SERVIÇO
Show THE FEVERS – VEM DANÇAR
Local: Canecão. Avenida Venceslau Brás, 215 – Botafogo – Rio de Janeiro.
Capacidade: 2000 lugares
Data – 24.08.2007 (Sexta-feira)
Horário – 22 horas
Classificação – 16 anos
Informações: (21)2105-2000.
Site:
www.canecao.com.br
Ingressos: R$ 90,00 (Setor A e Frisa Central), R$ 85,00 (Setor B e Balcão Nobre), R$ 80,00 (Setor C e mezanino), R$ 60,00 (Frisa Lateral e poltronas par), R$ 20,00 (poltronas impar).

agosto 20, 2007

Cachorro Grande


Eles são amigos que se conheceram nas ruas de Porto Alegre, ainda nos anos 90. Ralaram e se divertiram, fazendo shows pelo país até chegarem ao grande público, em 2005, com o CD Pista Livre, o primeiro pela gravadora Deckdisc. Agora, com o novo Todos os Tempos, seu quarto álbum oficial, o grupo Cachorro Grande - Beto Bruno (voz), Marcelo Gross (guitarra), Rodolfo Krieger (baixo), Gabriel Azambuja (bateria) e Pedro Pelotas (piano) - está pronto para aumentar ainda mais o grande número de fãs que já curtem suas músicas influenciado no rock dos anos 60 e 70. Em entrevista concedia em 05 de junho de 2007 em São Paulo, a banda fala do caminho rumo ao sucesso. Com vocês! Cachorro Grande!

Por Elias Nogueira

- Muitas pessoas acreditam que esse é o primeiro disco da banda. Este é o grande teste?
Beto Bruno - Na verdade esse é o quarto disco de carreira da banda. Esse é o segundo pela Deck. Ao mesmo tempo esse disco foi gravado com maior preocupação. O primeiro pela Deck, que é uma grande gravadora, nós pensamos assim: Vamos botar pra f... Nesse disco! Esse foi mais relaxado, mas tranqüilo e o resultado saiu bem melhor que o anterior. Ao mesmo tempo em que é um grande teste, nos deixou bem mais tranqüilos. A gente lançou o nosso primeiro disco em 2001 de forma independente por uma gravadora pequena mesmo para os padrões do Rio Grande do Sul. Ou seja, não tínhamos distribuição nacional. Então o que a gente podia fazer para espalhar a nossa música era sair tocando nos festivais de bandas independentes. E foi o que aconteceu. Isso ajudou nos ajudou muito a conseguir um certo reconhecimento dentro desse cenário underground. O nosso segundo disco saiu encartado na “Outra Coisa”, revista editada pelo Lobão que mensalmente traz um CD encartado. Esse disco já chegou em todo o país e abriu as portas para que a gente conseguisse uma gravadora de médio porte, que é a Deckdisc, a nossa atual gravadora. Ao mesmo tempo acho legal que as coisas estejam acontecendo somente agora, já que a gente conhece essas histórias de bandas que estouram logo no primeiro disco e depois não conseguem se manter. Estamos com o pé no chão.

- Todos compõem na banda, antes não. Qual a diferença?
Beto Bruno - Agora nos vemos mais como banda. Antes era tudo por minha conta e do Gross. Aparecia sempre uma certa pressão sobre nós para aparecer com músicas novas. Entrou o Rodolfo que canta bem e tem música dele. Foi por isso que o convidamos para ingressar na banda e não queríamos apenas ele tocando baixo. Quando o Rodolfo entrou, ele deu, meio que, um empurrão no Gross e no Gabriel para eles cantarem as músicas que são de autorias deles. Hoje, quem tiver a melhor idéia, entramos os cinco de cabeça. Não têm mais regras! Todos compõem e acho que isso é o mais perto do que queremos. As bandas que gostamos e admiramos, Beatles, Mutantes e Pink Floyd, eram assim. Todos faziam músicas, todos cantavam. Esse é o caminho que nós iremos seguir daqui por diante.

- Na seleção do repertório teve sobras?
Marcelo – Tem sim, Algumas coisas legais que não puderam entrar. Nos discos anteriores, também ficaram coisas de fora.

- O que pretendem fazer com o que ficou de fora?
Marcelo - Quem sabe daqui a algum tempo lançar um álbum duplo com todas as sobras.

- Beatles, Rolling Stones, Mutantes... Serviram de inspirações. Da nova geração o que vocês escutam?
Beto - Bandas influenciadas por Beatles e Rolling Stones! (risos). Gostamos muito do Supergrass. No ano passado conheci uma banda chamada Racounteurs que acho sensacional! Não vejo a hora de sair o próximo disco. Estamos escutando de tudo. Redescobrimos o som do Manchester do final dos anos 80. The Stone Roses começo do Primal Scream, que é um grupo de rock alternativo formado como um duo no ano de 1982 em Glasgow, Escócia, por Bobby Gillespie, antigo baterista do The Jesus and Mary Chain e Jim Beattie. Na época dos grunges, que não deixaram acontecer por aqui, lá fora foi muito forte e acabou que ninguém fez esse tipo de som no Brasil. Tem um cara que escutamos muito que é o Ian Brown que é um músico da Inglaterra e ex-vocalista líder da banda de índie rock e britpop The Stone Roses. O motorista do ônibus não agüenta mais escutar! (risos). Esse sim é um cara que quando escutamos sabemos que estamos em 2007. Adoramos Oasis, Blur que retornaram.

Rodolfo – Gostamos de bandas obscuras também, The Biz que uma banda do interior da Inglaterra. Isso têm tudo haver com disco.

Beto - Não escutamos somente coisas antigas! Mas quando os velhos lançam disco, é sempre um melhor que o outro. Por exemplo: O melhor disco do ano passado foi do Neil Young e o desse ano, é do Paul McCartney! O último do Rolling Stones é um dos melhores deles!
No lado nacional escutamos muita coisa. Cascadura por exemplo, uma banda de Salvador.

Marcelo – Em função disso, a banda fica mais solta, mais alegre, mas rock! Assim o grupo fica mais unido também!

Rodolfo - Todos os baixos do disco, foram gravados junto com a bateria.


- O Cachorro surgiu numa leva de bandas gaúchas (Bidê ou Balde, Vídeo Hits, Wonkavision...). Vejo que agora dá pra falar com certa segurança que de todos aqueles grupos vocês foram os que se deram melhor no resto do país. Outra coisa: é público e notório que bandas do sul, principalmente do Rio Grande do Sul, fazem sucesso em seu estado de origem, mas não chegam, salvo as exceções, ao estrelato maior, ou seja, não conseguem fazer sucesso no resto do país, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. O que vocês têm a dizer sobre isso?
Beto - Eu acho que foi porque a gente insistiu muito mesmo na época do primeiro disco. Estamos felizes das coisas não acontecerem de uma hora pra outra. Porque banda que aparecem assim, também desaparecem de uma hora pra outra. Quanto ao sucesso somente no RS, acho que é comodidade por parte deles. E para nós isso nunca nos pareceu legal, já que o rock é a música mais universal que existe. Seria muito mais tranqüilo ficar morando em Porto Alegre e morar com a mamãe! Mas não, nós viemos para os primeiros shows aqui em São Paulo. Tocamos para 30 pessoas. Muitas bandas de lá vieram também e tocaram para 30 pessoas e nunca mais voltaram. Porque lá, eles tocam pra mais de mil pessoas. Na segunda vez que tocamos aqui, tinham 35 pessoas, já na terceira tinham 100 pessoas. Ficamos morando aqui num apartamento pequeno com sete pessoas. Do Rio Grande do Sul, temos apenas saudades.

Gabriel – Uma anda de rock não pode se prender por lá! Tem procurar as grandes vitrines que são Rio e São Paulo.

Marcelo - Começamos aos poucos. Vínhamos de vez em quando até assinarmos com a Deck. Ralamos muito! Vai ver que a galera (do Sul) não tenha forçado tanto quando deveria, talvez por terem achado cômodo ficar restrito ao cenário gaúcho.

- O Estado chega a ser uma influência no jeito de ser da banda, já que a cena de rock do estado é forte e permite que muitos grupos sobrevivam tocando apenas localmente.
Beto Bruno - Isso é bem legal mesmo, rola muito das bandas de Porto Alegre tocarem por todo o interior do Estado. Mas isso acaba levando àquela comodidade de que já falamos há pouco. Por isso a gente prefere ficar se dividindo entre Rio, São Paulo e Porto Alegre.

- Vocês tem tocado bastante antes de ficar somente por conta da gravação do disco. Como funciona o repertório do show?
Beto - Nós não armamos repertório e não gostamos de repetir o mesmo show. Achamos que fica uma coisa muita mecânica e não agüentaríamos. Olhando pelo lado do público, é bem melhor você ir a um show que não fosse o mesmo repertório do disco. Seria muito xarope! Tem solos diferentes, às vezes as músicas ficam mais longas. Quando tocamos, nos divertimos e dessa forma, o público também se diverte.

Entrevista na íntegra no jornal International Magazine (capa) da edição 134 de agosto de 2007.

agosto 06, 2007

Rick & Renner


Rick & Renner
Coisa de Deus

“Coisa de Deus” é o nome do novo álbum de Rick & Renner, que chega para confirmar a bem sucedida carreira da dupla. O primeiro lançamento foi em 1993 e desde 1998 os discos da dupla são de Ouro e/ou Platina, uma franca demonstração de que a dupla sabe exatamente o que quer. O amor continua sendo o tema favorito de Rick & Renner. Neste novo CD – produzido por Rick, com coordenação e direção de Manoel Nenzinho Pinto –, eles estão mais românticos do que nunca e com menos letras de duplo sentido, mas sem perder o bom humor. Acompanhe um papo de Renner com Elias Nogueira.


Discos
14 discos, mais de cinco milhões vendidos, fora os piratas.

Repertório
Foi uma coisa bem nova do Rick. Manoel Nenzinho, eu e o Rick elaboramos durante um ano as músicas. Cortamos várias canções uma semana antes de entrar no estúdio para gravar. Foi tudo feito em cima da hora.

Amizade
Desde 86 quando começou, somos amigos. Tocamos em muitos lugares. Eram bares e casas noturnas. Isso aconteceu entre 1986 até chegar 1992, quando chegou 1993, lançamos o primeiro disco. É muito tempo junto. Tivemos brigas sim, mas sempre prevalece a melhor opinião. Somos iguais a um casal! Estamos mais maduros! No começo brigávamos por bobagens. Depois víamos que não tinha nada haver. Somos amigos e o Rick é o cara! (risos)

Roberto Carlos
A idéia foi nossa de regravar alguma coisa do Rei. Acabamos escolhendo “Quando”. É difícil escolher. A primeira preocupação era a liberação. Tivemos sorte, ele liberou de cara! Ele, Roberto Carlos, nos conhece, mas quem fez o contato foi o maestro. Estamos de olho em outras canções, mas não vamos abusar do homem!

Participação de Zezé Di Camargo & Luciano e Luiz Caldas
Zezé é padrinho do Rick e Renner e devemos muito a ele. Um dia falamos que iríamos gravar juntos e passaram 14 discos. Luiza Caldas é um grande musico e meu amigo. Resgatamos o Luiz por que estava sumido da mídia e ele merece por tudo que já fez pela música.

Shows
Em São Paulo. no Rio de Janeiro é complicado! Tenho muita curiosidade de cantar no Claro Hall! Gostaria de ver o que aconteceria.
Assim teria uma informação melhor do Rio. Seria um laboratório para nós! Quem sabe surpreendemos? Nós amamos o Rio de Janeiro.

julho 31, 2007

Livro "Donna"

Um dia desses conversando sobre música com um amigo, que não via há muito tempo, na ocasião, ele me deu de presente um DVD com show ao vivo do True Illusion. Sua antiga banda instrumental que andou fazendo um reboliço no Rio Janeiro, por lançar discos e colocar um público grande em suas apresentações. Esse DVD é do show realizado no Museu Nacional de Belas Artes, no centro do Rio de Janeiro em abril de 2001, por conta do projeto “500 anos de Som”. Junto com esse presente, veio um livro chamado simplesmente: “Donna”. Fiquei encantado com o que vi! O livro era de Donna Benchimol, uma artista plástica brasileira com carreira internacional bem sucedida. Por isso, não poderia deixar de noticiar uma obra colocada em livro e ao alcance de muitos que nunca tiveram oportunidade em ver.

Desde que fez uma viagem a Europa, em 1984, a artista plástica Donna Benchimol se encantou com o que viu nos museus e galerias de lá e tomou gosto por pincéis e telas. Passados 23 anos desde o dia que descobriu que a pintura seria seu grande prazer na vida. O que era prazer, passou a ser um trabalho profissional.

Com muita determinação, empenho e dedicação pelo seu trabalho artístico, Donna Benchimol se tornou uma artista plástica reconhecida pela sua obra, levando assim para o exterior sua arte. Suas obras são sempre presença confirmada nos salões, exposições coletivas e individuais. Para se ter uma idéia, as obras de Donna Benchimol circularam em galerias internacionais da França, Portugal e Espanha. Tudo isso era uma forma de divulgar o seu trabalho.

No início as telas eram mais direcionadas a temas de retrato e naturezas-mortas, que é uma característica de Arte Ingênua. Hoje em dia, Donna desenvolve obras de linguagem Naif Contemporânea associada a uma sensibilidade, emoção e espontaneidade que são as melhores qualidades de Donna. Nascida em Belém do Pará, Donna retrata o cotidiano regional brasileiro numa visão totalmente pessoal.

Donna Benchimol tem hoje, mais de 300 obras catalogadas entre estudos, desenhos e pinturas. O trabalho já lhe rendeu premiações como: Great Gold Medal (Obra - Festa Boi Bumba em Parintins); Máster Silver Medal (Show di Arte), dentre outros.

Em tempo: Donna Benchimol lança o livro “Donna” - Editora Celso F. Bastos - onde coloca uma vasta variedades de suas obras. Com 65 páginas, o livro teve a coordenação editorial de Celso F. Bastos, a ilustração da capa é uma obra de Donna Bechimol - “Donna em Nova York” e fotos de Fernando – Home Office Design.

É mais um brasileiro tendo seu valor artístico reconhecido internacionalmente.

julho 27, 2007

Big Gilson


Big Gilson, bluesman brasileiro com carreira internacional solidificada de onde recentemente regressa de sua última turnê pela Europa, onde se apresentou em 42 shows durante dois meses, trazendo na mala o apoio dos amplificadores Marshall. Guitarrista, cantor e compositor, Big Gilson, elogiado pela imprensa internacional especializada e também por ninguém menos do que BB King (Quando vejo um jovem tocando blues tão bem assim e tão longe da América, sinto que minha missão nesta vida está cumprida) e Buddy Guy (De quem tem convite para retornar ao seu clube em Chicago a hora que quiser), lança seu mais novo trabalho “Chrysalis”. O resultado de “Chrysalis” (Blues Time Records) é sua parceria com o cantor inglês The Wolf, contemporâneo de Eric Clapton, Mick Jagger e Peter Green, com os quais formou bandas no inicio de suas carreiras e compôs várias músicas. Eles se encontraram em uma das turnês do Big pela Europa... Desse momento em diante, estabeleceu-se uma grande amizade e afinidade musical. Em entrevista exclusiva concedida a Elias Nogueira, Big Gilson fala da carreira, disco e turnês. Deixemos “O orgulho nacional do blues” falar!


Big Gilson, como você foi parar na música?
- Ouvi muito som quando era moleque, meu pai me apresentou os três primeiros LPs que eu ouvi muito na minha vida. Meu pai ainda falou que música era aquilo pra ele. Os discos que ele me apresentou foram: Do Oscar Peterson que não me lembro o título, Flowers dos Rolling Stones e o Sargent Peppers dos Beatles. Aí eu me amarrei! Os Beatles foi o que mais me impressionou na época. Até que eu vi o Johnny Winter tocando numa festa.

Você já tinha alguma experiência?
- Não, eu não tinha nem tentando tocar guitarra. Eu tinha 13, 14 anos, por ai. Comecei a tocar toda tarde com uma turma de amigos perto da minha casa em Copacabana, na Rua Dias da Rocha. Eu ia lá, tocava, mas ainda não tinha instrumento e meu pai nunca tinha me dado uma guitarra. Tinha condições de dar, mas não quis dar, achava que música era coisa de drogado, vagabundo, porque era assim que os músicos eram vistos naquela época. Juntei gibis usados, vendia na rua e comprei meu primeiro violão com o meu dinheiro. Fui aprendendo a tocar, mas minha primeira guitarra mesmo eu comprei quando tinhas uns 25 anos. Não tinha grana, não tinha apoio da família, então foi só quando eu comecei a trabalhar, depois de me casar que comprei uma guitarra. Antes, eu pedia emprestada. Eu sempre via a música mais para o rock, e eu não queria tocar música dos outros, não queria ser contratado para ser músico da Joanna, da Ângela Ro Ro, dentre outros. Respeito à posição deles, mas para mim, a música é a minha arte. E para sobreviver com a minha arte eu precisava fazer outra coisa por prazer, por diversão. E foi assim durante um bom tempo, até que surgiu a Blitz, o Rock in Rio I, teve essa abertura pro rock já nos anos 80. Depois que eu casei, aos 23 anos, fiquei uns cinco anos sem tocar. Mas com o Rock in Rio, eu me animei, comprei a minha primeira guitarra, já trabalhava, já estava casado, e comecei a tocar, procurar uma banda. Mas o pessoal que eu conhecia que tocava, estava todo mundo comprometido tocando profissionalmente com outros artistas. Nessa época eu conheci o Jornal O Balcão. Lá tinha a seção de Atividades Artísticas. Fui procurar banda ali! Passei por várias bandas, até chegar numa banda chamada: Terceiro Vagão. Eu sempre tinha a sorte de ser aprovado, e fui aprovado! Fui o último teste que fiz. Os caras se amarraram, me colocaram na banda, o nome da banda mudou para Emoções Baratas. Tocamos durante um tempo, passamos por várias formações, e a última formação dos Emoções Baratas, foi eu na guitarra, o Beto na bateria, Ricardo cantando, Marquinhos que depois saiu, no baixo.

O Marcos Yallouz que é um baixista que toca em Mato Grosso do Sul?
- É isso mesmo! O Marcos Yallouz. A gente estava nessa formação e surgiu uma idéia de tocar muito blues que já estava pegando na época. Nós tocávamos muito rock, mas também gostava de blues. Surgiu à oportunidade fazermos um trabalho com um empresário que tinha lançado os Etílicos - Renato Arias. Ele tinha outra banda chamada: Gato Negro, que ele gostava muito. Então ele fez uma fusão dessas duas bandas, Gato Negro e Emoções Baratas. Em pouco tempo rolou uma ruptura dessa nova banda. Chamamos de volta o Ricardo Werther que tinha saído e no final ficou: Eu, Beto e Allan Warszavsky (tecladista). Precisávamos de um baixista e chamamos o Ugo Perrota, que tinha tocado conosco no Gato Negro com quem tinha rolado uma química muito boa. O Ricardo tinha parado de cantar, trabalhava na Varig, estava difícil conciliar. Fechamos em torno da banda, ensaiamos durante vários meses, mudamos repertório. A cara da banda mudou totalmente. O nome Emoções Baratas não cabia mais, quebramos a cabeça e achamos o nome Big Allambik e começou a história.

O Big Allambik lançou quantos discos?
- Oficialmente quatro. Um inédito ainda que algum dia vai sair. Dois de estúdio e um ao vivo “Destilado ao vivo”.

E ai?
- As coisas começaram a acontecer muito rápido para o Big Allambik. Com oito meses de banda já estávamos lançando o primeiro disco: O “Blues special reserve” que acabou se tornando um clássico do blues nacional. Lançamos o segundo disco, “Black coffee” no ano seguinte. Tivemos uma carreira de sete anos.

O Big Allambik chegou a fazer, quase, que uma carreira internacional?
- É, a gente fez uma turnê internacional e foi a primeira banda brasileira de blues fora do Brasil. Gravamos o nosso terceiro disco “Batuque y blues” em Nova York. Voltamos, fizemos o quarto disco que foi gravado o ao vivo em Juiz de Fora, mas antes disso em 1995, eu já tinha lançado o meu primeiro cd solo, “Yelow mojo blues”.

Antes de a banda acabar?
- É, apesar de que estávamos vivendo uma época boa do blues, a agenda não ficava 100% completa. Depois de um ano de banda mais ou menos, a gente só fazia música e precisava de mais algum trabalho para completar a agenda. Foi quando eu e Allan fizemos um duo acústico que deu certo! Recebemos convite pra gravar o segundo, “Cab driver blues”, em Dallas no Texas.

O segundo disco com o Allan rendeu uma turnê no exterior?
- Não, apenas gravamos em Dallas e voltamos. Logo depois do lançamento do disco, o Allan largou duo e nem chegou a fazer as coisas do disco. Saiu do trabalho do Big Allambik, saiu do trabalho comigo...Ele saiu geral! Aí eu fiz a divulgação do disco sozinho e continuei solo depois que o Big Allambik terminou de verdade.

Quantos discos você já lançou?
- Esse é o décimo segundo contando com os do Big Allambik. Em carreira solo, é o oitavo.

Você tocava mais no Brasil. Como se deu a carreira internacional? Você tem muitos fãs aqui no Brasil, mas não é como é lá fora.
- Com certeza. Eu acho que aqui, as pessoas ainda não têm a cultura para saber discernir e acham que tudo é a mesma coisa, todo mundo toca igual... Tanto faz se é iniciante, se é mais profissional, não sabem distinguir quem é bom. Com o Big Allambik mesmo, surgiu muita banda fazendo blues para pegar carona e nem era do lance. O blues é aparentemente fácil de tocar, tem muita banda que sabe que não tem a menor condição de estar na estrada. Nesse caso, acho que é por isso que lá fora o pessoal tem um know-how de música. Eles dão um grande valor e isso não acontece no meu próprio país.

Quantas turnês você já fez?
- Já perdi a conta...

Em quantos países você já se apresentou?
- Em muitos lugares da América... Brasil, Argentina, América do Sul, na Europa. Toquei na Inglaterra, País de Gales, Sul da Escócia, França, Bélgica, Alemanha, Espanha. Nos EUA - Oklahoma, Califórnia, Flórida, Washington...

Você é um cara do blues, mas não é ortodoxo. Em seu trabalho, tem rock e até pop. Você teve uma fase mais popular. Andou gravando Bebeco Garcia, que é bem mais popular do que você. Andou tocando Beatles... Qual é o seu diferencial em relação ao pessoal todo que toca blues?
- Eu acho que o fato de eu estar sempre viajando, vendo o que está rolando lá fora me modernizou. Então você tem várias vertentes. Hoje em dia tem uma molecada nova tocando blues e rock pesadão. O blues é um leque muito aberto, não é só aquele lance arrastado que o pessoal está acostumado. Agora, em meus trabalhos em disco, tento mostrar uma evolução e tento mostrar também que o blues caminha, vai evoluindo e mudando com o passar do tempo.

O que você escuta atualmente? Fica ligado no que está acontecendo?
- Eu não gosto muito das coisas novas que estão acontecendo. Mas tem coisas boas, tem coisas legais rolando. Gosto muito de música simples, com swing e boa de ouvir. Procuro ouvir muito blues também. Pesquiso bandas pouco conhecidas. Curto Zeca Baleiro. Estou curtindo muito o DVD do Seu Jorge e Ana Carolina, Skank, Jota Quest, músicas fáceis e gostosas de ouvir.

Big Gilson está lançando disco novo.
- Estou lançando o disco "Chrysalis". É crisálida em português, aquela transformação da borboleta no casulo, então dá um sentido de renovação de vida, de mudanças.

Você gravou com um cantor inglês? Conte como aconteceu?
- Pois é, o The Wolf mandou o material do seu último disco, antes de me conhecer, para divulgar em várias partes do mundo. E esse disco chegou às mãos de um DJ na Argentina, no sul da Argentina em Santa Fé. O cara era meu fã e colocou a gente em contato. Nos falamos pela internet. Da amizade surgiu à vontade de unir forças, pois eu nunca havia tocado na Inglaterra! Havia tocado pouco na Europa e ele nunca havia tocado nos Estados Unidos e no Brasil. Demos as mãos e fizemos um trabalho. Gravamos um disco lá fora, chamado “Bring it back home”, que não foi lançado no Brasil. Daí surgiu essa necessidade de fazer uma coisa totalmente inovadora. Acho que esse cd é uma mistura de blues com rock twist americano e rockabilly, tem de tudo aí. Não consigo tocar nada que não tenha o sotaque do blues. Mas acho que é uma idéia bem inovadora. Não é só rock e nem só blues, tem country. O The Wolf no início de carreira teve bandas, e eram bandas de cover. Só mudava de bandas, mas o repertório era o mesmo. O cara não chegou a ser famoso, mas é muito respeitado no meio musical.

Ele era amigo do Eric Clapton?
- Era, mas depois eles brigaram e eu não posso dizer por que. O Clapton foi acusado de plagiar uma música dele, nem vou dizer porque se trata de pessoas famosas. Eles processaram o Clapton e perderam! Lógico! Naquelas batalhas de advogados de majors. Mas aí, uma vez ele e o Clapton se encontraram em um estúdio na Alemanha e o Clapton deixou cair um case de guitarra com dez mil Pounds dentro. Uns vinte mil dólares, como se fosse um cala boca. Mas o The Wolf não pegou. Ele era muito marrento! Orgulhoso! Verdade ou não, eu não sei, é a versão do The Wolf.

Fale mais do “Chrysalis”.
- Geralmente eu toco com a banda que já me acompanha há muito tempo. Eles sempre me ajudam nos arranjos, dão idéias, coisa e tal. Mas nesse processo quis que todo mundo participasse de tudo. Combinamos de cada um trazer as idéias. O Pedro Leão é um segurança, ele faz com que você possa errar, viajar e voltar, por exemplo. Tem o Otávio Rocha (guitarra), Beto Werther (bateria) que é antigo parceiro de banda e amigo. Fazendo coro tem a menina, Fernanda Rodrigues. As maiorias das músicas foram idéias minhas, do Beto e do Otávio. Antes nós íamos para o estúdio e gravava uma linha de vocal melódica e mandava para o The Wolf, na Inglaterra, fez a maioria das letras. Então, 90% das músicas foram feitas assim. Tem duas músicas só minhas: “Lulu boogie” e “Slidin’around”. O resto é tudo de todo mundo.

Quer dizer que a esposa do The Wolf também compõe?
- É, eu não sabia. Ela fazia as letras para ele.

O processo de gravação?
- A bateria foi gravada no estúdio Boombox pelo Pedro Garcia. Pedro é filho do Bebeco e, o estúdio é em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. O restante foi gravado, mixado e masterizado em minha casa. Depois fizemos uma turnê nos EUA, mesmo sem terminar o disco. Muito boa por sinal! Na volta, o The Wolf chegou na Inglaterra e teve um ataque cardíaco fulminante. Isso foi em 2005 no aeroporto mesmo, nem deu tempo de voltar pra casa. Há oito meses a mulher dele, a Gillian, também morreu de câncer nos dois pulmões e foi também muito rápido. Nunca havia ocorrido de perder assim um cara que tivesse trabalhado na música comigo. Fiquei arrasado!

Não faz muito tempo, você fez uma outra turnê. Essa foi pela Europa. Foi a última?
- Essa última agora e foi a maior! Foram 42 shows. Foi ótimo! Principalmente na Inglaterra. Ficamos cinco semanas na Inglaterra, uma semana na Alemanha e duas semanas na Espanha. Nessa turnê toquei nos festivais, Micky Moody do Whitesnake, ele com o David Coverdale. Foi legal, conheci o baterista original do Dire Straits. Teve show de um baixista que já tocou comigo no país de Gales em que ele me viu, me chamou para fazer uma participação e tocar. Um cara muito simples e tranqüilo. Na Inglaterra, dessa vez, fui com empresário. Então, além dos shows, tive música tocando na BBC de Londres no programa mais ouvido na Inglaterra, do Paul Jones e assim que cheguei, ele anunciou que eu ia tocar com o Micy Moody. Só isso já levou um monte de gente para meus shows. Só em falar no meu nome, sem tocar minha música. Aí, três semanas depois quando voltei da Europa, no primeiro programa ele tocou minha música e passou toda a minha agenda no ar, show por show. Ele não costumava fazer isso. Todos os meus shows daí pra frente bombaram por causa da penetração desse programa. Na mesma noite que tocou a música no programa do Paul Jones eu estava chegando no País de Gales para um programa de rádio com duas horas de duração. Só comigo, com músicas, entrevista. Teve duas horas de programação, falei da minha carreira toda, foi muito bacana. Recebi um apoio da Marshall que me cedeu um amplificador para turnê e eu acabei ficando com o ele. Estou no site da Marshall ao lado de Billy Gibbons (ZZ TOP), Angus Young, Gary Moore, etc... Eu não tinha como levar um amplificador daqui. Os caras gostaram do meu trabalho, teve o apoio de várias revistas! Até capa! Os caras viram que era coisa de responsa! (risos) Disseram que no ano que vem, posso montar um amplificador customizado, do jeito que eu quiser, que vão fazer especialmente pra mim.

Isso foi uma surpresa?
- Lógico! Sou o único Sul Americano e junto ao Gary Moore, um dos dois únicos de blues.

Você conhece outro brasileiro que tenha um apoio ou patrocínio da Marshall?
- Não, porque a Marshall não faz patrocínio diretamente. Os distribuidores não patrocinam ninguém. Então, é algo realmente que nunca pensei que pudesse acontecer comigo, mas aconteceu.

Você chegou a se apresentar para eles ou algo assim?
- Não, até porque eu já estava indo embora, era o último dia. Ia devolver o amplificador e o cara mandou levar. Foram muito legais comigo. Engraçado, meu primeiro show dessa segunda leva na Inglaterra foi um acústico, num pub perto da própria Marshall e quem apareceu pra dar uma canja foi o Tim Marshall, filho do dono, o Jim Marshall. Ele toca saxofone, tiramos foto e tudo. Depois, quando fui tocar na universidade de Oxford, ele, o Tim, apareceu de novo. Pegou o sax dele e tocou. Toca mais jazz, mas tocou blues comigo.

Agora vai receber outro Marshall?
- Sim, mas acho que vou pedir umas modificações. Umas coisas diferentes. Eu queria mudar umas válvulas e consegui trocar na Alemanha, fui na casa do cara, ele pediu pra eu tocar pra ele e me elogiou muito! Disse também que foi um pena eu não ter ido uma semana antes! Porque quem esteve lá foi o Eric Clapton. O cara já fez trabalho também para o Brian May e outros mais. Eu chamo essa turnê de Cinderela Pura, pois aconteceram coisas espetaculares.

O que os fãs do Brasil podem esperar de Big Gilson?
- Estou sempre tentando me renovar. Todos meus discos são diferentes, não caio na melhor fórmula e nem fico nela direto. Estou tocando muito violão junto com guitarra, mas é uma sonoridade muito diferente e eu já estou pensando em outras sonoridades para o próximo disco. Já tenho várias músicas feitas, mas depois que perdi o Wolf, fiquei meio perdido, estagnado, sem saber o que fazer da minha vida. No meu último encontro com a Gillian, esposa do Wolf, antes de voltar para o Brasil, na despedida, fiz uma música para ela. Uma espécie de premonição. Pedi um papel no táxi e comecei a escrever... É bem triste... Fala de como é duro dizer adeus... Essa música é muito forte pra mim e vai entrar no próximo disco.

julho 18, 2007

Rodrigo Santos


Rodrigo Santos em carreira solo

Acostumado à correria de uma agenda repleta de shows, Rodrigo Santos, baixista do Barão Vermelho há 15 anos, vem preparando o CD “Um pouco mais de calma” com expectativa entre um show e outro. Com as músicas no ponto, o baixista assume agora seu lado cantor e parte para o teste de seu primeiro CD solo, com lançamento previsto para o primeiro semestre deste ano.
Assumindo o vocal e o violão, Rodrigo estará acompanhado de parceiros de outras viagens musicais, como Kadu Menezes (Kid Abelha) na bateria, Fernando Magalhães (Barão Vermelho) nas guitarras, violões e vocais, Humberto Barros (Kid Abelha/Lobão) nos teclados e vocais, Nani Dias (Os Britos) na guitarra e vocais, e Jorge Valladão no baixo, violões e vocais. Em entrevista exclusiva, Rodrigo fala de drogas, amigos e de sua trajetória dentro da música.

- Como você foi parar na música? Você é autodidata?
- Sou, tive umas aulas de violão com Nilson Chaves, mas de baixo foipraticamente sozinho. Umas quatro aulas com Nico Assumpção me deram uma base. Ele mesmo falou para seguir o meu caminho, que estava tudo certo. A meu aprendizado foi ter escutado discos dos Beatles, Stanley Clarke, Yes, Pink Floyd, Neil Young, Crosby, Stills and Nash, Led Zeppellin, Jaco Pastorius, A Cor do Som, Pepeu Gomes, América, Jean-Luck-Ponty, Fletwood Mac, Stevie Miller Band, Doobie Brothers, Almann Brothers, Jethro Tull, Rita Lee, Paco de Lucia, The Cure, The Smiths, U2, Peter Frampton, Rolling Stones, Wishbone Ash, Paralamas, Kid Abelha, The Police, Men At Work, Duran Duran, Brian Ferry, Pretenders, ACDC, Supertramp, Cat Stevens, James Taylor, Elvis Presley, Bill Halley, Stray Cats, Bob Dylan, Caetano, Gilberto Gil, Secos e Molhados, Novos Baianos e Raul Seixas. Sempre fiquei horas tirando os baixos, vocais, violões, solos, etc. Escutei muita, mas muita musica mesmo! Mas fui parar na música por causa dos Beatles. Principalmente pela riqueza da história e da magia que eles proporcionaram. Gosto muito de melodia e não abro mão disso. Talvez, por isso goste mais das bandas dos anos de 60,70 e 80. Não gosto muito de rap. Por exemplo: salvo raríssimas coisas como, RunDMC e Gabriel o Pensador, as coisas faladas de guetos não me atraem. Gosto da musicalidade dos trovadores e da música com melodia cinematográfica.

- Fale das primeiras bandas de que você foi integrante. Como você conheceu o Nani Dias e formou uma banda? Você chegou a tocar no Telefone Gol?
- O Telefone Gol não era comigo e sim com o Dé. Foi uma facção do Front, banda que contava comigo, Kadu Menezes, Nani Dias e Ricardinho Palmeira. Nani e Kadu foram depois pro Telefone Gol. No Front, fui convidado a substituir Bruno Araújo no baixo. Alguns meses depois, o vocalista Beto saiu e assumi os vocais durante dez anos com muitos shows, TV e radio. Em 1984, mais ou menos. Já conhecia o Kadu, tivemos uma banda chamada Choque Geral. Ele me indicou para os Eletrodomésticos. Com a saída do Bruno, Kadu me chamou para o Front e em seguida, para os Miquinhos. Tive nesse meio tempo uma banda chamada Prisma com Marcelo Serrado, André Estrella, Nito, Felipe e João Guilherme Estrella. Éramos muitos conhecidos no Rio de Janeiro.

- Você tocou com alguns nomes marcantes da música nacional. Fale-me sobre acompanhar o Leo Jaime e Lobão? Como foi que isso aconteceu?
- Como disse, ao entrar para no João Penca e seus Miquinhos Amestrados, eu abri uma porta grande na cena musical carioca, pois os Miquinhos eram muito famosos no Rio e logo em seguida no Brasil inteiro. Conhecemos o Leo Jaime ali. Ele foi um dos vocalistas e compositores dos Micos. Ao mesmo tempo, assinamos com a antiga CBS, a gravação de um compacto do Front, já comigo nos vocais, produzido pelo Leo, que também era da CBS. Quando Leo mudou a banda, o Front todo foi tocar com ele e mais o tecladista Glauton Campello. Fizemos milhares de shows por mais de dois anos, lançamos dois discos e ainda colocamos uma musica do Front na trilha do filme Rock Estrela, estrelado pelo Leo. Quando Leo Jaime trocou de novo a banda, fiquei uns meses tocando aqui e ali com o Front, até pintar o convite do Lobão. Foi um telefonema dele, indicação do meu amigo e guitarrista Sergio Serra do Ultraje a Rigor, que na época estava ensaiando com Lobão à tarde e a noite, eu já era da banda. Como tocamos em trio, eu, Serginho e Lobão, a sintonia foi absolutamente perfeita e eu tinha encontrado um grande baterista a altura do Kadu Menezes. Lobão na batera, eu no baixo e Sergio na guitarra, foi à formação do disco Cuidado, de 1988. Serginho saiu antes da turnê e, para fazer shows, precisávamos também de um baterista, pois Lobão tocava guitarra. Chamei Kadu e Nani. Pronto, estava formado Os Presidentes. Fizemos mais dois discos Sob o Sol de Parador, em Los Angeles, produzido pelo Liminha e, também o Ao Vivo no Hollywood Rock de 1990 na praça da Apoteose. Eu ainda gravei sem eles o disco O Inferno é Fogo de 1991. Fiz a turnê e Lobão resolveu fazer só violão e voz.

- Como você entrou para o Barão Vermelho?
- Pois é! Na mesma semana Dadi saiu do Barão, fui imediatamente convidado. Quando Dé saiu, eu já era um dos nomes cogitados pelo Guto e Frejat. Estou a 16 anos no Barão e é a formação mais duradoura e definitiva da banda. Somos uma família. Gravei sete discos e fizemos muita...muita coisa. Nesse tempo também toquei com Kid Abelha, Moska e Blitz, quando o Barão estava de férias.

- E Os Britos? Como começou?
- Os Britos foram formados em 1994, convidados pelo Circo Voador paralançamento do filme BackBeat, que em português saiu como “Os Cinco Rapazes de Liverpool”. Montamos a banda, gostamos do resultado e foram muitas canjas depois e várias gargalhadas também. Eis que conhecemos Pedro Paulo Carneiro, o quinto Brito. Pedro Paulo com o apoio do Visit Britain, nos levou a Londres e Liverpool em 2005, onde gravamos o nosso DVD/CD, “Os Britos Cantam Beatles”. E 2006 repetimos a dose. Agora em 2007 recebemos um prêmio do príncipe Andrew da Inglaterra, pela divulgação do Reino Unido através da música. No nosso CD tem duas músicas inéditas, pois descobrimos a facilidade dos quatro para compor juntos. Estamos a pleno vapor.

- Você agora está trilhando a carreira solo. Dá um frio na barriga?
- É muito bom! Gosto de desafios! O primeiro grande desafio foi parar com álcool e drogas em agosto de 2005. Hoje não uso nada e depois disso qualquer desafio que se apresente na minha vida, encaro com responsabilidade, coragem, persistência, prazer e dedicação. Minha carreira solo passa pela minha abstinência e o que aprendi no Centro Vida, clinica psiquiátrica de recuperação de alcoolismo e dependência química. Estou livre em todos os sentidos, para fazer melhor as minhas escolhas. O processo do disco solo e do show, é muito mais amplo do que apenas música. Tenho uma família sólida, minha mulher e meus dois filhos que me apóiam em tudo que faço. Então trilho a carreira solo com muita vontade e sabendo que faço o que escolhi e gosto. O frio na barriga é normal, mas o público tem sido bem receptivo. Já fiz alguns shows no Rio de Janeiro. Foram sete na Letras e Expressões de Ipanema, dois no Teatro Odisséia, um deles encerrando o festival Mada/LaboratorioPop e um show em Brasília, onde tivemos que voltar ao palco quatro vezes. Nesses eventos, pude contar com participações especialíssimas dos Britos, Leoni, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, George Israel, Digão, Phillipe Seabra, Sérgio Serra e Tico Sta Cruz. Meus companheiros de banda são Fernando Magalhães, Kadu Menezes, Nani Dias, Humberto Barros e Jorge Valladão, músicos fantásticos e amigos inseparáveis e insuperáveis. Sinto-me em casa!

- Fale sobre este seu primeiro disco solo.
- O CD se chama “Um Pouco Mais de Calma”, nome de uma letra que fiz e musiquei com Frejat. Foi produzido por Kadu Menezes, meu fiel escudeiro e produtor de alguns discos do Kid Abelha. Todas as canções são de agosto de 2005 pra cá! Não quis nada antigo. Abri uma exceção para “O Sono Vem”, musica minha gravada no CD “Puro Êxtase” do Barão de 1998. Por ser feita pra minha esposa e por achar uma canção desperdiçada no disco do Barão. Tem “Que Língua Falo Eu”, parceria minha com Lobão e Tavinho Paes. Muitas são letras e músicas minhas e outras com parceiros como Zélia Duncan, Frejat, Mauro Sta Cecília, George Israel, Lobão e Leoni. Tem influências de muitos artistas que aprendi a gostar, mas a mistura disso tudo resulta em Rodrigo Santos. O violinista Leo Ortiz deu um toque especial ao disco. Além dele gravaram, Fernando Magalhães, Kadu Menezes, Nani Dias, Humberto Barros, Bruno Migliari e seu quarteto de cordas, Jorge Valladão, Flávio Guimarães, Leoni, Zélia Duncan, Frejat, Bruno Fortunato e George Israel. É um disco muito musical! Zélia divide os vocais comigo em O Peso do Passado e Leoni em Vai Ser Melhor Pra Você. Eu gravei os baixos, violões, vocais e vozes e algumas guitarras. Kadu gravou as baterias. .

- Quando sai?
Começou independente, mas agora conto com a parceria da Som Livre! Está planejado para sair em junho próximo, mas a música de trabalho estará nas rádios em maio.

- Sobre repertório: você vai fazer releituras de músicas do Barão Vermelho em shows?
- Em shows toco alguns “lados Bs” do Barão como A Máquina de Escrever, Flores do Mal, Cigarro Aceso no Braço, Cara a Cara, Vou correndo Até Você, O Sono Vem e apenas uma conhecida: Meus Bons Amigos. Mas posso aumentar esse número dependendo do show. Mas sempre de 1992 pra cá. Período que estou no Barão.

- Daqui pra frente o que o público do Rodrigo Santos, do Barão Vermelho e Os Britos, podem esperar?
Um Rodrigo Santos cheio de vontade e garra pra colocar tijolo por tijolo, construindo com consistência uma carreira solo e mais do que nunca humano e limpo! Minha cabeça é meu patrimônio e cuido dela com carinho hoje em dia. O resto vem com inspiração e trabalho, que é o mais prazeroso. A música está dentro de mim, seja nos Britos, Barão, Kid ou solo. O que importa é a escolha que vou fazer e o caminho a se traçado. Sempre com verdade, sem medo e da maneira que me sentir mais feliz.

Publicado originalmente no jornal International Magazine edição 132 - maio de 2007.

julho 12, 2007

Agenda de shows Autoramas


Selma (baixo e voz), Bacalhau (bateria) e Gabriel (guitarra e voz) formam os AUTORAMAS a máquina de fazer rooock!! A banda faz apresentações divulgando o mais novo disco "TELETRANSPORTE".

12/07, Quinta - Goiânia/GO - Bolshoi Pub - 22h
13/07, Sexta - Uberlândia/MG - London Pub - 22h
22/07, Domingo - São José dos Campos/SP - Hocus Pocus - 18h
24/07, Terça - Rio de Janeiro/RJ - Sala Baden Powell - 19h30
26/07, Quinta - Belo Horizonte/MG - A Obra - 22h
27/07, Sexta - Ubá/MG - Projeto Pub - 22h
28/07, Sábado - Juíz de Fora/MG - Muzik - 23h

junho 29, 2007

Oswaldo Montenegro


Oswaldo Montenegro – A partir de agora

Cantor e compositor lança disco de inéditas com participações de Alceu Valença e Zé Ramalho e faz releitura de Chico Buarque

Depois do sucesso do disco - Oswaldo Montenegro 25 Anos, que, ultrapassou a marca de 100.000 cópias vendidas, nesses tempos de crise, com cd e dvd de ouro, confirmando mais uma vez o aval de Montenegro como compositor, onde demonstra que sua criatividade não tem fim, lança - A partir de agora - o trigésimo quinto disco de sua carreira. Um disco cheio de ecletismo onde o compositor, cantor e instrumentista, mostra seus diferentes gostos musicais, misturando faixas com pegadas de rock e mpb, entre baladas com letras fortes e direcionadas no assunto que abrange. Com arranjos fortes, mas sem excessos, o disco apresenta músicas inéditas, parcerias vocais como com Alceu Valença, e parcerias inusitadas e brilhantes como "Do muito e do pouco", com Zé Ramalho:
“O Zé Ramalho havia participado de um outro disco que lancei (Leo e Bia) no Canecão no Rio de Janeiro e ele fez uma participação cantando. Dentro do camarim após o show, conversando, ele me propôs fazermos algo, já que somos amigos de longa data e nunca havíamos feito nada juntos. Foi quando ele me deu um livro de poemas dele e acabei musicando um deles. Resolvemos gravar. Esta foi à primeira vez que fizemos um trabalho juntos. Quanto ao Alceu, eu fiz uma música chamada (Nem todo Alceu, é Valença) é uma homenagem. Ele foi para o estúdio e acabou gravando comigo. Foi uma aventura. Gravar com ele é sempre uma aventura”, Comenta Oswaldo.

Sempre bem acompanhado em suas empreitadas musicais, Montenegro não foi diferente em - A partir de agora. Suas virtudes poéticas juntam-se aos renomados instrumentistas Alexandre Meu Rei, Caíque Vandera e Pedro Mamede somam seus instrumentos e sua tecnologia à flauta de Madalena Salles. Tudo isso somado, podemos entender o porque de Oswaldo Montenegro mesmo sem se importar com a grande mídia, lota seus shows por onde passa.
“É muito difícil de explicar. Tenho muita gratidão por isso. Mas eu não penso muito nisso e nem analiso. No meu trabalho ele é feito de uma coisa muito intuitiva. Eu faço questão de preservar o seguinte: Eu gravo e faço shows com as músicas que componho sobre o que aconteceu. Depois a própria arte é que toma o rumo próprio”, fala.

A partir de agora - demorou a ser finalizado, mas foi recompensado pelo bom gosto. Montenegro fez uma releitura de um clássico da mpb e ainda de sobra, colocou uma faixa bônus com a trilha sonora de sua autoria para o filme (A Incrível história de Mauro Shampoo).
“Fiquei dois anos gravando este disco. Nesse meio-tempo, eu havia enjoado de mim. Como se tivesse que colocar alguma coisa a mais no disco. Acabei recorrendo ao Chico Buarque que um compositor que eu gosto muito. Escolhi a música (Flor da idade) e mandei bala!”, esclarece completando: “Tem um bônus que conta à história de Mauro Shampoo, que é um jogador de futebol do Íbis do Piauí, o pior time do mundo. O Mauro Shampoo, que é também cabeleireiro, jogou vinte anos no clube fez apenas um gol. Como eu fiz a trilha sonora do filme, acabei colocando essa faixa também”. A realidade é que "A partir de agora", é uma obra impecável.

Texto publicado originalmente no jornal International Magazine edição 127 – Novembro de 2006

junho 23, 2007

Tianastácia

Tianastácia e a sétima laranja

Tianastácia, Maurinho Nastácia (voz e violão), Antônio Júlio Nastácia (guitarra), Beto Nastácia (baixo), Glauco Nastácia (bateria) e Podé Nastácia (voz e violão) são como uma máquina que funciona no tempo certo. Com mais de dez anos de carreira, mais experientes e conseqüentemente mais maduros e, por isso mais precisos como um relógio genuinamente suíço, o grupo lança o seu sétimo cd “Orange 7”.
Título inspirado no clássico filme e livro “Laranja Mecânica” (“Clockwork Orange”). Em conversa exclusiva, Maurinho Nastácia (voz e violão), fala sobre o disco, composições e outras coisas interessantes.


Gostaria que vocês falassem do processo de criação? Vocês acham que se reunirem em um sítio e se manterem excluso influencia nas composições? Pergunto isso, porque existem vários compositores que fazem ao contrário.
O processo de criação do Tianastácia é quase sempre igual. A gente procura um sítio, ou algum lugar afastado da cidade para poder começar os trabalhos. No Orange 7, fomos para uma fazenda em Igaratinga, perto de Belo Horizonte (MG), ficamos duas semanas. A banda, o produtor, Marcelo Sussekind, e algumas pessoas da equipe da banda. O repertório já estava mais ou menos resolvido pelo guitarrista, Antônio Julio e por Marcelo Sussekind. Durante essas duas semanas, fizemos os arranjos e acabamos compondo três ou quatro, lá mesmo. Fomos para o estúdio Máquina, que é do Skank, e gravamos em duas semanas. Mixamos no estúdio Casa do Mato, no Rio de Janeiro e masterizamos na Classic Máster, também no Rio de Janeiro, com Carlos Freitas. Com o disco pronto, fomos para uma outra fazenda, em Itaguara, para ensaiar as músicas, com a presença também do produtor.

É a primeira vez que vocês incluíram teclados em disco? Qual o diferencial? Vocês utilizarão em shows?
Não. Já utilizamos teclados antes em discos anteriores. O diferencial deste trabalho é que o teclado entrou de uma forma mais forte dentro dos arranjos, apesar de em apenas metade do disco. É a primeira vez que assumimos os teclados em show. Convidamos um músico para participar não só dos teclados como também guitarras, violões e vozes.

De que forma os membros da banda contribuem para o disco, além de tocarem seus instrumentos?
Todos os componentes da banda compõem. Uns mais, outros menos. Mas nos arranjos e idéias, todos estão muito presentes.

Laranja Mecânica é um livro e filme antigo. De que forma o descobriram?
Essa história do Laranja Mecânica apareceu depois do disco pronto. Na hora de pensar no figurino, no cenário, etc, essa idéia apareceu junto com as cores que o projeto estava seguindo. Laranja preto e branco. Foi uma conseqüência. Todos da banda já tinham assistido ao filme, então foi uma coisa natural.

Sétimo disco de carreira, é pra lá de uma confirmação de um grupo que sabe muito bem o que quer. O Que mudou nesses anos de estrada? O que foi bom e o que foi ruim nisso tudo?
Acho que estamos numa fase em que sabemos muito bem o que queremos com nosso trabalho. Essa formação já está junta a quase dez anos. Só de olhar um para o outro, já sabemos o que vai acontecer. Por isso acho que estamos muitos bem. O que de ruim aconteceu foram às barreiras que temos que transpor, que a própria vida nos mostra, e às vezes, são escolhas difíceis, mas fazem parte.

Esse disco é independente? Até que ponto isso é bom?
Esse disco é completamente independente e está sendo todo planejado por nós, e por vários parceiros que fomos conquistando durante nossas vidas. Estamos muito satisfeitos com os resultados que estamos conseguindo com nossa organização fora do palco. Tudo muito certo. Não estamos fechados para nenhuma gravadora se elas vierem a somar, realmente, no nosso trabalho.

Nesses mais de 10 anos de estrada o que foi mais gratificante?
O mais legal de tudo é que o Tianastácia, com 11 anos de estrada. Estamos muito felizes e com muita vontade de trabalhar. Nunca tivemos nenhum tropeço tão forte a ponto de nos fazer desistir dos nossos sonhos. Vivemos da banda e temos muitos fãs que nos fazem acreditar que estamos no caminho certo.

Daqui pra frente o público pode esperar o que do Tianastácia?
Muita vontade, muita força para continuar nossa caminhada e muita música boa para continuarmos cantando junto.

Publicado originalmente em junho de 2007 no jornal International Magazine na edição 132

Foto de divulgação por: Kelsen Fernandes

junho 20, 2007

Bezerra da Silva


Com licença! O Sr. Bezerra da Silva!

Veio de Pernambuco para o Rio de Janeiro aos 15 anos de idade, escondido em um navio, e no Rio ficou trabalhando na construção civil. Tocava percussão desde criança e logo entrou em um bloco carnavalesco, onde um dos componentes o levou para a Rádio Clube do Brasil, em 1950. Daí então tudo mudou, passou a atuar como: Compositor, instrumentista e cantor, gravando seu primeiro compacto. Em 1969 lançou o primeiro LP seis anos depois sem sucesso. Quando lançou a série Partido Alto Nota 10 começou a conhecer a mídia. Com um repertório repleto de autores anônimos, assim Bezerra notabilizou-se com estilo próprio. Muito antes de virar moda ele transmitia do outro lado da trincheira da guerra urbana não declarada: "Malandragem Dá um Tempo", "Seqüestraram Minha Sogra", "Defunto Cagüete", "Bicho Feroz", "Overdose de Cocada", "Malandro Não Vacila", "Meu Pirão Primeiro", "Lugar Macabro", "Piranha", "Pai Véio 171", "Candidato Caô Caô".
Em uma conversa franca com Elias Nogueira, Bezerra da Silva conta como apareceu no Rio clandestinamente, passou fome, foi preso várias vezes e ainda conta o segredo do carinho que os mais jovens tem com ele e de seu novo disco “Meu bom juiz”.


É verdade ou é lenda, que você veio de Pernambuco para o Rio de Janeiro escondido em um navio?
É verdade. Recife é uma região do Nordeste politicamente sacrificada. A minha família é do interior de Pernambuco chamado Nazaré. E a verdade é que se eu ficasse em Recife eu ia morrer de fome, então era uma época que não havia mais condição de ficar. O porto lá de Recife é aberto, eu cheguei eram 18 horas mais ou menos. Tinha um navio cargueiro que transportava açúcar e álcool para Santos. Entrei para visitar e fiquei lá em baixo, tinha um fundo duplo. Ele partiu e eu vim embora. Quando fui descoberto no quarto dia de viagem (foram seis no total), me alimentava de açúcar. Depois o comandante me encontrou e ainda brincou me perguntando: “E se eu te jogar na água?” Respondi que ele ia acabar comigo e estaria tudo certo. Foi quando ele me deu comida e prossegui viagem. Chegando ao Rio, fui procurar meu pai, tinha 15 anos de idade, fui um filho abandonado pela mãe ainda no ventre. Meu pai havia abandonado minha mãe, aquela história de mãe! O certo é que eu nasci em Pernambuco, Recife, na rua Manoel de Carvalho, 244 atrás do campo do Náutico e fui registrado no Méier no Rio de Janeiro. Eu nem sabia onde era este tal de Méier. No entanto a minha mãe diz que eu nasci em 9 de março de 1937 e meu pai colocou 23 de fevereiro de 1927.

E qual é a data certa?
Eu não sei, quem sabe é minha mãe e também não me comovi com nada.
Continuando, saí para procurar meu pai e encontrei uma semana depois. Eu tinha fome, fui trabalhar na Av Presidente Vargas num prédio de 22 andares para fazer pintura. Não sei se você sabe, eu sou pintor de parede e tenho um curso que fiz na escola de aprendiz de marinheiro. Subi naquele andaime de 22 andares, quando o encarregado me falou que só tinha este trabalho para eu fazer. “Se você quiser?" Falou o encarregado? Eu respondi que não tinha dinheiro e nem onde dormir. Ele respondeu que daria comida, dormida e no sábado você paga. Eu peguei o trabalho, subi naqueles 22 andares. É o prédio que tem uma rádio. Depois, fui transferido para Copacabana no Lido para trabalhar em outra obra. Dali fui para a Pça. Serzedelo Corrêa com Siqueira Campos, no edifício Timbira. Ali eu arranjei uma mulher. E esta mulher me contou que havia arrumado um barraquinho e que poderíamos morar e que tinha uma subidinha. Quando vi era o morro do Cantagalo, na rua Teixeira de Melo. E neste morro eu fiquei 20 anos. O tempo passou e eu entrando em cana quase todo dia, com o negocio de averiguação, com fome, trabalhando em obra, sempre passando aquele sufoco. Então, tinha uma Escola de Samba, e um rapaz chamado Alcides Fernandes, que me perguntou se eu queria fazer um programa na Rádio Clube para tocar tamborim, “Te dou cem merreis”. E eu fui, me chamaram para gravar e eu comecei gravando, foi onde tudo aconteceu. Eu só gravava Carnaval, depois acabava e eu voltava para trabalhar na construção civil. Isso durou mais ou menos uns dez anos. Quando chegaram os anos 60, gravei com Jackson do Pandeiro, porque meu gênero é coco.


Era sobre isso que eu ia lhe perguntar, sobre uma participação em disco junto com Jackson do Pandeiro?
Não foi participação, eu sei fazer coco, que é um estilo nordestino, sei tocar zabumba direitinho. Andei gravando umas músicas com Jackson e já estava um pouco conhecido no meio. Tinha um ponto onde se reuniam artistas que era o Café Nice. É o edifício que tem a Caixa Econômica, no centro, onde tem até uma escada rolante, ali era o Café Nice. Mas não dava pra agente chegar, porque ali só pintava cantores, com Cetim e Gabardine, você chegava com uma camisinha ali, não dava. Isso tudo acontecendo, e eu não parava de pintar parede. Estava tocando em Copacabana. Não sei se você sabe, eu toco três surdos de uma vez só. Ai o diretor da Copacabana (gravadora) viu e me ofereceu emprego, isso era 1967 quando fui trabalhar em São Paulo na Orquestra da Copacabana Discos, meu filho (Tuca) tinha um ano de idade. Fiquei contente, ao menos eu morava num barraco no parque proletário da Gávea, que hoje é o Planetário, ali era uma favela. Mas o dinheiro que ganhava não dava, era muito pouco. Voltei para outros bicos, estava gravando Carnaval. Aquilo foi evoluindo, ai apareceu o falecido Astor, grande maestro carioca. Ele era uma pessoa temperamental, só sabia gritando. Então um dia ele escreveu um arranjo e eu estava tocando surdo. Hoje eu sei o que é, mas naquele tempo eu não sabia, tinha lá umas pausas de colcheia e eu não sabia fazer. Tentei umas três vezes, o estúdio repleto de colegas, quando ele disse: “Você já tem idade suficiente para tomar vergonha, deixar de beber cachaça, ir para escola aprender música, porque você está prejudicando os outros”. Tinha que olhar pro papel, não tinha conversa. Ele voltou com o pessoal da orquestra e disse: “Deixa que eu mesmo faço”, o pessoal ficou chateado, dizendo que não precisava ter feito isso. Sai dali, quando o Marinho começou a me dar aula. Estudo música até hoje. Passados dois anos encontrei o maestro. Quando ele falou “Fiz aquilo com você porque já sabia que você ia estudar”. Foi até bom porque se eu continua-se do jeito que estava ia ficar por aquilo mesmo, não ia dar em nada. Quando eu já estava no terceiro ano já em 1977, abriu uma vaga na Sinfônica da Globo. Estavam precisando de um percussionista que soubesse ler música. Eu já estava no terceiro ano de violão, para tocar tamborim e reco-reco?! O emprego foi meu. Ai clareou! Passei a ter plano médico e minha maior preocupação era não passar fome. Trabalhei oito anos, saí bem de lá, na hora que pedi para sair não queriam deixar. Tive que assinar um documento para uma possibilidade de readmissão. Quando virei a pagina, não dava para conciliar as duas coisas. Fiz um bom ambiente, era na gestão do Boni, até hoje quando chego lá, sou bem recebido por todos. Fiz como Xavier, dois discos de coco pela Tapecar nos anos 70 “O rei do coco - Bezerra da Silva” e “Bezerra da Silva - o rei do coco”. Não deu certo, assim como em 1969 ”Mana, Cadê meu boi”, que não havia dado em nada. Quando chegou em 1977 arrumei emprego na Globo e fiz o primeiro disco de samba, “Partido alto nota dez volume 1, Bezerra da Silva e seus convidados” de 1978 e que eles acreditaram no nome. No segundo em 1979 “Pega eu que sou ladrão” que é o volume 2, foi quando o Brasil descobriu a marca que é Bezzera da Silva que é uma coisa inédita. Vendi mais de 400 mil cópias tocando apenas no programa do Adelson (Alves) da Rádio Globo. Daí em diante começou a primeira briga. Vendi mais 400 mil cópias e eles acabaram me pagando 44 mil. Botei a boca no trombone. Fiz mais um disco para cumprir contrato que era eu de um lado e o Genaro do outro, e saí. Assinei com a RCA, fiquei quatorze anos, deixei quatorze discos gravados Já era sucesso quando descobri que estava sendo assaltado e saí da gravadora, aliás, não teve nenhuma gravadora que me mandou embora. Fui para RGE, gravei dois discos. Tem uma música que gravei em 1995 chama-se “Parabéns pra você do Brasil” e ai colocaram “Parabéns pra você meu Brasil”, neste novo CD. Você ver como é que são as coisas, não sei se vocês já ouviram, esta musica não foi feita para o Lula. Falar de ladrão em musica é motivo para todas as épocas. Os autores (Edson Show e Adelino da Chatuba), já desapareceram. Saí da RGE e fui para R & Blues, voltei para CID e fiz primeiro disco ao vivo em 1999 e saí. Em 2000, entrei para Atração em São Paulo e gravei dois discos. Saí da Atração, que é outra gravadora muquirana. O Homem não gostou e se não gostou come menos! Estava fazendo um show no SESC e eles mandaram a diretoria da gravadora. Acontece que eles não cumpriram com que foi prometido para trabalhar, queriam promover o disco apenas com meu nome. Ai eu parei o show no meio, a casa estava lotada, eu comecei a falar, “Esta gravadora (Atração) é uma muquirana, prometeram um negocio e fizeram outro. Porque se vocês tivessem agindo certo comigo eu não falaria isto, e falei e tá falado!”. Ficaram me levando em Banho Maria e a gravadora não estava querendo me dar rescisão de contrato. Eles não faziam nada mesmo! Isso foi em 2001. Ficou neste embate sem me liberar. Vim para CID, fiz este disco. Ainda tem aquela história dos “Três malandros”, que foi idéia do Esdras que é diretor artístico, mas também não foi legal, eles tinham outra mentalidade. Eu já saí da CID umas três vezes e voltei. O pessoal diz que minha briga com a CID é igual de marido e mulher, só teve brigas comerciais, nada de grave. Agora estou lá novamente. Na Universal eu gravei apenas um disco “Eu to de pé” em 1998.

O disco que saiu pela Universal foi bem?
Não. O disco é bom, mas o todo poderoso de lá, ficou meio nervoso, porque queria que eu fosse fazer a “Casa de Samba”. Tem até o Rildo (Hora) que é meu camarada, sempre me chamava. Era pra fazer um disco: Eu, Rildo, Baby Consuelo e a Rita Lee, se não estiver enganado, era sempre uma dupla. Eu olhei e falei para um rapaz que era o diretor na época: “Problema é o seguinte: Acho que já está na hora de eu ter um certo respeito. Você vem me chamar para fazer um pau de sebo?”. Até porque o nome disso era “Pau de sebo” que eram “Rildo Hora e Altamiro Carrilho” lançado pela Copacabana. Ele veio cheio de história dizendo que todos estavam empolgados. Quer saber? Eu tenho uma coisa comigo, eu não gosto de banca. O sujeito que vier de banca comigo eu não aceito. A humildade entra em qualquer lugar e tem saber ser homem em qualquer ocasião. Eu falei o seguinte: “Você me respeite, isso é para iniciante, eu tenho mais de vinte discos gravados e você me chama pra fazer um pau de sebo! Me dá mil reais e depois o que der, é dividido com vinte e oito cantores”. Quanto é que vai para cada um? Todo mundo foi, eu não fui. Sou nordestino, não sou mais homem que ninguém, mas sou jagunço, estou acostumado a passar fome, nunca gostei de empolgação, sou humilde. Ai complicou, não teve nenhum ressentimento, o Rildo me chama até hoje. Contratou o Zeca (Pagodinho), bati palmas para ele e não tenho rancor. Ficou engraçado porque fui para Universal que havia comprado a Polygram. O que se entendia, era que a Universal é quem ia mandar, não sei o que eles arrumaram (os capitalistas), que a Polygram ficou mandando. Foi quando começaram a fazer uma limpa. Foi uma porção de gente mandada embora, eu fui o primeiro da lista. Até o presidente da Universal foi demitido.

O que aconteceu depois?
Existem colegas, não são todos, mas a maioria fica calado, as gravadoras fazem o que querem. O que aconteceu? Eu meti todas elas na justiça. BMG, Universal, Atração e RGE. Esta última eu já ganhei em todas as instâncias e para pagar está um rolo danado. Não adianta, não vem com conversa fiada comigo!
Eu não tenho nada com meus colegas, vivo sozinho. Os órgãos de classe que temos não funcionam. Ordem dos Músicos, Sindicato dos Compositores e Sindicato dos Músicos, tudo isso são fachadas. As gravadoras fazem o que bem querem, não cumprem tabelas e ninguém nunca falou nada. Eu nunca vi tanta covardia e tanto medo! Não sei do que? Eles sonegam mesmo! Nós não sabemos quanto vende e quanto recebe e fica por isso mesmo. Começaram a dizer que eu era um cangaceiro. Eu sempre briguei pelos meus direitos e não quero nem saber. Tem gente que fala que: Eu colocando na justiça vou ficar queimado no meio. E eu sempre respondo “Está me achando com cara de pau de fogueira em festa de São João?” Me dá o que é meu! É isso que eu quero! Gravadora pra mim nunca faltou! Dizem que está uma escassez, pra mim sempre tem! Você grava, recebe da gravadora e não tem direto nem de olhar a nota fiscal!
Você não sabe quanto tem, é a palavra deles! Está certo isso? Eles dizem que o Bezerra é mal educado, ignorante e tudo mais! Acontece que eu pago meus impostos e o que é meu, eu quero! Como o Sr. Gurzoni falou, que eu não sou somente artista, sou um vendedor de discos. Sem exagero, todos discos que já lancei, devo ter de 40 a 50 milhões de discos vendidos. Tem aquele slogan que diz “Crioulo com muito dinheiro corre de casa”, eu não aceito isso, mas tem muitos colegas que aceitam e eu grito mesmo! Fico sendo tachado de favelado, criador de caso, irreverente... Mas não sou ladrão! Nunca tive medo de trabalhar. Tudo que falo eu assumo!


Quantos filhos o senhor tem?
Eram seis, porque um morreu. Eram cinco homens e uma menina. Tenho dois netos americanos (EUA) que eu não sei o que eles falam, moram em Boston. Meus filhos todos são músicos.

Como foi seu encontro com o Zé Ramalho?
Toquei com Zé Ramalho. Gosto muito do Zé e ele gosta muito de mim. Eu toco zabumba, mas o gênero é coco que é um estilo musical que vem do norte e muitos falam que é forró, este negocio é até pejorativo, não tem nada com a teoria. Tem o baião, mas tem o coco que é a base e até hoje ninguém gravou. A divisão do zabumba é diferente e muito difícil quando se toca coco. Aprendi a tocar o zabumba desde os nove anos de idade. Trabalhei muito com o Zé Ramalho, eu era músico dele, toquei em vários discos e fiz shows, isso nos anos 70. O Zé tinha lá um... Sabe como é que é malandro é malandro e não cagueta! O Zé gravou no seu disco novo “Vou apertar, mas não vou acender agora”.

Esta música já foi muita regravada?
Elias, eu já perdi a conta! Regravou o Barão Vermelho, Zé Ramalho, Planet Hemp... . Teve algumas que não lembro agora.

O compositor ganhou alguma coisa com esta música?
Ganhou! Uma marmita! Que vez por outra, quando ele vem me visitar e eu dou um prato de comida para ele, que nem dinheiro de passagem tem! Isso me revolta! Ele era para está numa situação diferente!

Quais os instrumentos o senhor toca?
De percussão, todos, desde tambor de Macumba até berimbau. Estudo trompete, violão e cavaco. Estudei oito anos de violão com o método clássico, aprendi ler música e escrever.

Você chega a usar sua habilidade instrumental em seus discos?
Eu mesmo toco, eu mesmo gravo.

Quem faz a seleção de repertório?
Eu mesmo, porque se entregasse nas mãos dos outros eu já tinha me acabado há muito tempo.

Qual o critério que o senhor usa para fazer a seleção?
Faço muita pesquisa. O Compositor é a base, eles são uns privilegiados, como Nélson Cavaquinho e Adoniran Barbosa. Não pela posição que eles ganharam, não é qualquer um que tem esta dádiva divina! Eu mesmo não tenho. As outras coisas são conseqüências. Eu não aceito parceria de ninguém! São estes compositores que me mantém com mais de trintas e poucos anos de pé! Abaixo de Deus, eu devo há eles. Se não fossem eles, eu não estaria aqui! As maiorias são favelados, pobres, desempregados e de baixas rendas, quase todos moram na Baixada Fluminense do Grande Rio. Esse pessoal tem um poder de criatividade fora do comum e quase todos são analfabetos. Eles me colocaram numa situação privilegiada. Eu não tenho concorrente. A música de trabalho deste disco seria, “Produto importado”, ai teve um bafafá, que não podia! Por mim eu colocava! E aonde eu chegar, toco. É uma composição do G. Martins. Fala de um produto que vem da Colômbia, Bogotá! Mas será que lá só vende cocaína? Não vende geladeira, televisão, automóveis, jogador de futebol. Sabe como é que é! Então trabalhando a primeira faixa que é “Semente”. Os autores me enviam várias fitas, agora fica mais fácil. Acontece que no passado eu subia vários morros com um gravador e ficava escutando, até na cadeia eu ia! Tudo isso porque uns tinham complexo, outros vergonha. Na cadeia é porque não podiam sair mesmo! Agora mesmo eu fiz uma pesquisa. Como cantor pobre, não tenho dinheiro para bancar nada, nem automóvel e nem geladeira para dar de presente para a rádio tocar minha música (e se tivesse também não dava!). Então este último disco que fiz vendeu mais de duzentos e cinqüenta mil cópias sem tocar nas rádios. Eu tenho um público jovem e roqueiro, e sobre esta coisa toda e eles falam mesmo! “Bezerra eles não tocam seus discos nas rádios, mas nós compramos assim mesmo!”. Voltando ao disco, gravei uma música do Neguinho da Beija Flor “Bem melhor que você” e gravei um samba chamado “Em seu lar”, do Norival Reis, mais conhecido como Vavá da Portela, que eu já havia gravado nos anos 70, tocando surdo e quem cantava era Flora Matos. Gravei “Noticia” que é de Nélson Cavaquinho, Lourival Bahia e Alcides Caminha.

Como foi a participação do Marcelo D2?
O Marcelo é um cara legal! Gosto dele e ele de mim. Eu estava em São Paulo, quando um rapaz pegou um disco do Planet Hemp. Era ele e tinha regravado “Vou apertar, mas não vou acender agora”. Isso passou. Quando foi um dia ele me chamou para participar de um show no Canecão. Fiz o show numa quinta-feira, até o Frejat estava lá.Quando foi no sábado, eu havia viajado para Salvador para fazer show, quando cheguei no hotel, peguei o jornal e estava lá: “Preso Planet Hemp”, aquele negocio todo. Comentei com a Regina minha esposa. “Quer apostar que meu nome está aqui? Ela perguntou porque? É porque eu sou a bola da vez! Quando abrir o jornal estava lá. O Bezerra da Silva já cantou...”. Se você não sabe a maconha é remédio! Manga Rosa é o nome de uma maconha, tem Cabeça de Nego, que ninguém consegue fumar um baseado inteiro sozinho. Quando Marcelo entrou em cana eu mesmo fiz a versão e o convidei. “Doutor Deus criou a natureza e também a beleza desta vida e o Planet Hemp quer saber porque que esta erva é proibida?” (parte da letra da musica “Garrafada do Norte” em que Marcelo D2 teve participação especial). Tem também “Minha sogra parece sapatão”, “O bom juiz” que é do falecido Beto Sem Braço e Serginho Meriti.

E shows?
É o seguinte, devo ser o único artista que não faz.

Por que?
Porque não tem. Eu vejo muitos que dizem que estão com agenda cheia, (Vou tocar na França, na Suíça, Inglaterra) e daqui a pouco o cara está duro na esquina pedindo dez merreis emprestado. Mente para está na mídia. Vou para São Paulo para fazer o Bem Brasil, SESC... Quanto ao show? Quando digo o valor eles não querem pagar. Principalmente aqui no Rio de Janeiro. Eles gostam do show de graça. Dão um sanduíche, se você dá dois eles te dão, arrumam uma poeirinha até para cafungar.

Você tem disco lançado fora do Brasil?
Tem sim, uma vez estava em Boston, com um amigo, e fomos juntos numa loja de disco do mundo inteiro e mostrou vários discos meus e ainda brincou dizendo para quando eu chegar no Brasil, verificar se eles estavam me pagando certo. Tenho disco em Portugal, na África... Tenho disco em lugares do mundo que eu nem conheço!


Entrevista concedida originalmente ao jornal International Magazine em agosto de 2003. Esta entrevista, segundo o próprio entrevistado, foi a melhor e mais completa já feita em sua carreira. Vale informar também que: Uma parada cardíaca, conseqüente, a enfisema pulmonar e pneumonia, levou à morte o cantor e compositor José Bezerra da Silva dia 17 de janeiro de 2005, no Rio de Janeiro, aos 77 anos.